Acusação de racismo em escola particular de Niterói

Aluno teria chamado o professor de ‘macaco’ através do chat. Foto: Ramon Ribeiro

Um professor de história, de uma tradicional escola particular de Niterói, foi alvo de racismo durante uma aula que estava sendo transmitida ao vivo em uma plataforma disponibilizada pela unidade. O caso aconteceu no último dia 18 (quarta-feira), por volta de 12h.

Segundo denunciado por pais de alunos, um estudante do 7° ano teria, através do chat, enviado uma mensagem chamando o professor de ‘macaco’ com sons do animal ao fundo. O estudante teria utilizado um alterador de voz esperando não ser identificado. O fato foi assistido por demais alunos da mesma série.

“Minha filha é da turma B e o aluno [que cometeu o ato racista] da turma F. Porém, durante a pandemia, todos os estudantes do 7° ano fazem aula juntos. São mais de 100 alunos. No término de todas as aulas, os professores abrem um chat para que os alunos tirem dúvidas. Nesse chat, esse adolescente enviou o comentário racista. Logo após, vários alunos criticaram a atitude do menino”, informou a dona de casa Claudia Abreu, de de 51 anos.

Claudia ainda explicou que, no dia seguinte ao ocorrido, o professor, antes da aula, estava visivelmente triste e constrangido diante dos estudantes. Momentos depois, o aluno enviou um pedido de desculpas, também através do chat, explicando que tinha se excedido.

“O colégio enviou para os pais, através do e-mail, uma nota de repúdio. Mas acho pouco, porque esse caso tem que servir de exemplo para que outros não voltem a acontecer. O professor tem total apoio dos pais e responsáveis. Os alunos também ficaram muito indignados. Foi um caso muito chocante. Ele é um professor muito tranquilo, educado e calmo”, emendou Claudia.

Renata Motta, 37, que é administradora de empresas, foi quem expôs o caso nas redes sociais. Através da publicação, ela alcançou centenas de pessoas que apoiaram o professor.

A administradora é mãe de duas crianças negras e moradora de Itaipu, na Região Oceânica de Niterói. Apesar dos filhos estudarem em outra escola particular da cidade, ela contou que o fato chocou por acontecer tão próximo, e depois de tantas ocorrências e debates sobre o assunto.

“A escola deveria se posicionar de alguma forma. Nesse momento, é preciso fazer algo. O professor não poderia ser o único a fazer algo. Sou mãe e vejo de perto as escolas se retraindo por receio de algumas posturas. Muitas escolas, infelizmente, estão nas mãos dos pais. O racismo existe e esta é uma luta. As famílias não falam sobre o tema”, explicou Renata.

Indignados com a postura da escola, pais de alunos da referida unidade escolar resolveram alcançar o maior número de pessoas para que a escola tenha outra postura.

“A gente ficou indignado com a postura do colégio. Ontem [domingo, 28] fizemos uma campanha de divulgação, através da minha esposa, Soraia, para poder ver quem poderia nos ajudar nessa causa. Em um dado momento, uma pessoa explicou que vai entrar com um processo para ajudar o professor. Porém, a gente não conseguiu contato do professor e não sabemos mais como proceder. É um crime e a gente entende que ele [o professor] está se sentindo amedrontado, com medo de represálias da escola”, defendeu Christie Braun, enfermeira e professora, mãe de outro aluno do 7° ano.

Confira a nota da escola, enviada através de e-mail para os pais de alunos:

Estimados alunos, pais e responsáveis, saudações!

A Direção tomou ciência, por meio da coordenação pedagógica dos Anos Finais e vem, por intermédio desta nota, manifestar seu repúdio, bem como a preocupação, diante do lastimável comportamento ocorrido no âmbito deste Colégio.
No dia 18 de junho de 2020, aproximadamente às 12h, durante a aula online de História, um aluno do 7º ano enviou, via chat da plataforma disponibilizada, palavras de cunho racista direcionadas a um professor, fato assistido pelos demais alunos do 7º ano.
Ressaltamos que a Direção e toda a equipe pedagógica estão irresignados com o fato ocorrido e nos solidarizamos com o professor.
O colégio repudia, de forma veemente, toda e qualquer forma de preconceito. Esse comportamento execrável compõe de maneira indelével o racismo estrutural que funde a sociedade brasileira e, portanto, merece atenção redobrada, tendo em vista os crescentes casos dessa modalidade de preconceito no país.
O ato de discriminar fere os princípios da dignidade da pessoa humana e viola os Direitos Humanos. Por isto, precisamos realizar um forte trabalho de conscientização em casa e no colégio, combatendo atitudes de preconceitos nos diferentes espaços que ocupamos, inclusive no ambiente virtual.

Procurada, a escola informou que os responsáveis pelo aluno envolvido no ato estão cientes, respondendo pela ação do estudante e em diálogo com a equipe pedagógica e diretiva, tendo sido informados sobre as penalidades envolvidas no processo. A unidade salientou que está seguindo as orientações do regimento interno da instituição e foram atribuídas punições, algumas já cumpridas e outras em andamento, uma vez que avançam para as medidas judiciais.

“O professor, que é coordenador da área de ciências humanas e, que foi vítima do ato, está sendo acompanhado e atendido pela equipe pedagógica e participa da criação de um comitê interno que promoverá ações de conscientização e debates sobre o tema, além de participar da elaboração de políticas e da orientação dos docentes para abordagem do tema nos diferentes contextos em sala de aula”, explicou a nota.

Publicada às 14h20 e atualizada às 19h de terça-feira (30).

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7 thoughts on “Acusação de racismo em escola particular de Niterói

  1. Porquê por ser um colégio “tradicional de Niterói” não se revela o nome do Colégio??
    Se fosse um público, teria o mesmo tratamento por esse estimando meio de comunicação?

  2. Embora emitindo nota de total repudio, e apoio ao professir ofendido, a escola deve se isentar de culpa uma vez que a manifestação deplorável do aluno, não seguiu orientação da escola e sim ds influência condenável de Sua péssima formação na educação.

  3. Estão fazendo uma tempestade contra a escola, que já se manifestou de maneira adequada, quando as reações deveriam ser contrato aluno e a família dele que é responsável por sua educação.

  4. É o Abel…que culpa tem a escola…
    Quem tem que responder são os PAIS, PONTOOOOO.

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