segunda, 28 de setembro de 2020

‘Estamos inconformados’, diz pai de bebê queimada em Niterói

Bebê, queimado, Getulinho, hospital.
Jefferson dos Santos, pai da criança, pede Justiça. Foto: Pedro Conforte

“A irmã liga toda hora chorando querendo saber dela, porque ela vê que está todo mundo sofrendo. Estou sem dormir há três dias e perdendo os plantões de trabalho. Está sendo muito difícil, estamos inconformados, mas a minha prioridade é a minha filha. Queremos justiça”.

O relato é do pai da pequena Juliana, o cuidador Jefferson dos Santos, de 26 anos. A bebê, de apenas seis meses, sofreu queimaduras durante uma internação no Hospital Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, na última terça-feira (18).

O caso está sendo investigado pela Delegacia do Fonseca (78ª DP) e, de acordo com o delegado responsável, Luiz Jorge Rodrigues, a causa das queimaduras teria sido um banho de água quente, a aproximadamente 50ºC (Celsius). A diretora da unidade e a profissional que atendeu a menina já foram ouvidas na distrital.

Juliana tem uma irmã, de 3 aninhos. Segundo o pai, desde o nascimento da bebê, a luta da família não tem sido fácil. Moradores do bairro do Gradim, em São Gonçalo, os pais se dividiam entre dias de internação e dias em casa.

Há pouco mais de um mês, Jefferson trabalha como cuidador em uma instituição pública para crianças. Ele, mais do que ninguém, busca explicações para o que aconteceu.

“A gente quer entender exatamente o que aconteceu, como deixaram isso acontecer com uma criança? Estamos inconformados, queremos Justiça, queremos que ela melhore o quanto antes”, completa o pai.

Bebê, queimado, Getulinho, hospital.
Os pais da criança continuam no hospital. Foto: Pedro Conforte

Na tarde desta sexta-feira (21), amigos e pessoas que se sensibilizaram com o caso decidiram fazer uma manifestação na porta da unidade, cobrando providências e explicações. Mas, devido à chuva forte, o ato foi transferido para segunda-feira (24), ainda sem horário definido.

De acordo com a mãe da criança, Luara Porto Duarte, de 23 anos, o estado de saúde dela é estável e a bebê já passou por avaliação de um cirurgião plástico.

“Ela continua sedada, mas por enquanto o quadro é estável. Soubemos hoje que ela talvez precise fazer uma transfusão de sangue por conta de uma anemia. Cada hora aparece uma coisa diferente, é muito dolorido. Estou sem ir em casa desde que aconteceu”, afirmou.

Ainda de acordo com a família, o prontuário médico aponta que a criança teve cerca de 37% do corpo afetado por queimaduras de segundo grau.

Caso

O caso veio à tona após uma reportagem do Plantão Enfoco. Segundo a mãe da criança, ela deixou a bebê na unidade para ir em casa, na terça-feira (18), e quando retornou, a menina já apresentava queimaduras graves na metade do corpo.

“Eu saí do hospital e deixei ela normal, ela estava bem. Quando eu voltei, ela já estava enfaixada e quando eu perguntei, os médicos me disseram que foi na hora do banho. É uma sensação horrível”, contou.

Ainda de acordo com a cuidadora, a bebê – que completou seis meses no último dia 13 – nasceu com hidrocefalia e já foi submetida nos primeiros dias de vida a uma traqueostomia por conta de uma complicação na região da garganta.

Hospital

Em nota, a direção do Getulinho lamentou profundamente o ocorrido e informou que está prestando toda a assistência necessária para a paciente e para família, além de contribuir com as investigações da polícia.

Sobre o estado de saúde da paciente, o hospital comunicou que não pode ser divulgado devido ao sigilo médico. Foi aberta uma sindicância para apurar o fato e a direção informou que tomará as medidas cabíveis.

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