segunda, 17 de maio de 2021

Fantasmas: Por que acidentes com ciclistas não são contabilizados?

Falta de números e estatísticas afeta diretamente no investimento das políticas públicas. Foto: Ramon Ribeiro

A bicicleta passou a fazer parte da vida de muita gente. Do passeio ao trabalho, a ‘magrela’ foi adotada pelos cariocas e se tornou fundamental para enfrentar o já sempre caótico trânsito da cidade, além de garantir o distanciamento social em tempos de pandemia.

No entanto, vem crescendo o número de acidentes e de vítimas com o meio de transporte e que não são contabilizados por órgãos públicos. Não há um quantitativo de ciclistas mortos ou envolvidos em acidentes de trânsito no estado do Rio, por exemplo. O assunto virou debate entre entidades representativas e que fomentam o ciclismo no estado.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, uma morte acontece a cada 15 minutos nas estradas do país. A Organização Mundial de Saúde mostra ainda que o trânsito é a causa número um de morte de crianças e adultos entre cinco e 29 anos .

O Levantamento Dossiê Trânsito 2019, do Instituto de Segurança Pública (ISP) em parceria com o Detran-RJ, que reúne informações sobre dados colhidos nas estradas do estado do Rio, aponta que, somente no ano de 2018, 1.957 pessoas morreram e 27.520 se lesionaram no trânsito, no estado do Rio de Janeiro.

Os ciclistas, porém, não aparecem nas estatísticas. A resposta pode estar nos registros que são feitos no momento do acidente. Entre os órgãos públicos, a justificativa é que não há o filtro ‘ciclistas’ para separar as informações das demais.

Para Raphael Pazos, fundador da Comissão de Segurança dos Ciclistas do Rio, a falta de informação referente a dados sobre os acidentes envolvendo pessoas com bicicletas influencia diretamente nas políticas de segurança para proteger os praticantes da modalidade.

“É importante ter essas informações, esses dados estatísticos compilados, para que a gente consiga desenvolver junto ao poder público políticas públicas que garantam a segurança e integridade física das pessoas que pedalam, seja para lazer, esporte ou trabalho”

Carla Castanheira Alves fraturou os dois braços em um acidente em novembro do ano passado no Rio. Foto: Arquivo Pessoal

A arquiteta Carla Castanheira Alves, de 43 anos, mora em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, e se diz apaixonada por bicicleta. Ela sofreu um acidente em novembro do ano passado, fraturando os dois braços, o que mudou sua rotina de vida. Na ocasião, o motorista evolvido no acidente não prestou socorro.

“Eu poderia não estar mais aqui hoje para contar a minha história, mas agradeço muito a Deus”

Subnotificação

O engenheiro e especialista em trânsito e transportes, Rodolfo Rizoto, confirma a dificuldade em obter os números referentes aos acidentes dos ciclistas e diz que os dados não são computados por haver uma subnotificação no momento dos registros.

“É uma dificuldade enorme de se obter informação sobre acidentes ocorridos com ciclistas. A carência desses dados é um problema que ocorre dentro do sistema de trânsito no Brasil de uma maneira geral. Nós temos uma subnotificação do número de vítimas. Para cada morto, são 15 feridos. Não é possível que os acidentes aqui causem menos feridos que em outros países. É um problema que temos”, comenta o especialista.

Um verdadeiro jogo de empurra entre órgãos ligados à Secretaria Estadual de Segurança Público do Estado Rio de Janeiro acontece quando questionados sobre a necessidade de aplicar o registro especifico para acidentes envolvendo ciclistas.

Detran e ISP são categóricos ao informar apenas que não dispõem de dados, assim como a Polícia Militar informa não ter a opção de registro específico para a categoria, e finalmente a Secretaria ainda não esclareceu os motivos para ainda não ter instaurado a opção, apesar das reinvindicações dos ciclistas.

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