quinta, 01 de outubro de 2020

A trama sombria de Flordelis

Deputada acusada de tentar matar o marido por diversas vezes. Foto: Arquivo / Wallace Rosa

“Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”

O trecho do versículo bíblico Lucas 12 serviu de inspiração para o nome da operação policial que terminou com sete envolvidos no crime presos e revelou também que a deputada federal Flordelis (PSD) como mentora do crime. Menos de 24 horas antes de ser presa, a parlamentar e pastora evangélica celebrou um culto e umas das igrejas que administra. O encontro de fé foi transmitido ao vivo pelas redes sociais e contou com mais de 12 mil visualizações.

Celebração teve mais de 12 mil visualizações. Foto: Reprodução de vídeo

Em um dos momentos do culto a deputada cantou um hino e usou a legenda ‘Vai passar! Ainda não chegou no seu limite, vai passar!”

Vida de mentiras

Durante entrevista coletiva na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, o delegado da Divisão de Homicídios (DH) de Niterói e São Gonçalo, Allan Duarte, disse que o objetivo específico da família era eliminar a vítima para alcançar rumos maiores financeiros e políticos. 

“É importante desconstruir essa imagem de decência e de pessoa caridosa que ela tinha, que vendia esse enredo com objetivo de chegar à Câmara dos Deputados  para depois tratar dessa pessoa[o pastor], que a auxiliou, como objeto”, revelou.

Sobre a participação da deputada no crime. Allan Duarte afirma que a polícia tem um conjunto de provas que comprovam o fato.

“Temos provas técnicas que foram confrontadas com termos de declarações, inclusive o dela [deputada], que é bem vago de contradições. Ela além de arquitetar todo o plano criminoso, financiou a compra da arma, convenceu pessoas a praticar o crime, avisou sobre a chegada da vítima ao local  e ainda tentou ocultar provas. O que não resta dúvidas da sua autoria intelectual do crime. Esses são os fatores que determinaram o indiciamento dela”, explicou o delegado.

O promotor Sérgio Luiz Lopes Pereira, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, afirmou na coletiva que as investigações mostraram que  Flordelis não queria se separar do marido para não manchar sua imagem de líder religiosa. 

“Quando ela fala com um dos filhos sobre os planos de matar Anderson, ela disse: ‘Fazer o quê? Se eu separar dele, vou escandalizar o nome de Deus’’, contou o promotor. 

Promotor Sérgio Luiz Lopes Pereira (Gaeco)

Dormindo com o inimigo

Ainda durante a coletiva, a polícia informou que ao todo foram oito tentativas de morte contra o pastor antes que o crime de fato fosse consumado. Seis delas por envenamento, que começou um ano antes do crime, e mais duas que forjariam um roubo de carro que terminaria com a morte do pastor, disse a polícia.

Segundo o Gaeco, como as tentativas de envenar o marido haviam sido frustadas a deputada começou então a arquitetar, com seus cúmplices, um latrocínio.

De acordo com a polícia, a primeira tentativa de forjar o assalto para matar o pastor aconteceu quando ele foi comprar um carro em um concessionária na Barra da Tijuca.

“Ela foi tão cautelosa e pediu ao executor que não atigisse outra pessoas que estivesse no carro. No entanto, o crime não se concluiu porque um familiar estava com o pastor”, afirmou.

A segunda tentativa de simular o latrocínio foi na saída de uma das igrejas que o casal liderava. Mais uma vez houve frustação, pois devido a um problema no veículo o pastor saiu com um outro carro. Como o executor estava a espera do carro do pastor, os planos foram mais uma vez por água abaixo.

Desta vez, um criminoso contratado pela neta da deputada foi até a igreja cobrar o valor de R$ 2 mil pelo crime, mas ela não estava. Segundo a polícia, quem realizou o pagamento foi um dos filhos adotivos da parlamentar que foi preso nesta quinta-feira (24).

De acordo com a denúncia do MP, o homicídio foi cometido por meio cruel, tendo em vista que o pastor por alvejado por dezenas de disparos de arma de fogo, inclusive na região próxima às genitálias. O documento diz ainda que a vítima agonizou com intenso e desnecessário sofrimento até a sua morte.

Segundo o promotor do Gaeco, as investigações mostraram que Flávio tinha um histórico de violência e constantemente mostrava armas e cartuchos para a ex-esposa dizendo que alguns eram para ela.

Ainda de acordo com o promotor, o autor dos disparos [Flávio], antes do crime estava fazendo um curso de como atirar com pistolas. Essa informação a polícia descobriu durante as buscas e apreensões. O tipo de arma que autor fazia o curso, era exatamente o mesmo que ele utilizou para realizar os disparos e que comprou por R$ 10 mil em uma favela do Rio.

Defesa

O advogado Anderson Rollemberg, que defende a deputada federal Flordelis (PSD), afirmou não ver elementos que sustentem a denúncia contra ela. Segundo o defensor, que alega só ter tido acesso pleno à investigação nesta segunda-feira, não há elementos nos autos que justifiquem a denúncia contra sua cliente.

“Temos aqui o desfecho da segunda fase da investigação, em que a autoridade policial apontou que a deputada Flordelis seria a mandante deste crime. Ao ver da defesa, não há elementos, mínimos que fossem, para ela receber esse tratamento de ser indiciada, denunciada, como mandante desse terrível crime”, disse Rollemberg.

Segundo ele, as mensagens encontradas pela polícia no celular da deputada não foram escritas por ela, mas sim por uma das filhas, que tinha acesso ao aparelho.

“Foi feita uma ginástica muito grande para colocar a deputada como mandante desse crime e também para prender os filhos. Não era a deputada que fazia a digitação para o Lucas [um dos filhos, presos no primeiro momento]. Era uma das filhas. Já foi desde o início esclarecido, no primeiro momento das oitivas, que ocorreram logo após o fato. Vejo fora do contexto se utilizar dessas mensagens para incriminá-la. Se for só isso, não há motivo sequer para ela ser denunciada como mandante”, destacou Rollemberg.

Com Agência Brasil.

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