sábado, 19 de setembro de 2020

Fazenda Colubandê se tornará unidade militar a partir de março

Marco da arquitetura colonial brasileira, a Fazenda Colubandê será unidade da PM. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A centenária Fazenda Colubandê, patrimônio histórico de São Gonçalo, voltará a abrigar uma unidade do Comando de Polícia Ambiental (CPAm) a partir de março, de acordo com a Polícia Militar. O retorno dos militares resgata nos moradores a esperança de que o casarão e a Capela de Sant’Anna, os dois marcos arquitetônicos da época colonial que compõem a Fazenda, sejam restaurados.

O casarão foi sede do comando de 1988 até 2012, quando o batalhão foi transferido para o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Desde então, o local estava desocupado. Desta vez, no entanto, o comando permanecerá no Rio.

A Fazenda Colubandê abrigará a 6ª Unidade de Polícia Ambiental (UPAm), que funciona no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), área de preservação ambiental entre Maricá e Niterói. A corporação ainda não esclareceu se manterá algum posto de policiamento ambiental na área.

Os militares do CPAm vão iniciar a mudança a partir da próxima semana. Inicialmente, a unidade será instalada no imóvel anexo da Fazenda, que não é patrimônio histórico, onde funciona um posto destacado do Batalhão de São Gonçalo (7° BPM). Após obras de revitalização, os militares vão ocupar o casarão histórico.

O governador Wilson Witzel (PSC) anunciou o retorno da Polícia Militar ao espaço durante agenda em São Gonçalo, em janeiro. O investimento foi articulado pelo deputado estadual Capitão Nelson (Avante), que acompanhou a inspeção do CPAm na Fazenda na última semana.

“A intenção é ocupar a Fazenda, que é um patrimônio histórico não só do município como do Estado”, afirmou o parlamentar.

Patrimônio saqueado

Retábulo da Capela Santana, de 1740, foi roubado por criminosos. Foto: Tânia Rêgo / EBC
Retábulo da Capela Santana, de 1740, foi roubado por criminosos. Foto: Tânia Rêgo / EBC

Após a saída dos militares, a Fazenda ficou desocupada. Criminosos chegaram a roubar o altar da Capela de Sant’Anna em 2017. As vidraças das janelas e a porta principal do casarão, que comporta 38 quartos, também desapareceram. Após o saqueamento, por ordem judicial em ação do Ministério Público Federal (MPF), o 7º BPM se instalou no anexo.

A proposta de revitalização do governo estadual foi aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ainda em 2019. ‘O instituto vai fiscalizar as obras para garantir que as intervenções estejam dentro do escopo aprovado’, garantiu o Iphan, em nota.

As obras serão feitas pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), contemplando o casarão e a capela. Apenas as intervenções na varanda do casarão foram vetadas.

A autarquia informou que está finalizando o projeto da obra de restauração e, além da aprovação do Iphan, já obteve laudo probatório do Corpo de Bombeiros. ‘No momento [o projeto] encontra-se em análise pela prefeitura de São Gonçalo, e após a finalização do projeto, será detalhado o orçamento da obra’, informou a Emop em nota.

A Fazenda, construída há cinco séculos, foi uma das principais produtoras de cana-de-açúcar no país no século 19. O imóvel abrigou uma casa grande com senzala no subsolo. O espaço foi tombado pelo Iphan na década de 40, e desapropriado pelo governo estadual em seguida.

Potencial turístico

Coletivo defende revitalização do espaço, mas aposta em uso do espaço para turismo, lazer e cultura. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O coletivo ‘Quem Ama Cuida’, formado por cerca de 90 moradores e artistas para defender a preservação da Fazenda Colubandê após a saída dos militares em 2012, defende um projeto cultural para a área.

Uma das representantes do coletivo, a historiadora e gestora cultural Cleise Campos explicou que o projeto prevê uma feira de gastronomia e cultura, transformando a Fazenda em um ‘Campo de São Bento’ de São Gonçalo.

A proposta chegou a receber sinalização positiva de outras gestões estaduais, mas o grupo ainda busca uma reunião para iniciar o diálogo com o governador.

“Nossa surpresa com esse anúncio do Witzel foi que a comunidade não foi consultada. Buscamos essa interlocução sobre o destino Fazenda para que seja preservada a possibilidade da feira, especialmente porque São Gonçalo quase não tem equipamentos culturais”, afirmou a historiadora.

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11 thoughts on “Fazenda Colubandê se tornará unidade militar a partir de março

  1. Que comunidade o quê? Foram la pra roubar, saquear… Agora a PM toma conta. Msis um pouco e ia acabar no chão igual a fazenda do Engenho Novo.

  2. Triste realidade de um Patrimônio Histórico, entregue a própria sorte, para mim ainda mais triste, pois foi onde viveram meus antepassados, Bisavó José Agapito de Almeida (Cel. Filhote), minha avó Carlota de Almeida Pires ( vó Milita) e meu pai Lery Pires.

  3. Até que enfim, e muito como morador, nascido aqui vê esse patrimônio histórico se acabando, virando alojamento de vagabundos, vamos valorizar pelo menos a história gente, se quiserem eu envio fotos da capela quando ainda existia, aquilo ali era do barão de são Gonçalo, uma fazenda que começava ali e terminava e Maricá, muita gente não sabe disso.

  4. Retificando comentário quis dizer é muito triste vê um patrimônio histórico se acabar dessa forma. Sou gonçalense sim com muito orgulho, apesar de nossa cidade se encontra nesse caos.

  5. Poucos sabem .da verdadeira história da fazenda que um dos poucos exemplares do estilo colonial rural.e do sítio arqueológico próximo. Eque a princesa Izabel por lá já pousou.

  6. É SÓ LEMBRAR QUEM ERA O GOVERNADOR EM 2012, PRA VER A BURRDA QUE FIZERAM…

  7. Já li um livro, não lembro qual, que conta a historia dessa fazenda.
    Em um breve resumo seria, um cristão , ex judeu , ou seja um cristão marrão era casado com uma católica de sobrenome Valle.
    Ficou rico, pois essa fazenda era um engenho de açúcar.
    Os padres católicos com o objetivo de se apoderar da fazenda o acusaram no Santo Ofício de retornar a religião judaica, confiscando a fazenda e o enviando para Lisboa para ser julgado e queimado na fogueira da Inquisição , porém surgiu um problema, a viúva que era católica reivindicou a fazenda e o caso foi para a justiça.
    Desde aquela época, a justiça já era amestra que temos hoje no Brasil e a posse da fazenda nunca foi entregue a real propietário, o processo nunca terminou.

  8. Vagamente me lembrei do livro, não sei,ao certo se foi “Judeus e Marranos” ou os Judeus Marranos Fluminenses”.
    São livros bons de história para se ler, a história do que foi Jacarepaguá é interessante, tem também sobre as fazendas na baixada fluminense.

  9. Fico triste de ver, um patrimônio histórico tão importante, como a fazenda Colubandê, Tombado, ter sido abandonado, saqueado, praticamente destruido. Graças a Deus, vai ser novamente cuidado. Seja Batalhão da PM, ou Espaço Cultural, não importa.
    O fundamental, é que esteja habitado,
    Para evitar saqueamentos e depredações.

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