sábado, 24 de outubro de 2020

Porto da Pedra dribla dificuldades e empolga a Sapucaí sob chuva

A escola de São Gonçalo trouxe no tripé, em frente ao abre-alas, a imagem do tradicional Tigre. Foto: Plantão Enfoco

Sob chuva, a Unidos do Porto da Pedra foi a quarta escola de samba a desfilar na primeira noite da Série A, nesta sexta-feira (21), na Marquês de Sapucaí. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras na construção do carnaval, a Vermelho e Branco de São Gonçalo deu início ao desfile, por volta de 1h30, trazendo o enredo “O que é que a baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí”, desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon.

A escola se apresentou com três alegorias e um tripé, trazendo ao todo 1,5 mil componentes. O desfile foi aberto pela comissão de frente coreografada por ninguém menos que Carlinhos de Jesus. Trazendo nas fantasias “a esperança de uma raça”, a comissão simbolizou a força que as mulheres negras têm nas mãos, que produzem os famosos quitutes baianos.

A comissão foi coreografada por Carlinhos de Jesus. Foto: Plantão Enfoco

“A gente tinha uma ideia inicial que não conseguimos desenvolver por falta de recursos. E quanto maior a dificuldade, mais você aguça a criatividade e procura meios de driblar as adversidades. Ainda assim conseguimos desenvolver um trabalho muito em cima da dança. Falamos de misoginia, do feminicídio, do preconceito e dificuldade que as mulheres enfrentam no dia a dia”, contou o coreógrafo, que atuou na agremiação pelo primeiro ano.

O tripé que introduziu o carro abre-alas trouxe a tradicional imagem do tigre para o desfile da Porto da Pedra. Já a primeira alegoria destaque remontou os terreiros, considerados um dos locais de resistência dos negros. O Abre-Alas também evidenciou a preservação do culto aos Orixás e ao acarajé, marca das baianas homenageadas.

“Das águas da purificação à garra das mulheres africanas”, tema do conjunto abre-alas. Foto: Plantão Enfoco

Nas alas, a agremiação de São Gonçalo continuou o aprofundamento no histórico e na cultura da Bahia, além da experiência afrodiáspora brasileira, fazendo uma viagem do cais do Porto de Salvador aos navios negreiros, passando pela culinária ancestral, a religiosidade e o ‘templo do samba’.

À frente da bateria Ritmo Feroz, a rainha Kamila Reis trouxe a representação de uma pomba branca na fantasia. Para a rainha, mesmo com a dificuldade financeira encontrada pela agremiação na preparação do carnaval, a comunidade se manteve fiel e ajudou a escola a entrar confiante na avenida.

“A Porto da Pedra tem a característica de mostrar muita força e muita garra na avenida. A comunidade tem muita alegria. A chuva não atrapalha em nada, são gotas de felicidade. A gente veio para mostrar que podemos sim lutar pelo título, mesmo sem ajuda dos órgãos públicos”, disse.

Os instrumentistas que a seguiram trouxeram para a Avenida o surgimento da chamada “Pequena África”, que era localizada na Zona Portuária do Rio, região que os negros encontraram para moradia e prática das próprias crenças. De acordo com o Mestre Pablo, regente da bateria, a escola manteve a tradição de surpreender no toque.

“A bateria transmite a garra e a força do povo de São Gonçalo. Viemos com duas bossas, rumo aos quarenta pontos, para levar o caneco para a cidade”, declarou, confiante.

A agremiação de São Gonçalo ainda levou a procissão de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário para a avenida. A Porto da Pedra sofreu turbulências na preparação do carnaval, devido o desafio financeiro. A escola não pode contar com subsídio da Prefeitura do Rio, como as outras escolas da Série A.

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