quarta, 25 de novembro de 2020

Lojistas de Niterói e o apoio da população na recuperação

A pandemia imposta pelo novo coronavírus obrigou muitos lojistas e comerciantes a baixarem as portas. Os números cruéis dão a dimensão do que representa na economia. Dados do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (Ifec-RJ) mostram que mais de 20 mil empresas, em todo o estado do Rio, encerraram atividades até o final de junho. 

Comerciantes contam com apoio da população para minimizar os prejuízos da pandemia. Foto: Renato Mello

O economista do instituto, Rafael Zanderer, explica que o impacto sofrido pelas pequenas empresas se deu por vários motivos, desde a falta de dinheiro em caixa até recursos limitados com os bancos.

“As empresas tiveram que enfrentar um deserto bastante árido em março e abril, que foram os meses mais críticos da crise. Todas tiveram que atravessar esse deserto, algumas conseguiram, outras morreram ao longo do caminho. Grandes companhias conseguiram fazer essa travessia porque têm estrutura para isso, seja por ter valor em caixa ou por conseguir recursos emprestados com bancos”

Somente no mês de agosto foi quando a maré começou a mudar, segundo a Fecomércio, com crescimento de 8,7% nas vendas em todo o estado, percentual superior ao de fevereiro, último mês antes da crise.

No entanto, de acordo com pesquisa feita pelo Sindicato dos Lojistas de Niterói (Sindilojas), cerca de 15% dos estabelecimentos comerciais e de serviços no município fecharam de vez durante a pandemia. A entidade conta que o movimento chegou a ser de 60% a 70% menor, tornando difícil prosseguir no mercado.

Volta por cima

Para fazer as cifras subirem novamente, comerciantes da cidade contam com apoio da população para minimizar os prejuízos da pandemia nos cofres. A ideia é que os moradores possam comprar dos micro e pequenos empresários da cidade e ajudá-los a retomar seus negócios, desenvolvendo a economia local.

É o que conta a comerciante Solange Pecly, de 54 anos, dona de uma loja de roupas há dois anos na Alameda São Boaventura, no Fonseca. Para ela, o incentivo da população é fundamental e além de ajudar o recomeço dos comerciantes, evita aglomerações em grandes centros.

“É necessário mostrar a ele [cliente] que ali, bem próximo, vai encontrar o produto e serviço que deseja sem precisar se deslocar para outro local. É importante algumas estratégias de fidelização que devem ser usadas como, preço, qualidade e principalmente um bom atendimento”

Moradora do Fonseca, Regina Dejean, 55, abraçou a ideia de comprar dos lojistas locais. Segundo ela, é importante investir no comércio regional para ajudá-los a passar pela crise.

“Promovo diversas lojas por onde passo para que possam se reerguer novamente. Também indico e gosto de incentivá-los. É importante não só para o comerciante, mas também para o comprador, que pode encontrar tudo o que precisa perto de casa”, contou.

Gerente de uma loja de bicicleta há 18 anos também na Alameda, Ruan Lourenço, de 27, explica que o estabelecimento investiu pesado na expansão, no final de 2019, com o objetivo de atrair mais clientes.

“Resolvemos aumentar a loja para o outro lado já que as coisas estavam crescendo e expandimos justamente com esse objetivo de atrair mais pessoas da região e de outros lugares. Tivemos uma queda brusca com a pandemia, que acabou atrapalhando nossos planos, mas estamos conseguimos voltar. A procura está tão alta que precisamos agendar os atendimentos grandes aqui na loja”, orgulha-se o gerente.

Donos investiram na ampliação da loja para atrair mais clientes. Foto: Renato Mello

Incentivo

Segundo a Prefeitura de Niterói, atualmente há 11.424 microempreendedores individuais (MEIs) com inscrição ativa e alvará no município. A administração explica que desde o início da pandemia, a Secretaria Municipal de Fazenda desenvolveu diversas ações para a manutenção da atividade econômica e preservação dos postos de trabalho na cidade. 

A prefeitura acrescenta que foram desenvolvidos dois programas de oferta de crédito para capital de giro às micro e pequenas empresas da cidade.

Outra iniciativa para ajudar os lojistas foi o benefício de R$ 500 dado a dez mil microempreendedores com alvará regularizado, até o mês de dezembro. O Executivo afirma que espera ainda lançar um plano para retomada da atividade econômica na cidade com a inauguração, em novembro, do Novo Mercado Municipal, que contará com 180 lojas. A intenção é trazer para o local pequenos produtores de Niterói e do interior do estado do Rio, que hoje só têm a Cadeg, no Rio, como opção para levar seus produtos.

Já o Sindilojas Niterói informa que se desdobrou em várias frentes em defesa dos empreendedores estabelecidos no município, convocando os comerciantes para que buscassem renegociar seus aluguéis e taxas condominiais, já que a situação enfrentada é extraordinária, buscando soluções e alternativas justas e compatíveis com a anormalidade do momento.

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