sábado, 27 de fevereiro de 2021

Bairro de Copacabana lidera concentração de moradores de rua no Rio

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Em Copacabana, população em situação de rua se acumula nas calçadas e entradas de agências bancárias. Foto: Marcelo Tavares

A população em situação de rua, conhecida popularmente como ‘moradores de rua’ já se tornou parte da paisagem urbana carioca. Principalmente em bairros da zona sul e da região central da cidade.

Segundo levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio realizado entre janeiro e fevereiro, o bairro de Copacabana concentra o maior índice de pessoas nesta condição.

Até a terça-feira (9), a pasta afirma já ter realizado 13.174 atendimentos, com 2.974 encaminhamentos de casos e 1.236 acolhimentos em unidades de reinserção social, esse ano. O órgão também distribuiu kit’s de higiene e alimentos. No total, foram entregues 4.134 máscaras, 4.750 lanches e 4.429 águas.

A secretária da pasta, Laura Carneiro, participou de algumas dessas ações, que tiveram início por bairros do Centro e Zona Sul, em especial Copacabana.

“É importante enfatizar que a legislação só permite o acolhimento daqueles que aceitam. O trabalho dos assistentes sociais é de conversar com essa população e explicar as possibilidades de atendimento, que vão do acolhimento em unidades de reinserção social a encaminhamentos de seus casos para outros órgãos”

Moradores do bairro da zona sul carioca convivem diariamente com moradores de rua em portas de bancos, calçadas e viadutos.

“Eles ficam ali, às vezes pedem alguma coisa, às vezes, não. Vejo gente de todos os tipos, além de famílias também. Procuro sempre ajudar, mas nem sempre temos abertura”, diz Lúcia Benedito, 49, moradora do bairro.

Já o vendedor, Cláudio Morais, afirma que a presença dessas pessoas é reflexo de políticas públicas pouco eficientes.

“São pessoas, em geral, que trabalhavam e agora estão nas ruas por falta de opção. É triste e me parece um retrato da nosso país para [falta] políticas sobre eles”, reflete.

Preconceito

O discurso é ratificado pela doutorando em Políticas Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro do Fórum Permanente sobre População Adulta em Situação de Rua do Estado do Rio de Janeiro, Giovanna Bueno Cinacchi.

Para a especialista, quem vive nestas condições sofre os mais diversos preconceitos, dado o histórico e o racismo estrutural da sociedade, mas que, na verdade, muitas vezes, o que acontece é uma confusão e uma associação à criminalidade.

“Uma parte expressiva da população de rua está lá por uma questão de saúde mental e não conseguem executar nenhum tipo de atividade que promova renda. Mas a maioria das pesquisas mostra que a outra parte dessas pessoas trabalha. Alegar que são bandidos é criminalizar uma população que já é alijada dos direitos sociais, uma população que não tem um teto sob sua cabeça”

Maioria da população em situação de rua é composta por homens e 79,6% são negros ou pardos. Foto: Marcelo Tavares

Segundo levantamento do último Censo realizado em outubro de 2020, pelo Instituto Pereira Passos (IPP), em parceria com a prefeitura na gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella, há nas ruas da cidade 7.272 pessoas em situação de rua, sendo a maioria composta por homens e 79,6% são negros ou pardos. Segundo a pesquisa, a faixa etária é de 31 a 49 anos e em conflitos familiares.

O Censo de População em Situação de Rua 2020 foi o primeiro realizado na cidade do Rio de Janeiro a partir de metodologia científica elaborada em parceria pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos e Secretaria Municipal de Saúde.

Já dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que que, entre setembro de 2012 e março de 2020, houve um aumento de 140% em todas as Grandes Regiões e em municípios do país, saltando de 92.515 (Set/2012), para 221.869 (Mar/2020). O órgão afirma ainda que o aumento é em decorrência do aumento do desemprego e da pobreza no período.

“A população negra é cada vez mais jogada e mais suscetível a ser jogada para a extrema pobreza, isso acontece não só no Brasil, mas em todo lugar do mundo”, sentencia Giovanna.

A Secretaria de Assistência Social justifica ainda que desenvolve uma ação integrada de acolhimento e mapeamento das pessoas em situação de rua, em consonância com a Política Nacional de Assistência Social, baseada na reinserção social das populações mais vulneráveis.

A pasta informou ainda que, ‘nesse momento, a situação dos abrigos é prioridade da pasta que, por conta do rombo fiscal da prefeitura, vem buscando parcerias com setores da iniciativa privada e da sociedade civil organizada’.

O órgão informa que segue trabalhando na implementação de novos programas voltados para a inclusão de adolescentes no mundo digital; para formação profissional de adolescentes-adultos (18 a 25 anos); e para crianças e adolescentes.

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