segunda, 30 de novembro de 2020

Carnificina: o modus operandi do tráfico em São Gonçalo

Amendoeira é um dos bairros que mais registra mortes pela mão do tráfico. Foto: Arquivo/Pedro Conforte

Morador de comunidade em São Gonçalo, cidadão X, de 25 anos, sai de casa e ao passar por outra comunidade na cidade acaba capturado por traficantes atuantes na região. Tratado como residente de uma área dominada por bandidos rivais ele é torturado e morto. O exemplo é apenas para revelar um dos detalhes de homicídios investigados pela Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG), em que 80% são cometidos por traficantes, apenas esse ano, no segundo município mais populoso do Estado.

De acordo com o delegado Mário Lamblet, responsável pela investigação de homicídios nas áreas pertencentes às delegacias do Alcântara (74ª DP) e Rio do Ouro (75ª DP), oito em cada dez homicídios no município são oriundos de ações criminosas, que buscam demonstração de poder.

De janeiro a setembro deste ano foram registrados 212 homicídios em São Gonçalo. Destes, a estimativa é que 170 sejam resultantes de disputas pelo controle do tráfico de drogas em comunidades.

“Durante as investigações de alguns homicídios registrados neste ano, percebemos que a ‘linha do tempo’ da morte é a mesma em diversos casos. A pessoa sai de casa, passa por uma área de uma facção rival a que controla a sua localidade, é reconhecida por traficantes e, em seguida, executada. As motivações são diferentes, existem crimes por dívidas relacionadas ao consumo de drogas, traições por mudanças de facção, relacionamentos com mulheres de criminosos, etc… A motivação pode ser diferente, mas a autoria, em sua grande maioria, é de criminosos ligados a alguma facção”

Mário Lamblet, delegado da Divisão de Homicídios

Segundo o delegado, os bairros mais atingidos pela disputa de controle do tráfico de drogas são Amendoeira, Coelho, Almerinda, Jóquei, Vila Candoza, e Pacheco – região com criminosos das duas principais facções do Rio, Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) -, região que sofre com intensa ‘guerra’ armada.

Show do horror

Corpos esquartejados são expostos nas comunidades. Foto via grupo Plantão Enfoco

No início deste mês, traficantes ligados a facção Comando Vermelho (CV) gravaram os últimos momentos de vida de um “rival”, no bairro Coelho. No vídeo, os acusados brincam com a morte da vítima e gravam o homem dentro de um carro sendo transportado para o local da execução. Os policiais encontraram o corpo do alvo, que teria pulado de facção, na Rua Professor Firmino Cardoso. 

“Essa guerra de facções já vem se perdurando por um longo período e acaba gerando esse conflito entre os criminosos de facções diferentes. Em alguns casos, eles se utilizam de fotos e vídeos para demonstrar força e provocação. Eles utilizam a internet tanto para provocar os rivais quanto para ostentar armamentos e divulgar bailes funk”, explica o delegado.

A informação que as autoridades possuem sobre a investigação desse caso é que o homem havia pulado de facção criminosa e estava sendo caçado por criminosos do Comando Vermelho (CV). Ele teve a cabeça arrancada do corpo, e foi encontrada pelos policiais em um lençol. 

Modus operandi

Carro utilizado pelos militares foi abandonado no Coelho por traficantes rivais. Foto: Arquivo/Ibici Silva

Em alguns dos casos as vítimas são levadas para o interior das comunidades e sofrem com a brutalidade oriundas do ódio e desejo de poder dos criminosos. Com o aval do líder do tráfico local, além de atirar nas vítimas, os arautos do crime chegam a arrancar partes do corpo das vítimas.

Além disso, segundo a polícia, outro ato comum dos traficantes é ir até a área controlada pelo grupo rival, sequestrar integrantes da outra facção, executar e ‘desovar’ o corpo na mesma área em que houve o sequestro, com o objetivo de demonstrar poder, além de tentar confundir a investigação da polícia. 

Em alguns casos, traficantes matam e incendeiam os corpos, como aconteceu com os soldados do Exército Victor Hugo Xavier, de 18 anos, e Daniel Ferreira de Azevedo, de 19, assassinados por bandidos ligados a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), em julho deste ano. Na busca por confundir os policiais, os bandidos abandonaram os corpos dos militares na Rua Francisco José da Silva, no Pacheco, área controlada pelo Comando Vermelho (CV).

“Estamos atentos nesse sentido, é preciso ter bastante cautela e buscar detalhes dos homicídios, como fazemos em todos os casos”, conclui o delegado. 

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','https://www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-1023799-1', 'auto'); ga('send', 'pageview');

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *