quarta, 28 de outubro de 2020

Opinião: Abel Braga está fazendo hora extra no futebol!

O objetivo deste texto não é denegrir a imagem de um treinador (muito) vitorioso, porém, é mostrar que é necessário saber a hora de parar. Foto: Thiago Ribeiro – Vasco

Começo esse texto da mesma maneira que o título: Abel Braga está fazendo hora extra. Resultados ruins no comando do Vasco não são o suficiente para embasar a afirmação de cima. Mas sim o desempenho que a equipe vem tendo.

Me responda você, torcedor vascaíno: quando foi a última vez que o Vasco saiu de campo aplaudido? Ou melhor: sob o comando do treinador, quando que não ouvimos “Fora Abel” durante ou depois do jogo? O objetivo deste texto não é denegrir a imagem de um treinador (muito) vitorioso, porém, é mostrar que é necessário saber a hora de parar.

Carreira vitoriosa, mas com problemas

Não há como negar que Abelão tem uma carreira com títulos expressivos. Adorado na Região Sul, onde foi responsável por conquistas importantes na história do Internacional de Porto Alegre, o técnico sempre cometeu seus deslizes.

Não me refiro às suas discussões ou problemas com árbitros em suas frases nada simpáticas – um desses fatos culminou no processo feito pelo árbitro Luiz Carlos da Silva por danos morais em 2006 após insultos do treinador em 2001 quando estava no Atlético MG – mas aos desempenhos negativos de seus times.

Quando assumiu o Flamengo em 2019, em janeiro, Abel era o técnico mais cotado para tal função – até porque Renato Gaúcho havia recusado a proposta. No decorrer de seu trabalho que durou menos de 6 meses, o time rubro-negro apresentava grandes deficiências ditas “impossíveis de acontecer”, visto que o plantel era recheado de grandes jogadores que foram destaques em seus clubes.

Em 22 jogos, 16 gols sofridos e Rodrigo Caio recém-contratado, era questionado junto com seu então companheiro, Léo Duarte. Para ilustrar, como não lembrar da derrota para o Peñarol em pleno Maracanã, dia 3 de abril do ano passado.

Uma equipe desiquilibrada que piorou com a expulsão de Gabigol somada à torcida que clamava pela entrada de Giorgian De Arrascaeta enquanto o treinador recusava os gritos das arquibancadas. Até que no pós-jogo, ele revelou que tinha “dificuldade” em pô-lo junto com Bruno Henrique – ambos jogavam pelo lado esquerdo do campo.

Andando mais para trás, em 2007, após voltar do Japão com um título mundial na bagagem e, anteriormente, o título da Taça Libertadores, todos com o Internacional e conquistados em 2006, a equipe colorada foi péssima no primeiro semestre. Abel não passou da primeira fase do Gaúchão e sequer chegou às oitavas-de-final da Libertadores.

Saber a hora de parar

Seus títulos são inegáveis, mas as quedas de rendimento são extremamente bruscas e os acúmulos de fracassos fizeram Abel se tornar um treinador que já passou a hora de se questionar: O que o motiva a ainda estar no futebol? Vamos dar um exemplo de outro treinador que se aposentou: Levir Culpi.

Apesar de ter um currículo inferior ao Abelão, Levir entrou no modo “perder a alegria do futebol”. Para ilustrar, vamos lembrar algumas frases dele A gente costuma chamar isso de viadagem(quando perguntado de uma possível contusão de Willian Matheus em 2016 no Fluminense).

Humor negro é uma coisa incrível, né?! Eu adorei quando um de vocês quase morreu na semana passada (afirmação feita para embasar sua reclamação da marcação de jogos às 11h da manhã sob forte calor quando um jornalista passou mal).

Tenho uma convicção sobre seleção, sei quem vai ser o próximo técnico. Eu tenho certeza, vai ser o Sampaoli. Porque ele foi treinar de bicicleta, tem tatuagens e o mais importante: é argentino. Escuta o que eu estou falando. Este é o Brasil de hoje(Levir foi irônico ao criticar entrada de treinadores estrangeiros no Brasil).

Eu diria que o atual treinador do Vasco entrou no “modo Levir Culpi”. Suas ironias e suas frases traduzem um grande profissional abatido, sem alegria de treinar, sem vibrar, sem ser aquele técnico com garra da época áurea com o Inter em 2006 e o Fluminense em 2012.

“Hoje foi lindo, cara”, frase dita sobre o elenco do Vasco após derrota para o Flamengo em janeiro deste ano, demonstra a falta de vontade do ex-zagueiro em continuar sua profissão.

Sem contar suas decisões em pôr o time titular em duas partidas contra equipes pequenas, no entanto, ter jogado com o time reserva em clássicos com Flamengo e Botafogo. Ainda lembro de sua frase “Perder para o Atlético em Minas é normal”, que gerou revolta na torcida do Flamengo pelo fato de o +Querido ter jogado com um atleta a mais em 75% da partida.

Abel está fazendo hora extra no futebol e precisa saber a hora de parar. Estamos em março e a qualquer momento o Vasco pode demiti-lo. Sua carreira vem ladeira abaixo desde quando assumiu o Cruzeiro numa tentativa desesperadora de livrar a Raposa do rebaixamento em 2019 e pareceu estar até indiferente à situação.

Obrigado pela sua colaboração, Abel Braga, mas é hora de ir para casa!

Filipe Vianna – É um apaixonado por análises táticas e coberturas esportivas. Ele fala sobre futebol e o mundo dos esportes.

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