domingo, 29 de novembro de 2020

Vida marinha contaminada em praias do Rio e Niterói

Guanabara, Baia, Mar, Poluição
Baía de Guanabara ainda é fonte de renda para milhares de pescadores. Foto: Agência Brasil / Arquivo

O professor Abílio Soares Gomes, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, publicou artigo onde confirma que a poluição por plástico se transformou num problema generalizado para as vidas marinha e humana no litoral do estado. Em estudo realizado recentemente, ele investigou os níveis de microplástico em amostras de mexilhões marrons “Perna perna selvagens” e de criadouros localizados na Baía de Guanabara que compõe praias do Rio e Zona Sul de Niterói, e chegou a uma conclusão preocupante: todos estão contaminados com microplástico (MP).

No estudo, foram realizados quatro tratamentos distintos de depuração e que depois foram comparados a outras amostras, entre as quais se destacam: mexilhões silvestres não depurados, silvestres depurados, cultivados não dissecados e cultivados depurados. Dessas amostras, foram detectados de 17,8 a 31,2 MPs em 40 amostras de mexilhões analisados.

De acordo com a pesquisa, fibras de nylon foram mais abundantes do que os fragmentos de polimetilmetacrilato (PMMA). A pesquisa identificou também que as fibras de nylon azul, transparente e vermelho foram mais abundantes em mexilhões selvagens e cultivados. Para isso, foi realizado um trabalho de depuração que reduziu significativamente os MPs, chegando a 46,79% em mexilhões silvestres e 28,95% em cultivados.

“Os resultados obtidos demonstram que o processo foi mais eficaz na remoção de fibras azuis. Nesse sentido, a depuração é muito importante na redução da poluição microplástica em frutos do mar”, ressaltou Abílio.

De acordo com o pesquisador, a produção dos mais variados produtos plásticos representa de 60% a 90% de todos os detritos presentes nos oceanos. Mais de 322 milhões de toneladas de plásticos são produzidos anualmente em todo o mundo e 10% desse material têm os mares como destino final.

Plástico

O material plástico acumulado na natureza, através de garrafas pet, sacolas e copos, devido à sua durabilidade e curta vida útil, são os que mais agridem o ambiente marinho. Como são encontrados em áreas distantes dos grandes centros urbanos, onde eles geralmente se originam, os resíduos plásticos – formados por partículas menores que 5 mm – chegam aos oceanos e podem resultar em danos físicos aos organismos marinhos, como afogamento e asfixia devido ao emaranhamento, obstrução de seu trato respiratório e digestivo e intoxicação. Além disso, detritos plásticos flutuantes podem agir como um vetor de transporte para outras espécies invasoras e até de produtos químicos e orgânicos tóxicos.

Nos oceanos, o microplástico pode ser introduzido indiretamente, por meio da degradação de alguns materiais ou diretamente pelo despejo acidental ou criminoso de bolinhas de plástico produzidas pela indústria em rios, mares e lagoas. Além disso, esses materiais foram identificados nos componentes utilizados em produtos de higiene e de cuidados pessoais, como cremes dentais e esfoliantes faciais, além de microfibras de tecidos e presentes no pó de centros urbanos, que eventualmente chegam aos mares, através do esgoto doméstico e escoamento das águas pluviais.

De acordo com Abílio Soares Gomes, o processo de degradação de plásticos macroscópicos em microplástico pode ocorrer devido a diferentes razões, geralmente associadas à abrasão física ou fotodegradação. Esses processos, segundo ele, são lentos e geralmente ocorrem em áreas costeiras, onde os macroplásticos são mais vulneráveis à ação das ondas e à exposição prolongada à radiação UV.  Além disso, esses resíduos podem absorver diferentes tipos de poluentes orgânicos, incluindo substâncias bioacumulativas e tóxicas, tais como produtos orgânicos poluentes (POP) e metais pesados.

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