domingo, 29 de novembro de 2020

Niterói ensaia recuperação e São Gonçalo amarga desemprego

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Em Niterói o reaquecimento do setor de desenvolvimento ainda é lento. Foto: Pedro Conforte

Em recuperação diante da crise causada pela pandemia de Covid-19, o mercado trabalho em Niterói já demonstra sinais de recuperação. Segundo levantamento divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), mesmo de forma tímida, foram criadas somente no mês de agosto, 477 vagas formais de postos de trabalho na cidade.

A ascensão foi puxada principalmente pelos setores de teleatendimento (134), construção de embarcações (129) e, escritório e apoio administrativo (118).

Em lenta recuperação,  de acordo com os dados, o impacto do desemprego fica evidente no acumulado de janeiro a agosto, quando Niterói perdeu mais de sete mil vagas formais de emprego no comércio. A retração mais forte foi no setor de restaurantes e estabelecimentos alimentícios com mais 1,4 mil perdas, seguida do comércio varejista de vestuários e acessórios, somando quase 900 vagas fechadas.

O setor rodoviário também puxou a queda, com saldo negativo de 450, por conta da redução do transporte nos meses críticos do vírus. No mesmo período, houve crescimento apenas no mês de fevereiro (pré-pandemia) com 668 trabalhadores contratados. O mês de abril figura no pior cenário, segundo os números divulgados pela federação, com a curva da pandemia em alta, mais de três mil pessoas foram demitidas.

“A região Leste Fluminense apresentou saldo positivo tanto em julho, quanto em agosto. Somente em abril tivemos uma queda acentuada nos indicadores, claro, muito em função do que estamos vivendo. Por isso, esse saldo positivo ainda não aparece tão forte, mas a expectativa é que já nos próximos meses esses números continuem a crescer e mostrar índices melhores em todo o estado”, comentou o especialista em estudos econômicos da Firjan, Márcio Felipe de Araújo Lima Afonso.

Para o presidente em exercício da Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL) Manoel Alves Júnior, o impacto na cidade vem sendo minimizado através de ações conjuntas com a prefeitura e a aposta na qualificação dos empresários de Niterói com a modernização das formas de novos negócios.

“Algumas lojas fecharam, mas outras estão abrindo. Apesar de toda a crise do comércio, estamos vendo luz no fim do túnel.  Niterói é uma cidade onde a inclusão digital é muito grande, isso também mudou muito a forma de consumo. Hoje, estão comprando muito através do e-commerce e das mídias digitais. O objetivo é preparar o empresariado e qualificar o colaborador para essa retomada, entendendo que o mundo mudou”, frisou Manoel.

Secretário de Desenvolvimento Econômico de Niterói, Luiz Paulino Moreira Leite, acredita que para incentivar a volta do crescimento da economia local é preciso absorver a demanda de mão de obra na cidade. Segundo ele, Niterói, hoje, precisa olhar mais para dentro.

“Nós sabemos de todas as dificuldades porque esta crise não é de agora. Estamos incentivando nossos trabalhadores para se voltarem a Niterói, absorvendo mão de obra e trabalhando na cidade. Devemos retomar o setor naval criando mais de 20 mil empregos. Além disso, o MEI está sendo incentivado e está em expansão na cidade. A pandemia está mostrando outras formas de relacionamento com o trabalho”, contou Luiz Paulino.

São Gonçalo

Impacto foi maior no setor de comércio varejista em em São Gonçalo. Foto: Pedro Conforte

O município de São Gonçalo também sentiu os efeitos do fechamento do comércio na cidade. O baque causou retração em diversos segmentos, apesar de apontar tímido crescimento em agosto com geração de apenas 75 empregos formais. A principal perda foi no comércio varejista de vestuário e acessórios, somando mais de 500 fechamentos.

“Realizamos encontros de negócios para que as empresas conheçam seus potenciais fornecedores de insumos, bens de produção e serviços, e possam adquirir produtos oferecidos em nossa cidade. A estratégia de fomento para a geração de trabalho e renda consiste em incentivar a desburocratização da abertura das empresas, diagnosticar as necessidades de infraestrutura local e de recursos humanos”, explicou o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo, Evanildo Barreto.

Segundo a prefeitura, empregos também foram gerados através da criação da ‘Rota Gastronômica de São Gonçalo’. Ainda de acordo com a administração, o setor de bares, restaurantes e entretenimento emprega em alta escala a mão de obra direta e indireta, além de aproximar os agricultores familiares do setor de restaurantes, bem como o incentivo à Feira da Agricultura Familiar no calçadão da Rua Salvatori, no centro comercial da cidade.

Há dez anos trabalhando em loja, a vendedora de artigos e acessórios, Ester de Souza, de 33 anos, sentiu na pele e a rotina de trabalho alterada durante o período de maior incidência do vírus. Ela conta que teve seu contrato suspenso por mais de uma vez e agora enxerga com incerteza saídas para a crise, além de diversos problemas de saúde que contraiu ao longo do período.

“Gastei muito dinheiro com remédios e agora, em casa, complemento minha renda com o auxílio do governo. Eu tinha que voltar a trabalhar em setembro, mas por enquanto, estou sem previsão.”, lamentou a vendedora.

Na contramão

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No município 444 vagas foram geradas com carteira assinada. Foto: Ramon Ribeiro / Arquivo

Único município que despontou sem sofrer grandes impactos por conta da pandemia, Maricá manteve o índice de crescimento pelo terceiro mês consecutivo. A cidade teve evolução no saldo mensal de empregos formais com abertura de 185 novos postos de trabalho em agosto, mesmo operando com restrições das atividades. Já no saldo acumulado desde janeiro, foram geradas 444 vagas de empregos com carteira assinada.

“Fizemos com que o comércio local se mantivesse forte diante de todas as ações gerando empregos e serviços. A partir desse incremento da economia local partindo do Programa de Amparo ao Trabalhador (PAT), Programa de Amparo ao Emprego (PAE), Renda Básica de Cidadania (RBC) e Fomenta Maricá, pudemos manter a economia pujante ainda que em crise nacional”, avaliou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Comércio, Petróleo e Portos, Magnun Amado.  

Os resultados são mais expressivos a partir de maio. Em abril, primeiro mês integralmente com a pandemia e com as medidas mais rígidas de isolamento social, a cidade experimentou uma perda baixa, a menor do estado, de apenas 0,1%. 

Os dados apresentados pela Firjan têm como base as informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego e leva em consideração os períodos de janeiro a agosto desse ano.

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