quarta, 23 de setembro de 2020

Cresce a violência sexual contra crianças em Maricá

brinquedos, agressão infantil, crianças
Foram dez casos registrados apenas neste primeiro semestre. Foto: Pedro Conforte

O número de casos de violência sexual infantil cresceu em Maricá no primeiro semestre deste ano, em comparação com 2019 e 2018, segundo o Conselho Municipal da Criança e Adolescente (CMDCA). De acordo com os dados divulgados, mais de 20 casos suspeitos de abuso e exploração sexual foram registrados, o que representa aumento entre 10% e 20%, respectivamente, em relação aos anos anteriores.

Segundo o conselho, os crimes seguem em sigilo de Justiça para que a investigação não seja prejudicada, mas a maioria dos casos é praticada por familiares ou pessoas mais próximas das vítimas. Registros apontam que a violência é cometida, principalmente, na casa do abusador ou da própria vítima.  

O presidente do CMDCA de Maricá, Alan Christi, explica que além do abusador fazer parte do convívio das vítimas, a maioria das violências é praticada mais de uma vez.  

“O abuso sexual se desenvolve no ambiente intrafamiliar ou envolvendo relações domésticas com a vítima, tendo quase sempre proximidade com o abusador. Com isso, os casos demoram a ser identificados e, consequentemente, as vítimas sofrem mais de uma vez. Quando cometido com crianças muito novas, demora ainda mais a ser descoberto porque a vítima não tem discernimento para identificar o ato e nem condições de se defender”, explica.

Homens são os principais autores de violência sexual tanto contra crianças e adolescentes. Segundo o especialista, entre os abusadores e exploradores existe o ciclo da violência sexual.

“Os abusadores acabam criando um ciclo de abuso, na maioria dos casos, o abusador começa com uma, depois vai para outra e o ciclo só aumenta, podendo envolver várias vítimas e levando muitas vezes à transmissão familiar do ciclo de violência. Por isso, quando identificado um caso, é preciso fazer a intervenção com todos para poder identificar se tiveram mais vítimas”

Alan Christi, presidente do CMDCA de Maricá

De acordo com o Ministério da Saúde, a ocorrência do estupro reflete diretamente na saúde física, mental e sexual de crianças e adolescentes, além de aumentar a vulnerabilidade das violências na vida adulta. Crianças e adolescentes do sexo feminino também são maioria entre as vítimas de violência sexual. 

Lei

O artigo 217 – A do Código Penal estabelece que o estupro de vulnerável consiste na prática de conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menores de 14 anos, ou contra pessoa que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

Como identificar uma vítima

Também psicólogo, o presidente do CMDCA Maricá explica que é importante prestar atenção nas mudanças de comportamento das crianças e adolescentes.

“É preciso observar quando há um isolamento maior, quando há alteração de comportamento na presença de certas pessoas, até mesmo da própria família, verificar se existe resistência a um toque, um abraço ou medos injustificáveis. Identificar alterações a níveis físicos como lesões nas crianças, verificar um corrimento, relatos de dor na região sexual que podem identificar o abuso”, pontua.

O especialista ainda ressalta que outro ponto é a manifestação precoce de comportamentos sexuais, que não correspondem à faixa etária da criança. Outro fator significativo são as consequências que a violência sexual pode trazer a essas vítimas.

“Criança quando sofre o abuso, em sua maioria, desenvolve a sexualidade mais cedo e passa a referenciar isso com muito mais frequência. Toda essa violência traz consequências irreparáveis à vítima, que desenvolve baixa autoestima, depressão, mutilação, medo, vergonha e culpa. Isso tudo pode levar até ao suicídio”, explica.

Para reduzir os riscos emocionais da vítima, segundo o psicólogo, é necessário estabelecer o diálogo, confiabilidade e a procura de um profissional.

“Se não houver a confiabilidade, a vítima vai sempre optar por não revelar o crime. É importante criar um ambiente de suporte e conforto muito grande, para que exista a cicatrização dessa ferida. É necessário um suporte integral e interdisciplinar. Quando identificado o crime, é importante procurar uma ajuda profissional e também as medidas legais cabíveis que visem em especial a esta criança”, explicou.

Denúncia

Para denunciar o crime em Maricá foi criado o Disque 100 (a ligação é gratuita e o anonimato é garantido) para denúncias de assédio e exploração sexual de crianças e adolescentes.

As denúncias também são recebidas nos dois núcleos do Conselho Tutelar do município ou pelo e-mail do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), vinculado à Secretaria de Assistência Social.

Contatos:

Conselho Tutelar 1 – (21) 96675-2463

Conselho Tutelar 2 – (21) 96675-3536

Disque 100

(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){ (i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o), m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m) })(window,document,'script','https://www.google-analytics.com/analytics.js','ga'); ga('create', 'UA-1023799-1', 'auto'); ga('send', 'pageview');

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *