sexta, 16 de abril de 2021

Brasileirão 2020: o campeonato que todos se esforçaram para perder

Flamengo levou o Brasileirão 2020. Foto: Alexandre Vidal / CRF

Chegou ao fim o Campeonato Brasileiro de 2020. Esta edição, que ficou marcada pelos estádios vazios devido à pandemia, também teve outro contexto significativo: foi o título que todos se esforçaram para perder.

O São Paulo, totalmente perdido sob o comando de Fernando Diniz, se encontrou no meio da competição e assumiu o posto de favorito – mas não conseguiu segurar a banca e voltou a ser a equipe que iniciou a temporada sendo eliminada pelo Mirassol no Paulistão.

Fernando Diniz tem estilo de jogo interessante, mas que de nada serve sem consistência e competitividade. Por isso, acumula aproveitamentos muito ruins em todos os clubes pelos quais passou – como, por exemplo, 25% dos pontos conquistados pelo Athletico-PR e 26,7% pelo Fluminense.

Já o Atlético-MG surgiu como o time ‘galático’ a ser batido. Com Sampaoli no comando e mais de R$ 150 milhões gastos em contratações, a equipe, que mostrou futebol vistoso em parte da competição, também acabou sucumbindo diante do forte temperamento do treinador.

O argentino se perdeu na própria loucura e o futebol psicodélico deu lugar a um time confuso, apático e com medo de errar. E, no futebol brasileiro, medo é fracasso. Assim, o sonho do Galo foi adiado para 2021.

O Internacional foi a prova de que futebol não é ciência exata – e exatamente por isso é apaixonante. Com um elenco mediano, despontou nas mãos do mágico Coudet. E, quando ele começava a encantar o Brasil com seus truques, acabou nos deixando por uma proposta do futebol espanhol.

Quando o Colorado anunciou Abel Braga, que vinha de trabalhos terríveis por Flamengo, Cruzeiro e Vasco, prontamente descartamos o time gaúcho. Ledo engano. Com uma sequência de nove vitórias seguidas, os Vermelhos assumiram a ponta e não davam indícios de que a largariam.

Foi aí que, depois de convencer todo mundo, Abelão não resistiu à pressão. Pressão do título, do bom futebol, da imprensa, dos torcedores e, é claro, do Flamengo.

Ah, o Flamengo… aquele que nos encantou com um futebol incrível em 2019. Aquele que empilhou taças e foi capaz de conquistar a Libertadores e o Brasileirão no mesmo final de semana. Aquele Flamengo havia ficado para trás. Será?

Órfãos diante da saída de Jorge Jesus, a torcida viu o inferno sob o comando de Doménec Torrent. Perdida sem o português, a diretoria optou por mais uma troca – desta vez escolhendo Rogério Ceni, que viveu entre tapas e beijos com a torcida.

Mas o Flamengo sempre esteve ali. Pelo legado do ‘Mister’, pela mística rubro-negra e, principalmente, pelo poder de decisão das peças que conseguiu reunir. Mesmo em meio ao turbilhão de críticas, o Urubu somava pontos por pura qualidade individual.

Arrascaeta, que chegou a afirmar que o Flamengo não merecia ser campeão, é o ponto-chave disso tudo. O uruguaio é uma máquina de números, sendo o maior assistente do campeonato com 14 passes para gol.

Num campeonato onde ninguém queria triunfar, é claro que a taça cairia no colo de quem nunca desaprendeu a vencer. Arrascaeta, Gabigol, Bruno Henrique, Éverton Ribeiro e Gérson. Para dizer o mínimo. E nem precisaria de mais.

Mesmo com problemas defensivos durante toda a competição, mesmo com Ceni não conseguindo encaixar um estilo definido de jogo, mesmo sem a Nação nas arquibancadas, o Flamengo triunfou.

Não dá para dizer que foi injusto. Se o Rubro-Negro não mereceu em alguns momentos, ou pelo futebol apresentado no geral, os concorrentes mereceram menos ainda.

Méritos à parte, torçamos por um Brasileirão mais disputado e nivelado por cima em 2021 – e que venha logo a vacina para voltarmos para as grades de nossas arquibancadas. A nova temporada é logo ali – literalmente!

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneiros regionais.

A resenha está garantida com o jornalista Pedro Chilingue, que além dos bastidores do mundo esportivo, também traz o melhor dos torneiros regionais.

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