terça, 26 de janeiro de 2021

Vida em Chamas: gonçalense revive em obra maior tragédia de Niterói

Incêndio resultaria em 500 mortes e mais cem mutilados. Foto: Rede Sociais

A maior tragédia já registrada em Niterói, lembrada na próxima quinta-feira (17) quando em 1961 a cidade assistiu ao incêndio do Gran Circus Norte-Americano, com um rastro de 500 mortos e 120 mutilados, virou livro como parte da história de vida da moradora de São Gonçalo, Zezé Pedroza.

A autora estava entre as vítimas e teve 90% do corpo queimado. A despeito de todas as dores e cicatrizes marcadas em sua carne, lutou, cresceu, se tornou professora, esposa, mãe, avó, bizavó e finalmente autora da obra Vida em Chamas, com os detalhes dos momentos que marcaram sua vida.

Demorou, mas já em 2010 Zezé realizou seu maior sonho: publicar sua biografia. A obra apresenta, sem floreios e sem cortes, as lembranças mais profundas da sobrevivente. No livro a autora narra a história através da personagem Natali e traça um paralelo entre os ancestrais da época da escravidão, perpassando por uma análise do cenário político-econômico do Brasil, antes e depois da tragédia. Em dois capítulos da obra, detalhes dos momentos em que esteve dentro do circo em chamas ficam são narrados.

Zezé ficou 20 dias em coma e 8 meses internada, passou por 15 cirurgias para recuperar algumas partes do corpo. As marcas impressas em sua pele foram suas inimigas durante muitos anos.

Zeze pedrosa

“Com pensamento longe eu cheguei ao ano de 1961. Exatamente no dia 17 de dezembro, quando o calor estava a quase 40 graus e a distração era geral, eu sentada na arquibancada aplaudindo o espetáculo, que foi interrompido com o grito… Fogo!”

A lona de nylon e parafina do Gran Circus Norte Americano ardia em labaredas e segundo a autora: “ainda hoje eu revivo aquele horrível momento, a multidão correndo em uma só direção e caindo uns sobre os outros, pisoteados na fuga da última cena”.

Justiça

Em 1962, a mãe de Maria José de Oliveira Pedroza deu entrada em um processo indenizatório na Comarca de Niterói, onde foi chamada para diversas audiências. No local onde atualmente funciona a biblioteca judiciária. O processo deixado nas mãos de um advogado contratado que acabou desaparecendo com o processo cerca de um ano depois.

Apenas em 2016 Zezé Pedroza encontrou o processo, mas descobriu que havia perdido a causa, já que nem o município de Niterói, nem o estado do Rio de Janeiro, nem o Governo Federal se responsabilizaram pelo incêndio na época, alegando que o incêndio foi criminoso.

Maria José também afirma que não recebeu o valor que cabia a ela do ‘Fundo de Assistência às vítimas do incêndio em Niterói’, decretado e divulgado no Diário Oficial de 19 de dezembro de 1961 pelo então governador Celso Peçanha.

Mas a professora não desistiu e, com a ajuda de outro advogado, o processo foi refeito e incluído na lista de processos especiais de direitos humanos da ONU e aguarda análise há quase 2 anos.

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