segunda, 26 de outubro de 2020

Centenas de diabéticos ficam sem insulina em São Gonçalo

Atraso na distribuição coloca pacientes em risco em São Gonçalo. Foto: EBC
Atraso na distribuição coloca pacientes em risco em São Gonçalo. Foto: EBC

Pacientes diabéticos que precisam de canetas de insulinas (NPH e regular), distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estão sofrendo com atraso na entrega do medicamento em São Gonçalo. Os medicamentos, distribuídos pela Secretaria Municipal de Saúde, em uma unidade dentro de um shopping, no Boa Vista, por exemplo, estão em falta desde o final de abril.

Ao todo, cerca de 200 pacientes foram afetados com o atraso. A vigilante Daniele Monteiro, de 38 anos, tem dentro de casa dois dependentes do medicamento: o filho, de 19 anos, e o marido, de 39. Amparada por uma liminar judicial, ela precisa de 22 doses (16 de NPH e seis da regular) para o companheiro e 21 para o filho (17 NPH e quatro regulares).

“Com toda essa correira do coronavírus, parece que o governo esqueceu dos pacientes diabéticos. A gente tem correr atrás nos grupos para buscar com quem tem doses extras em casa para não ficar sem. Na farmácia é muito caro e, mesmo assim, ainda é difícil de achar. Os dois não podem ficar sem, eles podem morrer”, alerta a vigilante.

A atendente hospitalar Ana Claudia dos Anjos, de 49 anos, também está passando pela mesma dificuldade. O filho, de 13 anos, faz uso de insulina desde quando tinha desde o primeiro ano de vida. Diabético tipo 1, ele precisa receber oito doses do medicamento (cinco regulares e três NPH) para suprir o mês inteiro.

“Um funcionário informou no grupo de mães que, por causa da pandemia, a entrega seria regularizada até o final do mês de maio. Todo dia, antes da alimentação, a gente faz a medição de glicose e aplica a quantidade de insulina de acordo com o que é prescrito pelo médico. Se ficar sem, meu filho pode desenvolver uma hiperglicemia e até entrar em coma”, explicou a atendente.

Mais um exemplo dessa realidade é a dona de casa Eva Farias, de 53 anos, ela é moradora de Nova Cidade e trava a batalha contra a diabetes da filha, desde que ela tinha seis anos. Hoje, com 24 anos, a dona de casa faz uso de 13 doses de insulina (nove regulares e quatro NPH) para garantir mais um mês de tratamento, além de fitas para medir a glicose.

“Esses insumos são muito caros e a gente não consegue comprar. Minha filha usa diariamente. A gente tinha alguma reserva, mas agora já estamos ganhando doação de outras pessoas que têm. A insulina é vida para eles, sem o medicamento eles não vivem”, conclui a dona de casa.

Em nota, a coordenação de Farmácia da Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo informa que, desde janeiro de 2017, realiza a entrega das insulinas judiciais (canetas) sem interrupção. Ainda de acordo com o município, nos últimos dois anos, a entrega é realizada com três meses de antecedência. 

Entretanto, a prefeitura confirma que no período de pandemia houve atraso de 20 dias na distribuição, mas garante que será feita a regularização e voltará a fazer a entrega trimestral, embora não tenha fornecido prazo para normalização da entrega.

A Superintendência de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (SAFIE) do Estado do Rio informa que o abastecimento de canetas de Insulina NPH e Regular está regular e cabe, portanto, a distribuição dos medicamentos pelas administrações municipais.

Repasse

O Ministério da Saúde informa que a entrega de insulina humana NPH 100 UI/ml e da insulina humana regular 100 UI/ml para o estado do Rio de Janeiro está regular, sendo que no dia 11 de maio foram entregues para a Secretaria Estadual de Saúde do Rio, 64.800 canetas de Insulina Humana NPH e 14.100 canetas de Insulina Humana Regular.

Segundo o Ministério, estima-se que soma desses quantitativos é suficiente para atender a demanda do estado do Rio de Janeiro até o fim do mês de junho. A pasta destaca que é a responsável pelo financiamento e aquisição desses dois tipos de insulina.

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