A Nasa, agência espacial americana, conseguiu fazer com que um robô pousasse com sucesso em Marte nesta segunda-feira (26). Ele investigará o interior do planeta vermelho em uma incursão inédita. Apesar do êxito, o desembarque da sonda InSight foi precedido por sete minutos dramáticos, pois o pouso era considerado arriscado.

A confirmação do pouso veio pouco depois das 19h50 GMT (17h50 no horário de Brasília). A sonda desembarcou em uma planície conhecida como Elysium Planitia, perto do equador marciano. Essa será a primeira sonda a dedicar-se à compreensão sobre o interior de Marte. Os cientistas procuram descobrir como são as profundezas do planeta – do seu núcleo à crosta.

Robô é configurado não só para enfrentar desafios no pouso em Marte mas também para sobreviver a suas gélidas temperaturas (Foto: Divulgação/Nasa)

A InSight tem três planos principais para atingir esse objetivo. O primeiro envolve um pacote de sismógrafos franco-britânicos que buscarão ouvir “Marsquakes” (em tradução livre, uma analogia ao nome dos terremotos em inglês, “Earthquakes”; ou seja, indica tremores localizados em Marte). Essas vibrações revelarão onde estão as camadas rochosas e de que são feitas.

Em outra frente, uma “toupeira” alemã escavará até cinco metros no solo para medir a temperatura do planeta. Isso dará uma ideia do quanto Marte ainda é ativo.

E um terceiro experimento usará transmissões de rádio para determinar com muita precisão como o planeta está oscilando em seu eixo. A cientista adjunta do projeto, Suzanne Smrekar, usa uma analogia: “Se você pegar um ovo cru e um ovo cozido e girá-los, eles balançam diferentemente por causa da distribuição de líquido no interior. E hoje nós realmente não sabemos se o núcleo de Marte é líquido ou sólido e quão grande é esse núcleo. A InSight nos dará essa informação.”

Por que essas informações são importantes?

Os cientistas entendem muito bem como o interior da Terra está estruturado e têm alguns bons modelos para descrever o início dessa formação no nascimento do Sistema Solar, há mais de 4,5 bilhões de anos. Investigações sobre Marte poderão dar aos pesquisadores uma perspectiva diferente sobre como o planeta rochoso pode ter se estruturado e evoluído ao longo do tempo.

“Os pequenos detalhes sobre como os planetas evoluem são o que pensamos fazer a diferença entre um lugar como a Terra, onde você pode sair de férias e se bronzear, e um lugar como Vênus, em que você será queimado em uma questão de segundos. Ou um lugar como Marte, em que você congelaria”, explicou o cientista-chefe da InSight, Bruce Banerdt.

(Fonte: BBC)