quinta, 24 de setembro de 2020

Arroz e óleo viram prato gourmet com disparada de preço

Um dos motivos é a sazonalidade e a alta do dólar. Foto: Marcelo Tavares

O valor do arroz aumentou cerca de 17,3% nos supermercados do Rio de Janeiro. A pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro a agosto, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Desde abril, o órgão realiza a tomada especial à distância devido à pandemia. Em Niterói, o quilo do produto atinge R$ 4,99.

Os dados ainda revelam que o total da cesta básica no estado está quase 2,5% mais caro entre os dois meses. No mesmo período em 2019, os itens que compõem a cesta tiveram redução de 0,97% no Rio de Janeiro.

Em janeiro, enquanto a cesta básica custava R$ 507,13, os itens que a compõem passaram a atingir R$ 529,76 em agosto. Entre os oito meses, o que esteve mais caro foi maio, quando a cesta chegou a atingir R$ 558,81 no Rio de Janeiro.

Segundo a professora Maria Beatriz de Albuquerque David, da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), há vários motivos para o encarecimento da cesta, em específico o arroz. Um deles foi o aumento do consumo.

“Esse aumento se deu por causa do auxílio emergencial, que deu poder de compra para pessoas que não tinham condição de adquirir ou obtinham em menor quantidade. O consumo diminuiu nos restaurantes, mas aumentou nos lares brasileiros”, explicou Maria Beatriz.

A professora ainda explicou outro ponto, que é a questão de sazonalidade (algo típico de determinada estação ou época) relativa à seca dos principais produtores de arroz no Rio Grande do Sul e em estados do Centro Oeste.

“Nós somos exportadores de arroz. Teve safra de alguns produtos que aumentaram. Alguns estados foram muito impactados por eventos climáticos esse ano e eles são grandes produtores”, declarou.

Óleo também está mais caro

Outro produto que também está pesando no bolso dos brasileiros é o óleo de soja. Segundo o Dieese, o item ficou quase 31% mais caro no estado, entre janeiro e agosto.

No ano passado, nesse mesmo período, o óleo ficou 1,34% mais barato. A professora da Uerj contou que o alimento teve aumento no preço devido à desvalorização do real, que implica no preço dos commodities.

“Qualquer variação do dólar vai impactar o valor do óleo, devido ao fato de ser um produto internacional”, declarou.

O professor Mauro Rochlin da Fundação Getúlio Vargas (FGV) também atribuiu a alta do dólar ao valor mais alto do óleo.

“De longe, essa é a principal causa. O dólar aumentou cerca de 40% de janeiro para cá. Isso ajudou a exportação brasileira de soja e tornou cara a importação de arroz. São dois lados de uma mesma moeda. O dólar teve impacto evidente no preço desses produtos”, disse.

Em nota, a Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) informou que mostra preocupação com o elevado preço de alguns produtos, em especial os que compõem a cesta básica da população brasileira, que vêm sendo fortemente impactados em função de alguns fatores, como o aumento do dólar e a sazonalidade.

“O setor supermercadista do estado do Rio de Janeiro é um dos que tem sofrido grande pressão de aumento nos preços de forma generalizada repassados pelas indústrias e fornecedores. Reconhecemos o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira, mas alertamos para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar impactos no abastecimento da população, principalmente em momento de pandemia do novo coronavírus”, informou a associação.

A Asserj ainda informou que tem se esforçado para manter os preços normalizados no estado do Rio e vem garantindo o abastecimento regular desde o início da pandemia em todas as redes associadas.

“Desde março, a Associação tem estreitado ainda mais parcerias com fornecedores e representantes de todos os elos da cadeia de abastecimento
para antecipar os pedidos de compras e garantir um melhor abastecimento para a sociedade. Apoiamos o sistema econômico baseado na livre iniciativa e somos contra as práticas abusivas de preço, que impactam negativamente no controle de volume de compras, na inflação e geram tensões negociais e de ordem pública. É importante destacar que aumentos excessivos no preço de mercadorias devem ser denunciados ao Procon-RJ”, declarou.

Mercados de Niterói

Em Niterói, consumidores reclamaram do aumento dos preços desses dois itens. A aposentada Leia de Souza, de 72 anos, contou que, há poucos meses, adquiria o óleo de soja por aproximadamente R$ 3 e hoje está pagando R$ 8.

“Está difícil fazer compras. Nosso salário aumenta pouco a cada ano e os preços nos supermercados ficam cada vez mais altos”, explicou.

Já Edir Freire, 80, é moradora de São Francisco e se desloca até Santa Rosa em busca de preços mais baratos.

“Eu vou aos mercados e faço pesquisas de preços para tentar driblar a alta. Está tudo caro demais. Estou assustada com o preço do arroz”, disse.

Nos supermercados, um quilo de arroz está variando entre R$ 3,70 (zona sul) e R$ 4,99 (zonas central e norte). Já os de cinco quilos, custam entre R$ 18,50 (zona sul) e R$ 25,90 (zona oeste).

Já o óleo, o valor mais caro apurado foi de R$ 6,99, no Centro, e o mais barato R$ 6,35 na zona sul.

Como substituir os alimentos

Apesar do feijão com arroz ser um prato riquíssimo nutricionalmente e o queridinho na mesa dos brasileiros, o ideal é que sejam intercalados com outros alimentos para garantir a variedade alimentar e de nutrientes, como vitaminas e minerais. A informação é da nutricionista Úrsula Maas, que é formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestranda em ciências da nutrição pela UFF, pós graduanda em nutrição esportiva funcional e atende no Centro de Niterói.

“O arroz pode ser facilmente substituído por outros cereais, batatas e tubérculos como batata inglesa, batata doce, inhame, aipim, macarrão, cuscuz de milho. E o feijão preto tradicional pode ser substituído por outras leguminosas como lentilha, feijão branco, feijão fradinho, feijão vermelho, ervilha, grão de bico”, disse.

Ela ainda ressaltou que legumes da safra estão sempre com um preço mais acessível. Em setembro, por exemplo, é a época do aipim e inhame.

“Provavelmente, eles estão com um preço e qualidade melhor no seu bairro.
Aproveite para variar nas preparações. Que tal um escondidinho de aipim com frango desfiado e espinafre ou uma salada de feijão fradinho com ovos cozidos?!”, emendou.

Já óleos refinados de uma forma geral, como soja e canola, aumentam o risco de inflamação no organismo se consumidos em excesso. Agora óleos e gorduras provenientes da azeitona e castanhas são ideais para saúde por melhorarem o perfil do colesterol e serem anti-inflamatórios.

“O ideal é evitar ao máximo preparações fritas. A fritura em excesso está associada com obesidade, doenças cardíacas e aumento da inflamação. Sempre desaconselho o uso dessas frituras, caso a família tenha o hábito de fazer com frequência, aproveite o momento para reeducar o paladar e reduzir o consumo. Opte por pratos cozidos, grelhados e assados, caso tenha a necessidade de fazer um refogado use o mínimo de óleo possível. Sempre levanto o questionamento na consulta ‘Quanto tempo dura uma garrafa de óleo na sua casa?’. Caso a pessoa não saiba responder, comece etiquetar a garrafa, com a data de abertura e assim ela se reeduca a fazer com que essa garrafa dure no mínimo um mês dependendo do número de pessoas na família”, finalizou.

A professora do departamento de nutrição básica experimental da área de ciência de alimentos da Uerj, Suzana Freitas, ainda acrescentou que o primeiro substituto para o arroz seria o macarrão, devido à combinação proteica com as leguminosas.

“Em relação a valor calórico (ou energético) o arroz pode ser substituído muito bem pela batata e aipim. Mas não é proteicamente tão bom como é o caso dos cereais. O feijão preto também pode ser substituído por vários representantes, como o feijão vermelho, fradinho, entre outros, que tem o mesmo valor nutricional, além de soja, lentilha, grão de bico e ervilha seca, que pode ser usado, também, para quebrar a monotonia”, explicou.

Memes

Nas redes sociais, internautas estão fazendo memes com a situação. Confira:

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','https://www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-1023799-1', 'auto'); ga('send', 'pageview');

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *