O campeão mundial Gerson Canhotinha de Ouro foi destaque diante da garotada no novo CT (Foto: Anderson Justino/Colaboração)

O Canto do Rio Futebol Clube começou o ano de casa nova, o time profissional e toda a categoria de base treinará em São Gonçalo no Clube Mauá e já está se preparando para disputar a terceira divisão do Campeonato Carioca. Um dos responsáveis pela mudança é Gerson ‘Canhotinha de Ouro’, que marcou história no clube niteroiense e faz do Cantusca sua segunda casa enquanto torcedor, além de voltar a fazer parte do Conselho Gestor do Futebol.

Cria do Cantusca, Gerson Canhotinha de Ouro, visita o novo CT em São Gonçalo (Foto: Anderson Justino/Colaboração)

Em entrevista exclusiva, o Canhotinha de Ouro falou sobre o futuro do Canto do Rio e do futebol nacional, além de seu projeto social com possibilidade da ampliação para terras gonçalenses.

O que significa voltar ao Canto do Rio?

É voltar as origens. Eu comecei no Canto do Rio como atleta de futebol de salão, depois fomos para o campo como infantil, depois o juvenil e após isso fui para o Rio jogar no Flamengo e começou a fase mais profissional. Depois de ter rodado vários clubes, além da Seleção Brasileira, volto ao Cantusca para ajudar a colocar ele no lugar de origem: a primeira divisão. E eu tenho certeza que vai acontecer, principalmente, com esse trabalho que está sendo iniciado aqui em São Gonçalo.

O que falta ao Canto do Rio para voltar aos tempos de ouro?

O trabalho está sendo reiniciando com melhor qualidade. Esse grupo que assumiu agora o clube, se chegasse três anos antes, já estaríamos na primeira divisão tranquilamente sem problema nenhum, como estivemos perto de ganhar o carioca ano passado num trabalho curto. Então se esse trabalho fosse iniciado antes, já estaríamos na elite do campeonato com facilidade. Time nós temos, administração também e base é o que temos de melhor. Não existe time de primeira divisão que tenha um CT como esse que estamos fazendo no Clube Mauá. Sem contar a parceria que temos com o Botafogo no Caio Martins. 

O que a volta do Cantusca representa para o futebol metropolitano?

Representa a mesma coisa que os quatro grandes do Rio representam para a cidade da Guanabara, nós não devemos nada a ninguém e eles não nos devem nada. Vamos fazer o futebol da cidade voltar às origens de um bom jogo, do celeiro de craques que são Niterói e São Gonçalo. Daqui saiu o mestre que foi o Zizinho. Então não precisa dizer mais nada, a raiz está aqui.

Como está sendo o trabalho feito no Canto do Rio? 

Acho que está sendo um trabalho diferenciado, daqui podem sair excelentes jogadores. A estrutura está aqui, se pegar todos os clubes do Rio quase nenhum tem o que estamos fazendo no clube. Então é mais fácil a gente chegar que qualquer outro, criança não falta, este CT vai ser pequeno para a quantidade de molecada.

Pretende trazer seu projeto social para São Gonçalo?

Já está implantado aqui, vou trazer o projeto “Instituto Gerson Canhotinha de Ouro” aqui para o Clube Mauá, 100% de toda a minha estrutura vem para cá junto com o Canto do Rio. E eu vou tentar completar com essa estrutura o projeto social, então teremos dois centros do instituto, um no Caio Martins, em Niterói, e outro aqui no Clube Mauá, em São Gonçalo.

Que história é essa de ser profissional de atletismo no Canto do Rio?

Eu cheguei a fazer atletismo no Canto do Rio. Chegou o professor de atletismo no meio do meu treino de futebol de salão perguntando quem queria competir pelo Cantusca um campeonato de atletismo, estavam faltando dois atletas para ir no campo do Vasco para correr. Eu e um amigo nos voluntariamos, entramos no ônibus e fomos, sem saber nada sobre o esporte, mas era pelo Canto do Rio, então falei que iria. Quando cheguei lá que me explicaram mais ou menos as regras e como funcionava o esporte, e não é que eu cheguei em primeiro! Aí o professor pediu para me colocar no time de atletismo, eu neguei na hora, falei “agora eu vou voltar para o meu futebol”.

Quais são os prós e contras do futebol moderno em relação ao clássico?

Na minha época é mais ou menos assim: 80% de técnica 20% de física, hoje é o contrário. Hoje é um futebol mais tático, que eu não gosto, prefiro um futebol mais técnico, porque eu vim desse futebol, eu recebi dele, junto da geração anterior a mim. Logicamente você tem que ter um esquema e variações dentro desse esquema, mas para você fazer isso tem que ter jogadores e, atualmente, a maioria não sabe jogar, isso não é futebol. No Brasil hoje tecnicamente falando o nível está muito baixo, os que se destacam vão embora, os que ficam são ruins, aí 30 anos depois os bons que saíram do país estão voltando e ainda jogam porque tecnicamente são bons apesar de serem velhos. 

O que você espera para o Cantusca em cinco anos?

Eu tenho certeza que o Canto do Rio estará brigando com os grandes do Brasil, porque estamos montando um trabalho e uma estrutura para isso, estrutura de campo, que era o que faltava para o clube. Isso aqui é o começo que muita gente grande não teve, e nós estamos tendo, por isso eu confio muito neste trabalho.

Reportagem: Davi Fernandes

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