terça, 22 de setembro de 2020

Ameaça de emergência ser fechada no Hospital Alberto Torres

Emergência deve fechar caso pagamento não seja realizado. Foto: Divulgação

Desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), profissionais da área de saúde são considerados essenciais pelas bases dos governos. Entretanto, na prática, esses funcionários se sentem esquecidos, em especial os do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo. Com isso, há uma nova ameaça do fechamento da emergência da unidade.

Há dois meses, todos os profissionais contratados do hospital, incluindo médicos, enfermeiros, nutricionistas, maqueiros, fisioterapeutas e administrativos, não estão recebendo salários. Segundo os funcionários, a organização social (OS) Instituto Lagos Rio, que administra a unidade, alega que não recebeu os repasses do Governo Estadual.

Funcionários mostraram mensagens enviadas pela direção do Heat, justificando a falta de pagamento, que vêm dizendo: “Boa tarde a todos. A informação que temos até o momento é que, apesar do empenho da OS, o repasse ainda não foi feito. O governador atual suspendeu todos os pagamentos da área da saúde por 10 dias então, até o final disso não teremos nenhuma informação. Sei que está complicado esperar, porém, sabemos que não é um atraso da OS e sim do governo. Assim que o depósito for liberado e feito pelo Governo do Estado, os pagamentos serão regularizados, não só da nossa OS, mas de todas que estão na mesma situação que nós”.

Entretanto, os funcionários alegam que a Lagos recebeu o repasse desde 28 de agosto. Até o momento, a organização não efetuou os pagamentos de julho e agosto, além da rescisão de contrato, visto que os funcionários estão cumprindo aviso prévio.

A organização social deixará de administrar o hospital no próximo dia 27 de setembro, uma vez que a Fundação de Saúde irá assumir a gestão das unidades de saúde. O anúncio da mudança de modelo de gestão foi feito na última sexta-feira (4), pelo secretário de Estado de Saúde, Alex Bousquet.

“Neste momento, estamos em déficit de funcionários. As pessoas estão faltando porque não têm dinheiro de passagem para ir trabalhar e outros estão entrando com atestado porque estão adoecendo por sobrecarga e estado psicológico pela fome e dívidas que não puderam pagar. Tudo indica que a OS vai sair sem pagar”, contou, preocupada, uma funcionária que preferiu não se identificar.

Por causa do déficit de funcionários, diversos setores do hospital estão congestionados, segundo as denúncias dos trabalhadores, colocando em risco a vida dos pacientes. Há denúncia também de falta de insumos e equipamentos de proteção individual (EPIs).

“Com essa situação, todos os setores ficam sem mão de obra. No setor que eu trabalho, que é a emergência, são quatro técnicos para mais de 15 pacientes e, com esse problema, apenas um está indo por dia. No CTI, só tem um enfermeiro para quase 20 pacientes. Um dos setores, direcionado só para pacientes do Covid-19, só tem uma enfermeira, que está sem EPI. A situação está desesperadora e eles [unidade] não nos falam nada”, emendou outra funcionária.

Na manhã desta sexta-feira (11) profissionais do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ), foram até o local após as denúncias. O órgão informou que realizou mais uma ação fiscalizatória na unidade, mas o relatório complementar com as respostas às cobranças de solução às irregularidades apontadas em diligências anteriores ainda não foi finalizado.

O Coren-RJ ressaltou ainda que tem ajuizada uma Ação Civil Pública (ACP), e as informações do ato fiscalizatório ocorrido nesta sexta-feira (11) serão peticionadas à ACP.

O Instituto Lagos Rio comunicou que aguarda repasse do governo do Estado para quitar os salários. Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que o último repasse à unidade foi feito em no dia 4 de agosto, referente ao mês de julho. Já sobre o repasse referente a agosto, o Governo afirmou que está previsto para esta sexta-feira (11) e deve cair na conta da Organização Social (OS) Lagos Rio nos próximos dias.

A Secretaria ressaltou ainda que o pagamento da folha salarial dos funcionários é de responsabilidade da OS. Pelo cronograma anunciado de transição para a Fundação Saúde, a SES informou que a mudança começa na próxima semana pelo SAMU e, ainda este mês, chega ao Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, que deixará de ser administrado pelo Instituto Lagos Rio. Em dezembro, a UTI e a clínica médica do Hospital Carlos Chagas também passam para a Fundação.

“Todas as OSs serão substituídas gradualmente. O plano é a Fundação Saúde e outras fundações ligadas a universidades estejam no controle de todas as unidades de saúde do estado dentro de até dois anos”, informa a nota.

Nas três unidades que passarão à gestão da Fundação no dia 28, Hospital Estadual Alberto Torres, UPA Colubandê e Hospital João Batista Cáffaro, a Secretaria contará, nos próximos 180 dias, com os funcionários já contratados para trabalhar nas unidades, com o objetivo de evitar interrupções no atendimento. Ao longo desse período, a SES informou que fará avaliação por efetividade e custo dos serviços prestados.

Desvio de dinheiro

Em junho desse ano, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou uma operação para cumprir mandados de prisão e de busca e aprensão pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro de integrantes do Instituto dos Lagos Rio. Eles foram acusados de desviar mais de R$ 9.1 milhão dos cofres públicos estaduais.

Segundo a denúncia, a OS teve empenhados em seu favor R$ 649 milhões entre os anos de 2012 e 2019, para a gestão de unidade de saúde do estado, tendo comprovadamente desviado parte substancial dos valores. A denúncia demonstrou, ainda, que a organização sequer dispunha de aptidão par assinar contratos de gestão com o estado, mas forjou sua capacitação técnica graças a obtenção de atestados técnicos falsos.

Publicada às 14h45. Atualizada às 17h.

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','https://www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-1023799-1', 'auto'); ga('send', 'pageview');

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *