sexta, 27 de novembro de 2020

Após goleadas, ‘Ramonismo’ tem semana decisiva

Duas derrotas seguidas com três gols de diferença expuseram um sistema de jogo “manjado” e colocaram Ramon por um fio. Foto: Rafael Ribeiro/Vasco

Após um bom trabalho feito por Vanderlei Luxemburgo em 2019, a esperança de um 2020 sorridente acendeu. No entanto, sabia-se que ficar com o “profexô” era impossível, visto o assédio de grandes clubes – como foi o caso do Palmeiras, clube que o contratou ao fim da temporada. Para Campello, apostar em Abel Braga seria a continuação do estilo treinador experiente, o famoso “xerife”. Mas, os resultados não mostraram isso. Foram quatro vitórias em 13 jogos e um Vasco na quinta colocação da Taça Rio. A solução veio de casa: Ramon Menezes. 

Quem viu um Vasco avassalador nas primeiras rodadas do Brasileirão 2020 esperava que esse ano fosse diferente dos anos tenebrosos vividos pela torcida vascaína. E de fato a evolução da equipe era notória. Foram três vitórias seguidas nas três primeiras rodadas e a possibilidade de, quem sabe, brigar pela Libertadores. No contraste ao arquirrival, Flamengo, que figurou na zona de rebaixamento, o gigante da colina estava embalado. Deste modo, a hashtag #ramonismo tomava conta da internet.

O jeito de jogar trocando posição, utilizando Germán Cano cada vez mais artilheiro, resgatando Felipe Bastos, fortalecendo o xerifão Leandro Castán e um estilo que “se fosse preciso jogar no contra-ataque, tudo bem”, fizeram do Vasco o líder momentâneo do Campeonato Brasileiro. Sem falar de um camisa 10 muito bom chamado Benítez que despontou e se tornou o maior garçom possível para Cano.

Além de todas essas mudanças positivas, Ramon entendeu que Talles Magno precisava se responsabilizar pelo ataque e a velocidade somente; e não por vir marcar. Desse modo, Henrique, o jovem lateral-esquerdo do clube, se tornava um terceiro zagueiro na ideia de liberar Yago Pikachu do lado direito. De um 4-4-2 para um 3-4-3, esse era o Ramonismo. Exatamente, era. 

O encanto em diversas trocas positivas se tornou óbvio para os adversários. O estilo de jogo do ex-camisa 10 vascaíno se tornou repetitivo e quem jogava contra o Vasco sabia o que fazer para neutralizá-lo. Como se não bastasse isso, Felippe Bastos caiu muito de rendimento, Pikachu passou a ter problemas com a bola nos pés e o time não rendia mais. Contra o Atlético Mineiro veio a gota d’água. Em um primeiro tempo bom, pelo menos até a metade dele, o Gigante da Colina abriu o placar com uma pintura de Benítez; mas era como se isso não bastasse, pois, logo após, o Atlético emplacou quatro gols seguidos. Ramon inverteu. Era Henrique quem partia enquanto o lado direito ficava preso. Nada feito. 

Curiosamente, a última vitória do time de São Januário foi contra o Botafogo, em jogo válido pela 10ª rodada. A rodada 15 se aproxima e é exatamente esse tempo de jejum de vitórias que há o jejum de gols do camisa 14 argentino. Esse, certamente, é mais um fator decisivo. 

Ramon sai? 

É normal haver burburinhos sobre a troca de treinador quando os resultados ruins batem na porta. Ainda assim, a torcida crê que seja necessária uma mudança no Ramonismo e não meramente uma demissão. Até porque, a pergunta que paira na cabeça da diretoria cruzmaltina é: se Ramon sair, quem entra? Nomes como Cristóvão Borges, Abel Braga (de novo?), Paulo Autuori, Felipão, Dunga, entre outros, esbarram na resistência por parte da torcida e em um fator importantíssimo: eleições.  

Esse ano é ano de eleições na Colina. Portanto, trazer um treinador sob o risco da oposição assumir em janeiro e haver uma troca de comando, dificulta qualquer planejamento. Sem contar que Ramon foi uma solução caseira e barata. Afinal, é de conhecimento geral que o Vasco passa por seríssimos problemas financeiros e acumula dívida.  

Uma coisa é certa: a diretoria pensa sim na troca de comando; e essa semana será decisiva para isso acontecer. E logo agora em uma sequência de jogos complicada: o Flamengo, sábado, em São Januário, e o Internacional, dia 18 no Beira-Rio. Entre o clássico e a partida contra o Colorado, enfrentará o Fortaleza, na Colina, em data ainda indefinida.  Fato é que perder por quatro gols para o Atlético e três para o Bahia foi muito dolorido. Certamente contra o Flamengo haverá um ultimato. Caso os resultados ruins voltem a aparecer, Ramon não ficará. 

Há quem diga que até Fernando Diniz, que está por um fio no São Paulo há mais de um mês, se confirmada sua saída do clube paulista, pode pintar em São Januário. Será o desempenho da equipe que responderá essa e outras questões do Vasco da Gama. 

Filipe Vianna – É um apaixonado por análises táticas e coberturas esportivas. Ele fala sobre futebol e o mundo dos esportes.

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