Ciclofaixa improvisada na Marques do Paraná constante algo de reclamações e acidentes. Foto via Grupo Plantão Enfoco

Ciclofaixas e investimentos em mobilidade para usuários de bicicletas foram alvos de duras criticas na Câmara Municipal de Niterói, na noite desta quarta-feira (22). Preocupado com a atual situação enfrentada pelos ciclistas, o vereador Sandro Araújo (PPS) elevou o tom durante a sessão plenária e destacou a carência do espaço exclusivo para ciclistas na Avenida Marquês do Paraná, no Centro – alvo de inúmeras reclamações e acidentes – entre as principais vias de ligação para a zona sul da cidade.

Segundo o vereador, as promessas se tornaram antigas e recorrentes feitas pela administração pública nos últimos anos. Atualmente, existem faixas exclusivas para ciclistas em vias de grande fluxo como são os casos da Avenida Roberto Silveira, em Icaraí e Amaral Peixoto, no Centro. Mas o vereador reclama que na principal via de ligação entre ambas, ainda não existe.

“Desde que assumi o meu mandato como vereador, já fui atropelado pelo menos três vezes na cidade, enquanto andava de bicicleta. Eu não estou pensando só em mim, estou defendendo a todos. A gente precisa urgentemente estabelecer um plano, uma malha cicloviária nesses espaços. Em Icaraí, na Zona Sul, apesar da Avenida Roberto Silveira conter uma ciclovia, até lá não tem uma malha cicloviária decente. Com isso, nós ciclistas perdemos grandes oportunidades de transformar Niterói em uma cidade referência neste sentido, e mais segura”, destacou.

Sandro também relembrou casos de inúmeros acontecimentos envolvendo ciclistas no ano passado, que ocasionaram uma lista de vítimas feridas gravemente. Um dos casos mais graves, acarretou na morte de uma criança de 5 anos, na Rua Dom Bosco, em Icaraí. O parlamentar também fez questão de lembrar uma ocorrência nesta quarta (22), quando na Avenida Marquês do Paraná, segundo ele, uma ciclista ficou ferida e sua bicicleta foi partida ao meio.

“Até existe um olhar da administração para a necessidade de implantação de malhas cicloviárias, de ciclovias, de campanhas educativas, mas, no entanto, há pouca ação”

A Prefeitura de Niterói afirma que o edital para as obras de alargamento da Avenida Marquês do Paraná, no Centro, será lançado ainda este mês. Segundo o Executivo, o início das ações está previsto para ocorrer no segundo semestre deste ano e que até o início de 2020 as obras já devem estar concluídas, embora não tenha informado o dia e mês de início das intervenções.

De acordo com a Prefeitura, o projeto prevê a reurbanização e ampliação da via, com implantação de uma faixa exclusiva para ônibus em cada sentido da avenida, e uma ciclovia bidirecional ligando as ciclofaixas das avenidas Roberto Silveira, em Icaraí e a Ernani do Amaral Peixoto, no Centro. Por fim a Prefeitura também lembrou que o município conta, atualmente, com uma malha cicloviária de mais de 40 quilômetros.

Com relação à Transoceânica, a Prefeitura salientou que foi implantada a malha cicloviária da saída do Túnel Charitas – Cafubá até a Praia de Itaipu, compreendendo o trajeto de 17 quilômetros e destacou que todas as estações do corredor de ônibus BHLS da TransOceânica contam com bicicletários.

Integrante do coletivo Pedal Sonoro, Luís Araújo disse que há 6 anos ouve as muitas promessas já feitas pelo Poder Executivo.

“O coletivo acompanha essa discussão na cidade desde 2013, quando esses problemas começaram a surgir pela demanda ter crescido nos últimos tempos. Dois anos depois, em 2015, ainda na Marquês do Paraná, houve a operação com cones, que era para ser temporária nos períodos de setembro a dezembro do mesmo ano. No geral, já perdemos a conta dos projetos que nunca se concretizam. O que precisamos são de soluções imediatas, para hoje. Estamos em busca de resolver os problemas de quem já utiliza a bicicleta como meio de transporte na cidade. Quem optou pela bicicleta na Zona Norte, na Região Oceânica ou mesmo em Icaraí, enfrenta riscos de vida diariamente por conta da omissão desta gestão. As pessoas estão se acidentando diariamente”, reclama o ciclista.

Ciclistas acabam não fazendo uso do ‘improviso’ por conta da faixa estreita e desnivelada destinada para o tráfego de bicicletas. Foto via Grupo Plantão Enfoco

Luís fez questão de lembrar de uma carta compromisso, assinada pelo prefeito Rodrigo Neves, com dez propostas que deveria promover a segurança dos ciclistas. Algumas delas falavam sobre a construção de novas infraestruturas e aprimoramento das já existentes.

Comentários sobre “Velhas promessas, perigo constante para ciclistas

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