quarta, 27 de janeiro de 2021

‘Lagoa de chorume’ causa polêmica em São Gonçalo

‘Lagoa’ transforma o chorume em água limpa. Foto: Redes Sociais

Imagens de uma ‘lagoa de chorume’ localizada dentro de um aterro sanitário, no bairro do Anaia Grande, em São Gonçalo, viralizaram nas redes sociais após apontarem o ‘temor’ de uma possível tragédia. Todavia, segundo a companhia Orizon Valorização de Resíduos, que administra a Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Alcântara, não há nenhuma ocorrência ou risco de vazamento de quaisquer materiais, nem tampouco de rompimento de estrutura.

O assunto veio à tona, nesta segunda-feira (29), após publicações circularem em grupos de mensagens instantâneas e páginas de redes sociais. De acordo com as postagens, uma ‘barragem’ estaria prestes a se romper e poderia causar uma tragédia na região. Os compartilhamentos informavam ainda que os moradores da região estariam temerosos e pediam que o caso fosse divulgado para evitar um novo episódio como o de Brumadinho (MG).

Entretanto, segundo o vice-presidente da associação de moradores do bairro (Obra Social Falange do Céu), Oséias Fagundes, quem mora próximo ao aterro nunca relatou nenhuma reclamação ou denúncia como essa aos representantes. Após a polêmica, inclusive, ele informou que uma reunião foi agendada no local, nesta quarta-feira (30), para novos esclarecimentos.

“As pessoas que publicaram as fotos não mandaram todos os ângulos. Até hoje [29] os moradores que moram próximo ao local nunca foram lá reclamar. Essa divulgação acaba se tornando uma coisa muito chata, porque envolve uma série de pessoas”.

Oséias Fagundes, líder comunitário

Em nota, a companhia Orizon informou que a Estação de Tratamento de Chorume (ETC) — nome original da ‘lagoa de chorume’ — opera em perfeitas condições e é considerada pioneira na implantação de tecnologia de Osmose Reversa, que transforma o chorume em água limpa.

“A lagoa de chorume (que em nada se assemelha a uma barragem de rejeitos de mineração) é uma obra de engenharia e monitorada constantemente. O local acumula o chorume antes deste ser levado à Estação de Tratamento de Efluentes. Portanto, não se trata de um depósito e, sim, de parte do processo de tratamento do resíduo”, explica a nota.

Projeto

Segundo a companhia, a célula do CTR São Gonçalo conta ainda com um sistema de drenagem de chorume (líquido derivado da decomposição do lixo), gás e águas pluviais, o que garante total segurança do processo e impede a contaminação do solo e do lençol freático.

“A companhia entende sua responsabilidade em apoiar a transformação completa do resíduo e seu descarte de forma correta sem gerar passivo ambiental. Por isso, investiu na implantação de uma Estação de Tratamento de Efluentes que usa um método físico para tratar o chorume – algo ainda muito pouco feito nos aterros sanitários de todo o país”, informa.

Por meio de osmose reversa, o sistema utiliza nanofiltração com alta pressão para filtrar o chorume por micromembranas, que só deixam passar as moléculas de água. O chorume se transforma, então, em água pura e destilada.

Segundo a Orizon, a CTR dá destinação adequada lixo gerado por mais de 2 milhões de pessoas que vivem na região. A estimativa é que esta iniciativa economize cerca de 40 mil litros de água diariamente no próprio CTR. Em operação desde 2012, o espaço segue rigorosos protocolos de preservação do meio ambiente e todas as determinações dos órgãos ambientais competentes.

Fiscalização

Procurada, a Prefeitura de São Gonçalo informou que a Subsecretaria de Limpeza Urbana enviou uma equipe ao local para avaliar a situação e encaminhou ofício ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão estadual responsável por esta fiscalização, para resolver o problema.

Questionado, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que a última vistoria realizada na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Alcântara foi em outubro de 2019.

“Na ocasião, a equipe técnica constatou que o empreendimento operava em acordo com a legislação ambiental. O mesmo possui Estação de Tratamento de Chorume com capacidade para tratar 120 mil litros de chorume por dia. Na época, os técnicos constataram que as lagoas com armazenamento de chorume recebiam o devido tratamento. A empresa Haztec, que opera a CTR, solicitou ao Inea a Autorização Ambiental (AA) para efetuar melhorias na referida Estação de Tratamento de Chorume, aumentando a capacidade de tratamento. A mesma foi concedida em 16 de dezembro de 2020. A equipe técnica fará uma nova vistoria no referido local”, diz a nota.

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