domingo, 20 de setembro de 2020

Milhares de rodoviários podem ser demitidos até fim do ano

Corte atingiu 332 trabalhadores nesta segunda-feira. Foto: Arquivo

O saldo total de demissões em Niterói atingiu 332 rodoviários, nesta segunda-feira (31), de acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac). A tendência, segundo representantes das companhias do Leste Fluminense em audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT) há duas semanas, é que o corte de pessoal atinja entre 30% a 40% do quadro funcional até o final do ano, o que representa algo em torno de 5,4 mil a 7,2 mil rodoviários.

O corte desta segunda-feira foi feito nas empresas de ônibus Ingá, Brasília e Expresso Barreto, todas com sede na cidade. As empresas querem pagar em 20 vezes as verbas rescisórias, mas, no caso da Brasília e da Barreto, o Sintronac, através de negociações, conseguiu reduzir para 15 parcelas. No entanto, o caso foi encaminhado pelo sindicato dos trabalhadores para mediação do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Soluções de Disputas da Capital (Cejusc-CAP) do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ).

O Sintronac espera que, através do órgão do TRT, chegue-se a uma redução significativa das parcelas a serem pagas aos demitidos. Além disso, incidirá sobre as empresas uma multa prevista na Medida Provisória 936 do Governo Federal, que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e criou o Benefício Emergencial (BEm).

As companhias que aderiram ao programa estão submetidas a um compromisso de manter a estabilidade no emprego dos trabalhadores, caso contrário terão que pagar a eles até 70% do valor do Seguro-Desemprego, percentual calculado de acordo com o valor da redução do salário de cada profissional.

“É lamentável que, depois de tantos avisos, de tantos apelos, vemos a categoria entrar em um processo de demissões em massa. Mas isso não atinge somente os rodoviários, pois cada empresa que fecha ou retira linhas de circulação, prejudica também outras categorias profissionais, que dependem do transporte público de passageiros. Cabe ao sindicato assegurar que os demitidos sejam indenizados na forma da lei e negociar para que as demissões estanquem. A participação do poder concedente do transporte público, ou seja, Estado e municípios, nesse processo de negociação é fundamental, mas até agora todos se fazem de surdo”, afirma Rubens dos Santos Oliveira, presidente do Sintronac.

Sindicato patronal

O Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) comentou que a situação financeira do setor de transporte ‘é extremamente difícil em todo o país’ e se solidarizou com os profissionais com os profissionais que foram dispensados.

Por meio de nota, explicou que com o isolamento social, a soma do prejuízo das empresas de ônibus que compõem a região do Setrerj, até maio, foi de aproximadamente R$ 22 milhões, somente no sistema municipal, que, no período, teve uma redução de demanda de 70%.

“No sistema intermunicipal foi ainda pior, já que as linhas para a capital ficaram suspensas por quase quatro meses. Segundo a Fetranspor, o setor de ônibus no estado do Rio perdeu R$ 1,7 bilhão em receita – o que representa um prejuízo de R$ 713 milhões, levando em consideração o período de março a junho deste ano, comparado com 2019. Até o fim do ano, a previsão é que a perda vá a R$ 1,6 bilhão. Mesmo com o final do isolamento social, a situação está longe de se normalizar”, afirma o órgão.

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