quarta, 28 de outubro de 2020

Um novo estilo de terror?

Série é inspirada no livro ‘A volta do Parafuso’. Foto: Divulgação

Em 2018 chegava na Netflix o seriado A Maldição da Residência Hill, que contava a história de uma família criada em uma casa lotada de fantasmas e seus traumas depois que saíram de lá. A produção chamou atenção por não apostar somente nos sustos, mas na história extremamente complexa, repleta de surpresas e reviravoltas. Agora, em 2020, Mike Flanagan, produtor de Residência Hilll, nos presenteia com mais uma “temporada” da série (não sei se podemos chamar de segunda temporada, já que as duas histórias não tem nenhuma ligação), que traz uma história mais dramática ainda.

 A Maldição da Mansão Bly, inspirada no livro “A Volta do Parafuso” ou “A Outra Volta do Parafuso” (depende da tradução escolhida) escrito por Henry James, conta a história de uma professora que aceita o emprego de babá em uma mansão que possui diversos mistérios obscuros. A série, assim como sua temporada anterior, traz a uma análise profunda do psicológico dos personagens, fantasmas escondidos (sim, em cada episódio há um fantasma no fundo do cenário olhando diretamente para a câmera) e o mesmo elenco, porém, vivendo outros papéis, o que mostra a versatilidade incrível dos atores e atrizes.

 A produção comprova que os filmes e séries de terror não necessariamente devem ser pautados nos “jump-scares” (como são chamadas as aparições em direção a câmera para assustar o espectador), mas sim numa história que o deixe tenso e incomodado. Creio que o maior terror da Maldição da Mansão Bly seja o quão real ela pode ser, não que seja comum uma proposta de emprego como babá de duas crianças absurdamente assustadoras, mas porque os dilemas passados por cada uma das pessoas ali presentes na mansão, são dilemas que nós enfrentamos no nosso dia a dia, como a rejeição de um amor, a ambição de querer algo maior, o medo de não ser aceito ou a perda de um ente querido. Logo, a identificação com pelo menos um dos personagens é totalmente imediata, o que nos transporta diretamente para dentro da casa.               

Com tudo isso, Mansão Bly acaba sendo uma das obras mais aterrorizantes que pode ser vista, porque ela nos mostra o quanto o mundo pode ser solitário e sufocante, nos fazendo pensar o quanto nos encaixamos naquelas situações retratadas na tela, além de percebermos que os piores fantasmas não são aqueles que se escondem debaixo da nossa cama, mas o que vem do passado para assombrar os nossos pensamentos.

Formado em Letras (Português-Literaturas) pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Jonny Sales é aficionado pelo mundo nerd, que acompanha, debate e vivencia, seja numa roda de amigos, ou em seu canal do Youtube ‘Geek Barba’.

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