quinta, 26 de novembro de 2020

Restinga vira depósito de lixo em Maricá

Lixo é jogado irregularmente na área da restinga. Foto: Karina Cruz

A área da restinga de Maricá, considerada Área de Proteção Ambiental (APA), virou motivo de preocupação por conta da quantidade de lixo que tem se acumulado na região. Sacos de lixo e até eletrodomésticos usados são despejados no local. 

De acordo com o ambientalista e coordenador da Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Gerhard Sardo, o grande número de lixo degrada o meio ambiente. 

“O Inea continua ausente na fiscalização da área. Infelizmente, observamos o descarte de lixo, resíduos de obras, animais mortos, carcaças de veículos roubados, tráfico de drogas e até cemitérios clandestinos no local. Enquanto não houver uma gestão ambiental, vamos continuar assistindo à degradação do ecossistema de restinga”, contou. 

Segundo testemunhas, o lixo é deixado na restinga pela própria população e teria aumentado por conta da irregularidade na coleta de lixo na cidade. 

“Já vi pequenos caminhões despejando lixo aqui, caminhonetes. Acho um absurdo. Um lugar tão bonito que precisa ser preservado”, revela o morador que preferiu ter a identidade preservada.

Com 970 hectares de área, a APA Estadual de Maricá abrange o sistema lagunar do município, parte da restinga e a Ilha do Cardoso. 

Em agosto, cerca de 12 toneladas de resíduos foram recolhidos no mutirão de limpeza feito pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual de Maricá, unidade de conservação administrada pelo órgão.

Em relação ao lixo na restinga, a Prefeitura de Maricá informou que o local é uma área de proteção ambiental, sob a responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e que a prefeitura coíbe despejo clandestino irregular de lixo, não só na restinga, mas em outros locais.

Procurado, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), informou que realiza regularmente fiscalizações na Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual de Maricá com o objetivo de combater irregularidades ambientais.

Sobre a retirada de lixo no local, o órgão ambiental estadual informou que fará mais uma ação de limpeza nos próximos dias. Em junho e agosto, o Inea realizou dois mutirões para a retirada de resíduos na unidade de conservação, quando foram recolhidas 20 toneladas de resíduos.

Coleta

Lixo acumulado em Maricá. Foto: Karina Cruz

Denúncias sobre irregularidade na coleta de lixo continuam em Maricá. Segundo moradores, há pelo menos duas semanas o serviço está irregular. De acordo com a população, apenas as principais vias recebem ação de coleta. Mas até mesmo na Avenida Jardel Filho, uma das principais vias do distrito de Itaipuaçu, nas calçadas o lixo é amontoado.

Equipes da Autarquia de Serviço de Obras de Maricá (Somar) continuam atuando, de forma emergencial, na retirada do lixo com uso de caminhão com caçamba e uma retroescavadeira. 

Moradora de Itaipuaçu, a técnica de enfermagem Daniela Rangel, de 30 anos, conta que a quantidade de lixo preocupa.

“Nunca tive um problema como este, tenho medo que ratos e baratas se proliferem e gerem doenças para nós”, contou.

Em Barra de Maricá e Ponta Negra, moradores também relatam acumulo de lixo na frente de casa.

“Aqui em Ponta Negra só estão realizando coleta nas ruas principais. As paralelas continuam sem recolhimento. Os lixos vão se acumulando e os cachorros acabam espalhando. Eu mesma tive que pegar o lixo e colocar na rua principal, pois já não dava mais para acumular, pois o cheiro estava horrível”, contou a vendedora Lúcia Regina Costa, de 47 anos. 

Em setembro, os coletores de lixo da cidade entraram em greve e a principal reivindicação foi a melhora da condição de trabalho oferecida pela empresa responsável pela coleta.

Procurada, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Maricá contestou a reclamação informando que o contrato de coleta está sendo cumprido pela empresa responsável e é acompanhado permanentemente pela fiscalização, que segundo a Comunicação, detecta eventuais irregularidades e informa à empresa para que as corrija.

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