quarta, 23 de setembro de 2020

Abaixo-assinado reúne milhares pela liberdade de músico preso em Niterói

Familiares de Luiz Carlos á espera da soltura do músico. Foto: Marcelo Tavares

A família do músico Luiz Carlos da Costa Justino, de 23 anos, morador da comunidade da Igrejinha, no Largo da Batalha, em Niterói, acusa autoridades de uma ‘prisão injusta’ e tenta provar a inocência do jovem, preso na noite desta quarta-feira (3), no Centro de Niterói. 

Pela internet a comunidade da Grota fez um abaixo-assinado, iniciado nesta quinta, exigindo a libertação do músico e em menos de 24 horas já são quase dez mil assinaturas registradas.

“O tio dele me ligou informando que meu filho estava detido por conta de um mandado de prisão, referente a acusação de um roubo em 2017, em Vila Progresso, Pendotiba. Quem olha para ele, vê que é um menino carismático. Meu filho tem medo de barata, quem que tem medo de barata vai assaltar? Eu espero que a justiça seja feita e que meu filho seja liberado. A justiça divina é aquela lá de cima e nós contamos com ela. Creio que ele vai ser liberado sim”, disse a mãe, Angélica da Costa, de 40 anos. 

Segundo Alexandra Seabra que é professora de música da Orquestra de Cordas da comunidade da Grota, onde Luiz Carlos é membro desde os seus sete anos de idade, a acusação foi de um crime cometido às 8h30 do dia 5 de novembro de 2017, mas no mesmo horário ele estava tocando em uma padaria junto com o primo e o tio, em Piratininga. Ainda de acordo com a professora, eles tinham contrato com o estabelecimento que foi renovado em 2017, eles tocaram até o final de 2019.

De acordo com a família do músico, que é casado e tem uma filha de 3 anos, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), se prontificou em ajudar no que for possível. 

O prefeito se pronunciou pela internet a respeito usou uma rede social para se pronunciar sobre o caso. 

“O Luiz Carlos ainda está detido. Evidentemente que decisão judicial deve ser cumprida, mas não poderia deixar de me pronunciar sobre o caso. Um jovem, músico, negro e morador de uma comunidade está sofrendo, ao que tudo indica, uma injustiça. Peço atenção a esse caso grave contra um jovem niteroiense de uma comunidade de nossa cidade. Que o mais rápido possível o recurso judicial feito pelo advogado da família seja acolhido e que Luiz Carlos seja colocado em liberdade”, disse Neves. 

O advogado de defesa, Renan Gomes, confirmou a versão da família e esclareceu que: “O Luiz Carlos fez uma apresentação no Centro de Niterói durante a noite e depois parou para bater um papo com os amigos, quando foi abordado por agentes do Niterói Presente, que só aborda jovens, negros, pessoas com cara de pobre. Na hora Luiz Carlos estava sem a identidade, como de padrão ele foi levado para a delegacia e encontraram o mandado de prisão contra ele, mas até então ele não sabia”.

Em vídeo gravado no dia do crime, Luiz Carlos aparece em apresentação. Imagens: Rede Social

Ainda de acordo com o advogado, a defesa já esteve no fórum nesta quinta solicitando a revogação da prisão, mas foi negada pela juíza.

“Tem provas explícitas de que não foi ele que cometeu o crime. O único envolvimento dele com a questão foi o reconhecimento facial, em que são colocados milhares de jovens parecidos. É muito fácil no calor da emoção a vítima apontar para qualquer um”, disse o advogado. 

O crime de 2017 foi registrado na Delegacia de Jurujuba (79ª DP) e o mandado de prisão foi expedido pela 2ª Vara Criminal de Niterói. 

“A vida dele é a música, meu irmão é uma pessoa dócil. Foi um choque para a gente saber dessa notícia. Ele ficou desesperado. Nós estamos tentando provar a inocência dele”, disse a irmã do músico, Andresa da Costa Justino, de 25 anos. 

Segundo a Polícia Militar, Luiz Carlos foi detido por agentes do Programa Niterói Presente na Avenida Visconde do Rio Branco, atrás do Shopping Bay Market, por volta de 19h40. A equipe fez a abordagem e nada de ilícito foi encontrado, porém, após consulta à documentação, os agentes identificaram um mandado de prisão em aberto. Ele foi levado para a Delegacia do Centro (76ª DP), onde foi preso. 

O coordenador operacional do programa Segurança Presente, Major David, emitiu nota sobre o caso: 

“Quando realizamos a abordagem de indivíduos em fundada suspeita, além da realização da busca pessoal, mais conhecida como ‘revista’, consultamos um banco de dados nacional , onde verifica-se a situação judicial do referido indivíduo.  Caso haja qualquer tipo de pendência judicial, encaminhamos à Distrital da circunscrição para confirmação dos fatos. Nesse caso específico, o nacional encontrava-se com mandado de prisão expedido por roubo majorado.  Nessa situação fática o mesmo não fosse preso, todos os policiais responderiam por prevaricação, tanto os policiais civis quanto os militares. Na ideia do mesmo ser inocente, conforme apregoam nas redes sociais, o erro jamais pode ser atribuído aos policiais militares do Niterói Presente, já que só fizeram cumprir a ordem judicial”.

Entretanto o militar não esclareceu por qual motivo o músico foi abordado e as definições do que seria ‘atitude considerada suspeita’.

Crime em 2017

Segundo o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Jurujuba (79ª DP), o crime do roubo aconteceu na Avenida Nelson de Oliveira e Silva, próximo ao Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO), de Vila Progresso. Um veículo, modelo HB20 de cor preta, estava parado na altura do número 1381 com dois criminosos e outro carro, modelo Prisma de cor prata, estava parado ao lado, com quatro criminosos, todos armados.

Ainda segundo o boletim, quatro bandidos desceram e assaltaram a vítima. Ainda de acordo com o inquérito, a vítima teria reconhecido por fotos Luiz Carlos entre os assaltantes.

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1 thought on “Abaixo-assinado reúne milhares pela liberdade de músico preso em Niterói

  1. É sempre muito estranho que a justiça se negue a comparar os fatos, sendo ela um poder mediador, existe um alibe, uma evidência de inocência..

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