domingo, 29 de novembro de 2020

Desfile das Campeãs acontece neste sábado

O rigor do desfile oficial e a preocupação com os jurados vão ser deixados de lado neste sábado (9) durante o Desfile das Campeãs, quando as seis escolas mais bem classificadas no carnaval de 2019 do Rio de Janeiro prometem um espetáculo para o público que estará na Marquês de Sapucaí. A campeã, Mangueira, volta à passarela, bem como a Viradouro, a Unidos de Vila Isabel, a Portela, o Salgueiro e a Mocidade Independente de Padre Miguel.

desfile começa às 21h15 e, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), a primeira a se apresentar será a Mocidade Independente de Padre Miguel. Em seguida, virão Salgueiro, Vila Isabel, Unidos do Viradouro e Mangueira, que deve desfilar por volta das 2h40 de domingo (10).

Fênix com a bandeira da Viradouro fechou o carnaval da agremiação no último domingo (Foto: Anderson Justino/Colaboração)

Mocidade

A Mocidade Independente de Padre Miguel, sexta colocada e primeira a desfilar neste sábado, não precisou fazer grandes reparos nos carros alegóricos por causa do trajeto de ida e volta do Sambódromo após a apresentação oficial durante o carnaval. Hoje serão feitos apenas retoques na própria concentração para a entrada na Marquês de Sapucaí.

Segundo o diretor de Carnaval da Mocidade, Marquinho Marino, as alegorias não sofreram avarias no transporte e que houve apenas revisões mecânica e elétrica. Ele disse que o público terá uma nova visão da Mocidade que, no desfile oficial, passou pela Marques de Sapucaí já com dia claro e hoje se apresentará à noite. “Agora a gente vai mostrar realmente o que são os nossos carros porque de dia a  iluminação não é a mesma. E é evidente que há uma perda muito grande na comparação com as escolas que estavam na noite”, afirmou.

Salgueiro

O diretor de Carnaval do Salgueiro, Alexandre Couto, destacou que o cuidadoso trabalho feito no barracão para o transporte das alegorias até Passarela do Samba e para o retorno após o desfile oficial garantiu a conservação dos carros, que não exigiram reparos. “Temos uma equipe e uma logística que leva e traz os carros para a avenida perfeitamente. É um trabalho com que não me preocupo, os carros voltam em perfeitas condições. Vamos fazer um desfile no mais alto nível e nas mesmas condições do desfile oficial.”

Couto descreve o transporte das alegorias até o Sambódromo como uma “verdadeira viagem”, porque o caminho é árduo. Algumas alegorias chegam a ter 20 metros de cumprimento, 8 de largura e 15 de altura. “Por isso, a gente pode ter que fazer uns reparozinhos na concentração, mas hoje a escola está prontinha para desfilar.”

Segundo Couto, o Salgueiro vai se apresentar muita descontração e comemorar o desfile feito na madrugada de segunda-feira, após superar dificuldades na preparação do carnaval.

“Foi uma grande vitória diante do desafio de fazer carnaval no Salgueiro por causa da guerra política [correntes de poder dentro da escola] que teve no ano passado. Só de vir ao desfile das campeãs já é uma grande vitória.”

Portela

A Portela fez pequenos reparos de peças que se soltaram das alegorias. Segundo Júnior Schall, integrante da Comissão de Carnaval da Portela, o número de componentes que desfilam hoje pode ser menor, pois muitos não moram no Rio e já voltaram às cidades de origem. Schall ressaltou que a escola tem se mantido entre as primeiras colocadas, o que leva os portelenses a preservar as fantasias porque “sabem” que vão voltar à avenida para o desfile das campeãs. “A Portela tem o maior quantitativo nos desfiles das campeãs. Há seis anos voltando nas campeãs, o componente da Portela se acostumou a desfilar duas vezes. Sem que isso possa parecer arrogância, ele preserva a fantasia, leva para a casa, guarda.”

Schall destacou ainda a participação da comunidade portelense nas atividades da agremiação, como os ensaios que ocorrem às quartas-feiras.

“São cerca de 2,5 mil pessoas dentro de um universo de 3,5 mil componentes, o que significa que temos quase o total de gente da quadra da Rua Clara Nunes, 81, ensaiando lá e se aplicando. Esse número é bem favorável”, afirmou.

Ele lembrou que homenagem à cantora Clara Nunes era um pedido antigo dos portelenses.

“Emoção não é quesito, como andaram falando aí, mas no momento em que se abre mão da emoção – e a Portela não pode fazer isso de modo algum – a gente fica carente demais de poder apresentar um espetáculo a altura do que o povo precisa.” 

Para ele, não há como falar de Clara Nunes, “ainda mais em Portela, sem se emocionar.”

Vila Isabel

Terceira colocada, a Vila Isabel precisou fazer poucos reparos nas alegorias e fantasias voltar à Marquês de Sapucaí. O nível de peças danificadas foi baixo, e a Vila voltará 100% para a avenida, informou o coreógrafo Patrick Carvalho, integrante da Comissão de Carnaval. “A Vila está inteira para o desfile.” 

Patrick, que recebeu nota máxima dos jurados, lembrou a tensão do desfile oficial e disse que neste sábado haverá mudanças. “Quando eu virava a mesa [que era usada pelos componentes para a coreografia] só fazia os truques para os jurados. No sábado, quero fazer isso para a avenida inteira. Vou modificar para acrescentar esse grande show para o público.”

Para Patrick, a preparação de uma comissão de frente mexe muito com o emocional, porque vários aspectos têm de ser analisados para a execução dos movimentos, e a carga de ensaios é elevada. Ele comparou a comissão de frente a um filho que a pessoa cria para o jurado bater, se quiser. “É muito desgastante, o emocional, a saúde, a família. Então, quando vêm os 40 pontos, é um alívio, e você não sabe de onde sai aquele peso.”

No desfile das campeãs, a escola vem descontraída, reafirmando a mensagem de que as pessoas precisam respeitar mais os museus. “No Brasil não valorizam muito. As pessoas entram nos museus e ficam tirando selfies.”

Viradouro

A vice-campeã, Viradouro, também não precisou fazer reparos nas alegorias. O presidente da escola de Niterói, Marcelinho Calil, disse que as equipes que trabalham no barracão da escola acompanham o transporte e que, a cada ano, evoluem os preparativos para definir rotas de ida e volta para que os carros possam ir e voltar sem problemas.

“A Viradouro vai levar a mesma energia, a mesma pegada de domingo. O desfile não tem a mesma adrenalina da competição, mas, para nós, não vai ser problema. Todo mundo vai estar mais leve, diante do que a escola passou nos últimos anos”, destacou Calil. Depois de um período na Série A, antigo Grupo de Acesso, a volta ao Grupo Especial, considerado a elite do carnaval do Rio, é em clima comemoração, acrescentou. 

Para o carnavalesco Paulo Barros, o desfile do vice-campeonato será menos tenso. “As pessoas estão felizes com o retorno ao carnaval em grande estilo e em altíssimo nível. Pode ter certeza de que a gente tentará reproduzir o nível de qualidade apresentado no domingo de carnaval [3]. Com a escola mais leve, mais solta, menos preocupada em preencher certas funções, mas, com certeza, o brilho no olhar, como diz o samba, vai ser o mesmo. Pode ficar tranquilo que a gente vai fazer um grande espetáculo no sábado.”

 Mangueira

O intérprete Marquinho Art’Samba, da Mangueira, mostrou-se confiante no envolvimento do público pelo samba-enredo da escola, considerado o melhor deste ano. “É um desfile menos técnico e com muito mais emoção. No desfile oficial tem certos tons em que a gente tem que ficar comedido. No desfile do sábado, posso botar mais cacos e me comunicar mais com o público, o que gera mais emoção.”

Marquinho espera que, durante o “esquenta” para o desfile, ainda no Setor 1, o mais popular das arquibancadas do Sambódromo, possa cantar dois ou três sambas com os quais a Mangueira foi campeã, além de sambas de quadra. “O esquenta da Mangueira costuma ser emocionante, e vamos fazer algo mais voltado ao público”, afirmou.

Para Marquinho, o samba foi além das expectativas no desfile oficial. “No pré-carnaval, quando um samba é muito falado, ou é o mais ouvido, fica aquela dúvida para saber se ele acontece nesse período e, quando chega o desfile, isso não se repete. A comunidade estava cantando muito o samba, e logo, quando a bateria saiu do primeiro box e teve uma paradinha [no som dos ritmistas] no Setor 3, e o público veio abaixo, a gente percebeu que na avenida ia fluir bem. O público cantou muito o samba”, lembrou o intérprete da escola campeã.

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