sábado, 26 de setembro de 2020

Misael sobre Flordelis: ‘Era Deus no céu e ela na Terra’

Misael é um dos filhos adotivos da pastora. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Registrado no nascimento como Wagner de Andrade Pimenta, logo tornaria-se Misael ao ser adotado pela deputada e pastora Flordelis (PSD). Após romper laços com mãe adotiva – acusada de ser mandante do crime que vitimou o próprio marido, o pastor Anderson do Carmo – aos 42 anos, o vereador decidiu falar sobre a trajetória no lar cercado de intrigas. Pela internet o vereador de São Gonçalo falou, na noite desta terça-feira (8), em uma transmissão ao vivo em um canal pelo Youtube, detalhes da infância no Jacarézinho, no Rio, e relatou que, atualmente, teme pela própria vida.

“Foram 30 anos dedicados a uma família e você não pega uma borracha e acaba com a história. Infelizmente, teve um erro grande, gravíssimo, quase imperdoável, mas tem que haver o arrependimento de dentro para fora. Ver que a ficha caiu, acabou ministério, acabou a vida pública que todos nós ajudamos a construir, a carreira como cantora”, afirmou.

De acordo com Misael, ele conheceu Flordelis aos 12 anos, após contato em uma igreja pequena no interior da comunidade do Jacarézinho, na Zona Norte do Rio. Na época, segundo o vereador, a mãe afetiva ainda não era titular da congregação, mas que já tinha iniciado o novo formato de família.

“O André (também filho afetivo, André Luiz de Oliveira, preso na última operação da DH) me convidou para ir na casa dela, conhecer como que era, ficar com os adolescentes. Fui um dia e gostei, porque na comunidade era um atrativo, era um novo pra mim, que tinha 12 anos. Eu tinha um videogame, levei para casa e foi a sensação do momento. Dormi uma noite, passei um dia inteiro e acabei ficando como filho morando lá e abandonando minha família biológica”, explicou.

Os pais de sangue, que ele identificou apenas como dona Áurea e seu Edson, tentaram insistentemente trazê-lo de volta para casa. Entretanto, Misael diz que passou por um processo de convencimento forte por parte da pastora, que era dura com as palavras:

‘Hoje a sua família somos nós, Deus é seu Pai, esquece eles’, é o que ela me dizia.

Misael

Segundo Misael, quando ele chegou à casa, o pastor Anderson do Carmo era sim um dos filhos afetivos de Flordelis. O vereador confirmou ainda que, antes de casar com a matriarca, Carmo também namorou com uma das ‘irmãs’, Simone dos Santos Rodrigues, alvo da última operação da Polícia Civil. O relato do parlamentar vai contra as afirmativas da deputada, em entrevista recente ao canal aberto SBT.

“Ela desmentiu muita coisa. Mas uma coisa tão real como essa que todo mundo sabe, para que mentir? E, é errado eles terem namorado?”, questionou Misael.

Plano

De acordo com Misael, o pastor Anderson do Carmo descobriu, meses antes do assassinato, da existência de um plano arquitetado inicialmente por dois filhos. O ‘patriarca’ da família costumava usar um tablet para anotar pregações e sermões. E foi no aparelho que acabou tendo acesso a mensagens comprometedoras, segundo o vereador.

“Foi instantâneo, na hora que eu peguei o celular naquela madrugada e me disseram ‘balearam o pastor Anderson’, eu e minha esposa falamos no automático: conseguiram. Por que? Em março de 2019, ele veio até nós para contar que tinha no Ipad (tablet) dele uma mensagem de um plano macabro que estavam fazendo contra a vida dele. Perguntamos se ele já tinha conversado com a mãe, mas ele pediu para a gente ficar quieto que ele iria resolver e acabou acontecendo”, narrou.

Mas, para Misael, o plano tinha uma falha porque eles não sabiam da existência das câmeras de segurança ao longo da rua, onde fica localizada a casa da família, no Sapê, em Pendotiba.

“Nesse plano macabro que tinha, não contavam que a rua era monitorada. Não tinha câmera na nossa casa, nunca teve, mas no vizinho tinha. Ela pega diretamente a subidinha do carro. Não contavam com aquelas câmeras ali”, alertou.

Sobre as sessões de envenenamento, Misael afirmou que percebia as mudanças no corpo do pastor, que emagreceu muito, mas acreditava na época se tratar do problema com ansiedade.

“Ela falava que era remédio, que ele era muito ansioso. Eu não desconfiava que era substância para tirar a vida dele. Hoje, para mim, fora o que eu falei no meu depoimento, muita coisa é surpresa. O que está sendo divulgado na mídia deve ser parte da investigação, imagina o conteúdo que eles têm”, disse.

Ritual

Questionado pelo youtuber sobre a existência de rituais religiosos na casa da família, Misael contou que participou de algumas experiências. Segundo o vereador, ele chegou a ficar 21 dias isolado em um quarto, à base de legumes e água.

“O que eu participava era do quarto de oração, que eu ficava alguns dias orando, o Jejum de Daniel, que eu aprendi através dela, que é a questão de ficar sendo alimentado de água e legume. Foram 21 dias num quarto, orando e lendo a bíblia”, relembrou.

A mudança de nome também foi uma virada de chave na vida dele. De acordo com o vereador, ela o chamou na sala de casa, que também tinha outras pessoas, e o batizou novamente.

“Ela disse ‘a partir de hoje seu nome não é mais Wagner, o Wagner morreu e seu nome é Misael. A partir de hoje você é meu filho’. na época era uma honra, eu gostei muito, porque eu era o filho da Flordelis”, contou.

Medo

Após ser apontado pela própria Flordelis como suspeito do crime, Misael relatou que vive atualmente com medo de sair às ruas. De acordo com o vereador, a família dele já foi ameaçada e até o carro deles foi rabiscado em forma de represália.

“Onde eu vou, a primeira coisa que eu peço é oração, para que Deus me proteja de todo mal. Eu e minha esposa estamos com medo sim, já sofremos ameaça, o nosso carro foi rabiscado. Hoje eu ando na rua apreensivo, evito circular em certos lugares, não ando sozinho e tomo algumas precauções”, afirmou.

Sobre a possibilidade de prisão da pastora, que ele ainda chama de ‘mãe’, Misael afirmou que acredita na punição breve.

“Acho que sim pela consequência, o Brasil da impunidade bem lentamente está ficando para trás. A questão do parlamento do judiciário está mudando, a justiça vai ser feita. O erro vai ter que ter sua consequência e é a prisão”, garantiu.

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