sábado, 31 de outubro de 2020

Sexta-feira 13: Supersticiosos e crendices populares

Foto: Plantão Enfoco

Desde acreditar que cruzar na rua com gato preto dá azar, até achar que um trevo de quatro folhas traz sorte, as superstições populares não param apenas na sexta-feira 13, como a do dia de hoje, considerado por muitos como o dia do azar.

A estudante Thavane Couto, de 25 anos, moradora do Engenho do Mato, Niterói, costuma tomar banho de sal grosso todas as sextas-feiras para eliminar o mal olhado e as energias negativas que foram acumulando durante a semana. Nas que caem no dia 13, ela prefere levantar da cama, ao acordar, com o pé direito, além de carregar uma pedra de quartzo branca, capaz de absorver todas as energias negativas.

“Para mim, levantar com o pé direito é uma forma de iniciar o dia bem, trazendo sorte e afastando o azar das sextas-feiras 13, que é um dia que sinto acúmulo de energias negativas. Seja qual for o lugar que eu entrar, também sempre faço com o pé direito”, explicou.

Além da pedra de quartzo branca, Thavane também leva todos os dias um pingente de trevo de quatro folhas – amuleto para atrair mais sorte – e uma outra pedra, de quartzo rosa, que simboliza o seu signo do zodíaco, touro. O trevo é um símbolo tradicional de boa sorte, trazendo felicidade e fortuna, devido a dificuldade em encontrar um trevo de quatro folhas na natureza.

“Toda semana eu preciso renovar as energias das pedras, então as levo na praia para tirar toda a negatividade. Guardo comigo para usar na semana seguinte”, explicou.

A união de superstições de diferentes religiões é o caso da tradutora, de 24 anos, que preferiu não se identicar. Ela explica que as crenças vão das mais populares, como bater na madeira para algo ruim não acontecer ou desvirar o chinelo para a mãe não morrer, até as ligadas às religões de matrizes africanas, como não assobiar em casa.

Segundo a tradutora, as superstições a mantiveram protegida ou com sorte, nunca causando algum efeito negativo.

“Eu uso várias crenças, como a católica, de pedir para São Longuinho para achar algo que perdi, e outras de umbanda e candomblé, como não assobiar dentro de casa e não deixar que me pulem. Os motivos de eu ter essas superstições são variados, mas principalmente porque fui criada assim, é algo cultural e eu procuro respeitar”, informou.

Já a superstição de João Henrique Sol, de 22 anos, com espelhos, vai muito além do quebrá-lo. O estudante explica que prefere não olhá-los por muito tempo, por causa da sensação de se ver ao inverso.

“Me sinto muito inquieto quando fico muito tempo com espelhos. Me ver ao inverso por muito tempo chega a dar dor de cabeça. Eu nunca quebrei nenhum espelho também, ainda bem, e espero não quebrar”, contou o jovem, que também usa pedras energizadas e queima ervas secas em casa para afastar mau olhado.

Origem da lenda

Segundo Verônica Inaciola Farias da Cruz, que é doutoranda em Ciências da Religião, mestre em Ciências da Arte, pedagoga e pesquisadora das artes e tradições populares, a sexta-feira sempre foi considerada com superstições por diversas culturas, independente de ser dia 13.

“Tudo indica que a origem da lenda mais conhecida acerca da sexta-feira 13, que ainda não tem provas científicas, é de que 12 divindades foram convidadas pelo deus Odin para um banquete, mas o espírito mal apareceu sem ser convidado, arrumando uma confusão. A divindade favorita acaba morrendo nessa guerra”, explicou Verônica.

Ela ainda acrescenta que o fato da sexta-feira ser atribuída às religiões de matrizes africanas é errôneo, já que as lendas nasceram no período do cristianismo europeu e foram trazidas para o Brasil através dos portugueses.

“Outra lenda relatada que pode ter dado origem à superstição é a história da Deusa do Amor, Frigg, que fica revoltada quando o povo se converte ao cristianismo, transformando-se em bruxa. Ela é uma deusa nórdica e tudo indica que essa lenda tem origem com a chegada do cristianismo, porque todas as religiões pagãs até o momento passam por um período de conversão. Também tem outros acontecimentos relacionados à data, como com a última Santa Ceia, com 12 discípulos à mesa com Jesus, mesmo dia da traição, e o dia do martírio de cristo, que também é uma sexta-feira”, informou.

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