Niterói liberou mosquitos Aedes Aegypt com a bactéria Wolbachia. Foto: Colaboração/Ezequiel Manhães

Niterói deu mais um passo no combate à dengue, zika e chikungunya, com a liberação de mosquitos Aedes Aegypt com a bactéria Wolbachia, na Clínica Comunitária da Família Dr. Antônio Peçanha, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, na manhã desta segunda-feira (2).

Nesta etapa de lançamento do método, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o apoio do Ministério da Saúde, também serão contemplados os bairros da Engenhoca, Cubango, Santana e São Lourenço.

Segundo o pesquisador da Fiocruz e líder do World Mosquito Program no Brasil (WMP), Luciano Moreira, desde 2015 – período onde foram realizadas as primeiras ações do projeto na cidade – os insetos infectados com a bactéria reduziram em 75% os casos de chikungunya em 33 bairros.

Moreira explica que a Wolbachia é um microrganismo presente em cerca de 60% dos insetos na natureza, mas ausente no Aedes aegypti.

“Uma vez inserida artificialmente em ovos, a capacidade do Aedes transmitir o vírus da zika, chikungunya e febre amarela fica reduzida. Com a liberação de mosquitos como método Wolbachia do WMP a tendência é que esses mosquitos se tornem predominantes e diminuam o número de casos associado a essas doenças”, disse.

Até o momento, o método Wolbachia já foi aplicado em 28 bairros do Rio de Janeiro e 33 de Niterói, beneficiando 1,3 milhão de pessoas. Também faz parte do projeto a realização de ações prévias de engajamento e comunicação junto às comunidades locais e profissionais de saúde sobre a segurança do método e seu impacto no ecossistema.

Niterói apresentou uma redução de 90% dos casos de dengue, zika e chikungunya em relação ao ano de 2018, informou o prefeito Rodrigo Neves, durante a reunião desta manhã.

“Hoje o município investe R$ 650 milhões na área da Saúde. Esses índices são os melhores dos últimos quase 20 anos. Com isso, entendemos que não teremos epidemia de dengue e vamos manter esse controle”, completou Neves.

De acordo com a Fundação Municipal de Saúde (FMS) da cidade, que realiza um trabalho de prevenção contra as arboviroses, nos quatro Levantamentos Rápidos de Índices de Infestação pelo Aedes Aegypti, Niterói obteve índice inferior a 1%, sendo o melhor resultado alcançado desde 2003.

“A população não quer saber se o mosquito é municipal, Estadual, federal ou internacional: ela não quer a dengue. Já tínhamos feito uma leitura anterior este ano e havia necessidade de darmos o primeiro passo, que foi lançado no primeiro semestre. Decidimos, então, ampliar para cinco biomas, climas e culturas diferentes para ver como ele vai se comportar”, explica o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

A secretária municipal de Saúde de Niterói, Maria Célia Vasconcellos lembrou que a cidade tem uma luta histórica contra as doenças.

“Temos uma enorme preocupação em enfrentar o aedes aegypt. Começamos esse combate em 1986 e aprendemos muito com as várias experiências internacionais. Tivemos vários apoios e criação de dengômetros nas policlínicas até receber esse método da Fiocruz. Estamos muito entusiasmados e não queremos que esse mosquito crie problemas maiores”, ressaltou Maria.

Em Niterói, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realiza uma cobertura de trabalho que abrange 205 mil imóveis, com planejamento de visita pelos agentes a cada dois meses. Além do trabalho diário, o CCZ promove mutirões aos finais de semana, intensificando as ações de combate.

São 302 servidores do CCZ envolvidos exclusivamente nas atividades de combate ao mosquito transmissor das arboviroses. O município possui uma equipe de fiscais sanitários exclusivamente para vistoriar todo o tipo de imóvel abandonado que propicie à proliferação dos vetores.

Também participaram da ação desta segunda, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira; a presidente da Fiocruz, Nisia Trindade; deputado Estadual Bagueira (Solidariedade); deputado Federal Chico D’ ngelo (PDT-RJ) e o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão (Seplag), Axel Grael.

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