domingo, 25 de outubro de 2020

Isolamento é quebrado no Rio e Niterói para soltura da pipa mortal

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Fazer uso da linha chilena ou de linha com qualquer substância cortante usada para soltar cafifas é crime. Foto: Divulgação

Apesar do período atual não ser de férias, em Niterói tem muito adolescente aproveitando o isolamento social, impostos pelos governos municipal e estadual, para ir às ruas soltar pipa e ainda fazendo uso de cerol.

Segundo denúncias, entre os bairros do Fonseca e Cubango, na zona norte da cidade, traficantes de comunidades chegaram a estender uma faixa proibindo o uso da linha chilena em área de mata da Rua Lopes Cunha, via de acesso à Avenida 22 de Novembro.

Placa proibindo uso de linha chilena na Rua Lopes Cunha. Foto: via Grupo Plantão Enfoco

“Devido ao perigo que a linha chilena está trazendo para população está proibido o uso dela em nossa comunidade. Ass: Força maior”, diz o comunicado.

Comunidades vizinhas, conhecidas como ‘Serrão’ e ‘Rala Côco’, também no Cubango, têm sido locais escolhidos pelos soltadores de pipa, que acabam se aglomerando para a diversão ao ar livre. “Uma galera… adultos levando filhos…”, revela o morador, que prefere não se identificar.

Fazer uso da linha chilena ou de linha com qualquer substância cortante usada para soltar pipas é proibido no Estado do Rio, conforme artigo 1º da Lei 7.784 de 13 de novembro de 2017. A Lei 8.478/2019, que trata da mesma questão, inclusive já foi regulamentada.

A infração está sujeita à multa de R$ 342,11 para quem for flagrado comprando, portando ou usando esses tipos de materiais.

Pela lei, se o infrator for menor, ele e seu representante legal serão notificados para efetuarem a quitação em âmbito administrativo. A linha do tipo chilena contém mistura de madeira, óxido de alumínio, silício e quartzo moído.

Vítima em Niterói

No último dia 3, um motoboy com atuação em Niterói chegou a sofrer um corte no nariz, segundo ele, causado por uma linha com cerol, quando passava pela entrada do Túnel Charitas-Cafubá, na interligação entre a Zona Sul com a Região Oceânica.

“As crianças estão na rua soltando pipa na entrada do túnel. A linha com cerol entrou pela viseira do capacete e cortou o meu nariz. Sorte minha que eu estava com um casaco protegendo o meu pescoço”, relatou a vítima.

Ainda na ocasião, ele informa que contou com o auxílio de policiais militares do programa Niterói Presente, que fizeram contato com o Corpo de Bombeiros. A viatura passava no momento do incidente e prestou assistência inicial.

Pipa Legal

Ainda não há estudo recente sobre apreensões de materiais cortantes no âmbito da Região Metropolitana. No entanto, de acordo com a Polícia Militar, no mês de janeiro, agentes do Comando de Polícia Ambiental (CPAm) fizeram a operação “Pipa Legal” no Estado para fiscalizar pontos onde ocorreriam comércio da substância cortante usada em pipas.

A ação contou com todas as Unidades de Polícia Ambiental atuando em diferentes locais do Estado do Rio.

Segundo a CPAm, as equipes estiveram em 28 estabelecimentos, sendo apreendidos 2.650 carretéis de “linha chilena”, 1.040 frascos de cerol, 20 quilos de vidro moído, 10 quilos de cola e um carretel de linha com cerol, também foram conduzidas seis pessoas para delegacias.

O êxito da operação, explica a PM, foi possível devido à participação da população fluminense através de informações repassadas ao Disque Denúncia, que podem ser feitas através dos telefones (21) 2334-7632 do CPAm e a 0300 253 1177 da Linha Verde do Disque Denúncia.

Animais também sofrem

As aves também sofrem as consequências da irresponsabilidade humana. Entre janeiro e maio deste ano, foram resgatadas 37 fragatas (Fregata Magnificiens) com lesões. Um dos locais com maior índice de ocorrências é Itaipuaçu, em Maricá, revela o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

Segundo o estudo divulgado pelo órgão, que é ligado ao Ibama, os casos se tornaram mais frequentes a partir do fim de março, ‘possivelmente por conta do isolamento decorrente da pandemia da Covid-19’.

Tanto Itaipuaçu, em Maricá; como a Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, reúnem grande parte dos casos. De acordo com levantamento das equipes durante o resgate das aves, há constantemente campeonatos de pipa em diferentes comunidades.

De acordo com órgão, moradores das localidades informam que muitos dos participantes derrubam as aves propositalmente, por conta do campeonato.

Desde o início deste mês de maio, 11 aves já foram resgatadas no Estado do Rio com lacerações extensas nas asas, provocadas por linhas de pipa.

‘A maior parte das aves apresentava exposição óssea, com ruptura de ligamentos essenciais para o voo. Estes tipos de lesões são, muitas vezes, irreversíveis e impedem a liberação dos animais de volta à natureza’,

PMP-BS.

Especialistas explicam que Fragatas são aves que permanecem em constante movimento, sobrevoando praias e áreas costeiras em busca de alimento. Geralmente apresentam asas com cerca de 2 metros de envergadura e pesam em média 1,5 kg, sendo a espécie com maior superfície de asa por unidade de peso.

Desta forma, lesões extensas em asas comprometem a viabilidade do animal na natureza e, muitas vezes, animais gravemente feridos precisam ser eutanasiados.

Algumas aves com lesões menos severas são submetidos à cirurgia. A taxa de sucesso da mesma é pequena, principalmente devido à complexidade das estruturas anatômicas da asa.

Em média, após o procedimento cirúrgico, os animais passam de um a dois meses em reabilitação, sendo submetidos a intensa fisioterapia, destacam especialistas do Projeto de Monitoramento de Praias – Bacia de Santos, que é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Ainda assim, a grande maioria não consegue recuperar sua capacidade de voo. Nestes casos, sua destinação à vida em cativeiro acaba sendo necessária.

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