terça, 27 de outubro de 2020

‘Desesperador’, diz músico de Niterói sobre dias na prisão

Músico deixou o presídio no início da tarde deste domingo (6). Foto: Ramon Ribeiro

Após quase cinco dias preso, o músico de Niterói, Luiz Carlos da Costa Justino, de 23 anos, deixou o Presídio Tiago Teles de Castro Domingues, em Guaxindiba, São Gonçalo, no início da tarde deste domingo (6). O violoncelista da Orquestra de Cordas da Grota conseguiu o alvará de soltura após decisão do juiz André Nicolitt, na noite deste sábado (5).

Ele estava custodiado no Complexo Prisional de Benfica, no Rio, mas foi transferido para aguardar o cumprimento da decisão. A medida atende ao pedido, de caráter liminar, apresentado pelo advogado da família do jovem, que é morador da comunidade da Igrejinha, no Largo da Batalha. Com a suspensão da prisão preventiva, Luiz Carlos responderá em recolhimento domiciliar.

“Foi muito difícil para mim estar lá pagando por uma coisa que eu nunca fiz. É desesperador, eu nunca me imaginei dentro de uma prisão. Se eu estou correndo, tentando lutar contra o sistema é justamente para que isso não acontecesse. Por que eu vou ser acusado de uma coisa que eu não fiz? Aquilo lá não é lugar para ninguém”, comentou o músico, na saída da unidade.

Sônia Ferreira Soares, da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), falou sobre a prisão do jovem.

“A prisão foi arbitrária, ele se quer deveria está preso, foi um processo que não houve nenhuma citação dele, ele não foi chamado para comparecer em delegacia, e foi surpreendido pela prisão preventiva. Nós juntamos provas que no momento do crime ele estava trabalhando”, disse.

O músico foi preso na última quarta-feira (3), durante uma averiguação feita por agentes do programa Segurança Presente, no Centro de Niterói. Ele foi acusado de ter praticado um assalto em 5 de setembro de 2017 na Vila Progresso, em Pendotiba, e por isso contra o músico constava um mandado de prisão preventiva em aberto. Entretanto, de acordo com a família, no mesmo dia e horário, o jovem estava se apresentando em uma padaria, na companhia de outros músicos.

Pelas redes sociais a comunidade da Grota chegou a abrir um abaixo-assinado exigindo a soltura do músico e cobrando apuração nas investigações que teriam levado Luiz Carlos à cadeia. Até a tarde deste domingo, mais de 24 mil assinaturas já estavam registradas.

O violoncelista estava custodiado no Complexo Prisional de Benfica, no Rio. Na tarde de sábado (5), amigos, parentes e músicos da orquestra se reuniram em frente à unidade para um manifesto cultural pela liberdade do jovem.

“Eu não sei nem como agradecer tanto carinho. Se não fosse por cada um que assinou, eu poderia estar lá até agora, sofrendo. Você fica ainda mais amargurado porque está pagando por uma coisa que você não fez. Só quem passa por lá, sabe o sofrimento que é. Só quero agradecer a todos que tiraram um pouco do tempo para me ajudar, para fazer justiça por mim”, agradeceu o jovem.

Publicada às 12h40

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