sábado, 24 de outubro de 2020

Natureza agradece isolamento social no Rio e Niterói

Copacabana, na Zona Sul do Rio, houve redução de 75% do poluente Monóxido de Carbono (CO) após ser dado início ao período de isolamento social. Foto: Divulgação

Na Região Metropolitana do Rio, os efeitos do isolamento social em decorrência do novo coronavírus (Covid-19) já podem ser notados na natureza — como, por exemplo, a melhora na qualidade do ar, em até 91%, na área de abrangência do Distrito Industrial de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, entre 31 de março e 7 de abril, segundo revela o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

A pesquisa mais recente divulgada pelo órgão ligado à Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade revela redução na concentração de Dióxido de Nitrogênio (NO2) e de Monóxido de Carbono (CO) na atmosfera, na conjuntura da pandemia, quando comparado ao período anterior do isolamento social.

Em Bangu e Irajá, no Rio, houve redução de 31% e 24%, respectivamente, nas concentrações do poluente. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a concentração de NO2 apresentou diminuição de 36%, enquanto em Itaguaí foi de 16%. Segundo o Inea, o poluente [NO2] é emitido principalmente pela queima de combustível em veículos e atividades industriais.

Recentemente, nos estudos realizados por instituições governamentais internacionais sobre a melhoria na qualidade do ar em períodos de isolamento, garante o Inea, o NO2 recebeu atenção especial devido aos efeitos respiratórios adversos, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) está cada vez mais associado aos casos de bronquite, asma e infecções respiratórias.

Comportamento

Em Icaraí as mudanças provocadas pelo isolamento já mostram aparente resultado na natureza. Foto: Pedro Conforte

Desde que a OMS declarou a doença provocada pelo novo coronavírus (Covid-19) como uma pandemia, em 11 de março, o movimento de pessoas e transportes nas ruas diminuiu drasticamente, principalmente após os municípios dos grandes centros urbanos decretarem o isolamento social, como foi o caso de Niterói, que em 23 de março deu início às diversas restrições, mantendo apenas o funcionamento de serviços essenciais.

“[Em Niterói] As ruas, praias e praças estão mais limpas de fato. Não por conta somente de um esforço maior das equipes de limpeza da CLIN [Companhia de Limpeza], mas também pela redução de circulação da população niteroiense nos espaços públicos da cidade”, esclarece o geógrafo Luciano Paez, da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ).

Para Paez, que também é gestor da Bacia da Região Oceânica, a redução da circulação de carros, caminhões e ônibus por Niterói, tem gerado a sensação de ar mais limpo. Mas apesar das mudanças mais perceptíveis na cidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente Recursos Hídricos e Sustentabilidade de Niterói informa que ainda não desenvolveu estudo recente que comprove a melhora na qualidade do ar durante esta temporada de isolamento.

“Os gases provenientes de combustíveis fósseis também contribuem para aumentar doenças respiratórias pelas cidades. Não tenho dúvidas que rinites, asmas, etc, estão em queda em Niterói”, opina Luciano Paez.

No Rio, também entre 31 de março e 7 de abril, se comparado ao período anterior à quarentena, o Monóxido de Carbono (CO) é outro poluente que apresentou queda nas concentrações, principalmente em Copacabana, na Zona Sul, com uma diminuição de 75%, e Santa Cruz, na Zona Oeste, com 27%, de acordo com o Inea.

Já as análises do poluente Material Particulado (MP10) nas estações de monitoramento do ar de Copacabana e Irajá registraram redução de 16% e 26%, respectivamente. O Material Particulado pode ser emitido diretamente do escapamento de automóveis, como também por ressuspensão de sedimentos.

O Inea monitora a qualidade do ar por meio de 58 estações que medem continuamente parâmetros meteorológicos e as concentrações de poluentes dispersos no ar.

Os poluentes analisados são óxido de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), ozônio (O3) e hidrocarbonetos; compostos orgânicos voláteis, como o benzeno; e micropartículas sólidas e líquidas suspensas no ar (PTS, PM10 e PM2.5), explicou o órgão.

Águas mais limpas

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Tartarugas marinhas foram vistas se alimentando na Praia de Icarai. Foto: Pedro Conforte

No mês de abril, quem mora nas redondezas das praias da Baía de Guanabara perceberam mudança na coloração da orla, como foi o caso de Icaraí, que recebeu diferentes visitas de animais marinhos.

Apesar disso o oceanógrafo, engenheiro ambiental e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), David Zee, já explicou que o fenômeno não tem ligação apenas com a ausência de banhistas.

Segundo o pesquisador, duas razões contribuem para o clareamento das praias e o reaparecimento de espécies marinhas. Primeiro: a relação das marés com as fases da Lua, principalmente nos períodos de Cheia e Nova. Outro fator é a chegada do outono e a aproximação de frente frias.

No último dia 21, o Inea informou, por meio de nota, que o aumento no aparecimento de tartarugas se alimentando próximo à Praia de Icaraí pode ter se dado também pela diminuição da movimentação de embarcações, o que gera menos ruído.

Tubarão-baleia

Tubarão-baleia em Itaipu.
imagens: Grupo Plantão Enfoco

Um tubarão-baleia também chamou a atenção de pescadores que estavam em uma traineira pescando, no último dia 30, em Itaipu, Região Oceânica de Niterói. Nas imagens, os pescadores aparecem retirando do mar diversos peixes da espécie sardinha através de uma rede, quando, em seguida, surge o animal.

“Quando tem cardumes de pequenos peixes é comum vê-los”, diz o professor Carlos Ferreira, que é associado ao departamento de biologia marinha da Universidade Federal Fluminense (UFF).

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