sábado, 19 de setembro de 2020

Estudo revela prejuízo de 90% entre camelôs de Niterói

Setor de alimentos foi o mais afetado. Foto: Marcelo Tavares

Pesquisa inédita realizada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) entre os dias 24 e 29 de agosto, pelo projeto de extensão nas Ruas, analisou o desempenho do comércio ambulante de Niterói após o retorno das atividades que ocorreu em 27 de julho.

Ao menos 944 pessoas sobrevivem diretamente do comércio ambulante no Centro e Icaraí, segundo dados da pesquisa. Foi constatado que nove em cada dez trabalhadores ambulantes da cidade sofreram queda no faturamento em agosto (90%), primeiro mês de reabertura das atividades desde o início da pandemia da Covid-19.

Antes da crise sanitária, estimava-se faturamento de R$ 81 mil por dia no setor. No cenário pós-pandemia, o cálculo aproximado caiu para R$ 37 mil por dia. Os valores e porcentagens abordados na pesquisa são baseados na venda bruta e não representam a totalidade da categoria.

Foram entrevistados 253 comerciantes ambulantes que possuem pontos fixos no Centro e Icaraí. O questionário foi aplicado de modo estruturado, sem a modificação das perguntas. A equipe de pesquisadores seguiu protocolos sanitários, fazendo uso de máscaras e álcool em gel durante as entrevistas.

“Muitas barracas foram encontradas fechadas, talvez na hipótese de que não seja lucrativo retomar essa atividade”, disse o advogado e pesquisador da UFF, Thiago José Silva.

“Os números são baseados nas pessoas que responderam ao questionário. Não é ainda uma totalidade dos ambulantes. É um número bem menor, porque muitas barracas estão fechadas. Muita gente não retornou as atividades, principalmente em Icaraí […] Então esse número não apresenta a totalidade e o comércio ambulante em Niterói com certeza abarca muito mais que 944 pessoas que sobrevivem desse comércio”

Duda Drumond – Extensionista do Projeto UFF nas Ruas, bacharel em Segurança Pública e Social (UFF) e graduanda em Relações Internacionais (UFF).

A divulgação dos resultados foi feita na noite desta quinta-feira (10), por meio de uma transmissão ao vivo nas redes sociais do Projeto UFF nas Ruas e da Associação dos Ambulantes de Niterói (ACANIT).

“A gente fez duas segmentações para conseguir compreender a queda, que em média, foi de 54% geral. Não há muita distinção entre os [ambulantes] que não têm licença e os que têm. Todos oscilaram em volta dos 54%. O mesmo se dá em relação a cor da pele e do bairro, sendo que no bairro houve queda um pouco mais brusca em Icaraí”, acrescentou Thiago José Silva.

Com relação ao sexo, as mulheres comerciantes sofreram 61% de queda no faturamento, já metade dos ambulantes homens sofreram 50% de queda nas vendas. Na divisão feita por grau de escolaridade, apesar de equilibrado, ambulantes com até o ensino médio completo foram os mais prejudicados com 57% de queda, diferente daqueles que possuem ensino superior que alegam ter sofrido 54% de prejuízo os trabalhadores apenas com ensino fundamental sofreram 50%.

Já aqueles trabalhadores com até dois anos de tempo de rua foram os que mais sofreram com a crise: 63% da queda do faturamento foi dessa categoria.

Fonte: UFF nas Ruas

Veja as porcentagens de queda nas segmentações de ramos das atividades econômicas: Alimentícios (-60,58%); Lanches (-57,91%); Vestuário (-56,55%); Miudezas/Utilidades (-55,76%); Acessórios de celular (-49,37%); Relojoeiros (-28,85%).

“A gente percebe que o ramo mais poupado por essa paralisação foi o ramo dos relógios, que também faz manutenção. Há um certo entendimento que havia uma demanda represada”, opinou o pesquisador Thiago José Silva – um dos colaboradores e apresentadores do resultado.

Sobre os ramos de alimentos e lanches – que registraram maiores quedas entre as segmentações, o estudioso explicou que o fator pode ter sido a maior precaução das pessoas em relação a contaminação do coronavírus.

“Essa pesquisa é de fundamental importância para a categoria. Ajuda a associação a trazer embasamento, com peso da universidade; de dar voz e mostrar realmente esses ‘invisíveis’ que muitas vezes a prefeitura diz que não existe”, disse Fernando Carvalho, presidente da Associação dos Ambulantes (ACANIT).

O UFF Nas Ruas é um projeto de extensão organizado a partir do Departamento de Segurança Pública (DSP) do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC). A prestação de assessoria em administração dos conflitos urbanos é o principal objetivo.

Atualmente o projeto se organiza a partir dos seguintes Grupos de Trabalho (GT): Povos de Terreiro, População LGBTI, Trabalhadores Ambulantes, Privação de Liberdade e Comunicação e Informação.

A equipe do projeto tem caráter interdisciplinar e é formada por professores, estudantes de pós-graduação e extensionistas graduandos de diversos cursos da Universidade Federal Fluminense (UFF), e realiza ações interdisciplinares, interdepartamentais e interinstitucionais de vivência social, política e profissional com os integrantes discentes do projeto.

A partir de metodologias e abordagens participativas, a equipe UFF nas Ruas estabelece objetivos junto com a comunidade, auxiliando nas ações de administração de conflitos no espaço urbano a partir de ações com alta relevância em inovação, e dessa forma estreita os laços de diálogo da UFF com a sociedade.

Horário ampliado

Atendendo uma das reivindicações da categoria, os horários de funcionamento do comércio de rua e ambulantes regularizados serão ampliados a partir da próxima segunda-feira (14), segundo revelou o prefeito Rodrigo Neves (PDT).

“Um dos pontos no que tange aos licenciados é que há [havia] uma restrição no horário, o que faz com que a freguesia que habitualmente frequentava [as barracas] antes de entrar para o trabalho, não tenha mais esse público privilegiado”, explicou Thiago sobre parte das causas do impacto econômico. A fala foi compartilhada enquanto o prefeito Rodrigo Neves realizava o anúncio da mudança.

O Gabinete de Crise definiu nesta quinta (10) que a partir da semana que vem os estabelecimentos que ficam na Região Central podem ficar abertos das 9h às 19h, enquanto os espaços que ficam no conjunto dos outros bairros estão autorizados a funcionar das 9h às 20h.

Dessa forma há um entendimento de futura melhora no fluxo da clientela, principalmente em Icaraí, na Zona Sul, que segundo a categoria é uma região onde os compradores são ativos, em grande maioria, nas primeiras horas do dia. Antes da decisão da prefeitura, os comércios de rua só podiam abrir no horário de almoço: às 12h.

“Aferimos que em Icaraí o comércio abrindo de 12h às 20h, como o fluxo de vendas é de manhã, tem traumatizado e ido de frente ao sustento dessas pessoas [ambulantes]”, concluiu Fernando Carvalho, da ACANIT.

Mesmo com a volta das atividades, o governo municipal estendeu até dezembro o auxílio do cartão do Busca Ativa para os ambulantes, no valor de R$ 500 mensais.

Nas barracas padronizadas, as regras que devem ser seguidas pelos ambulantes são o distanciamento de, no mínimo, 2 metros entre as pessoas em lugares fechados e de 1,5m ao ar livre; uso do álcool em gel para higienização pessoal e dos produtos, e uso de máscaras.

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