segunda, 21 de setembro de 2020

Morre bebê queimado em hospital de Niterói

Familiares consternados ao receber a notícia no hospital. Foto: Pedro Conforte

A bebê Juliana, de apenas seis meses, que sofreu queimaduras durante uma internação no Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho, no último dia 18, faleceu na tarde desta sexta-feira (28). De acordo com a Polícia Civil, os ferimentos foram causados por um banho quente, com água a aproximadamente 50ºC (celsius), na unidade de saúde do Fonseca, na Zona Norte de Niterói.

A morte foi, inicialmente, confirmada pelo delegado titular da Delegacia do Fonseca (78ª DP), Luiz Jorge Rodrigues, responsável pelas investigações. Inconsoláveis, na tarde desta sexta-feira, os familiares ainda aguardavam na porta da unidade para informações detalhadas da causa da morte. O pai da menina, o cuidador Jefferson dos Santos, de 26 anos, não teve condições de conceder entrevista.

“Está ruim para falar”, disse. A mãe da bebê, Luara Porto Duarte, de 23 anos, precisou receber atendimento médico após a notícia. Por volta das 14h, policiais civis foram ao hospital para auxiliar na remoção do corpo para o Instituto Médico Legal (IML).

“Agora, está todo mundo muito triste. A gente não tem palavras para definir o sentimento da família”, disse uma tia, que se identificou como porta-voz dos familiares.

Procurada, a direção do Getulinho informou que o resultado da sindicância interna constatou as causas das queimaduras após o banho quente. Segundo a Prefeitura, a profissional responsável já tinha sido afastada preventivamente e, após a conclusão da apuração, foi demitida.

“A sindicância atestou que ela não conseguiu verificar corretamente a temperatura da água porque usava luvas. A equipe do Getulinho lamenta profundamente e está prestando toda a assistência necessária à família. A paciente havia dado entrada na unidade com um caso de pneumonia e complicações na traqueostomia. Ela apresentava severo comprometimento neurológico. As causas da morte estão sendo apuradas”, informou a nota.

Para a apuração dos fatos, a direção afirmou que foram ouvidos 12 profissionais de saúde da unidade e analisadas as imagens das câmeras de vigilância. Também foi realizado um levantamento técnico e avaliação dos insumos e equipamentos utilizados no tratamento da paciente, além de análise da água, entre outras medidas.

Caso

O caso veio à tona após uma reportagem do Plantão Enfoco. Segundo a mãe da criança, ela deixou a bebê na unidade para ir em casa, na terça-feira (18), e quando retornou, a menina já apresentava queimaduras graves na metade do corpo. O prontuário médico apontou que a menina teve cerca de 37% do corpo queimado.

Ainda de acordo com a cuidadora, a bebê – que completou seis meses no último dia 13 – nasceu com hidrocefalia e já foi submetida nos primeiros dias de vida à traqueostomia, por conta de uma complicação na região da garganta. A criança também já teria sido acometida por meningite, pneumonia e anemia.

Investigação

Agentes da Delegacia do Fonseca, responsáveis pela apuração policial do caso, realizaram perícia na unidade no dia seguinte ao ocorrido. De acordo com o delegado, após colher depoimentos de testemunhas e da direção do hospital, a técnica de enfermagem do hospital, acusada de ser a responsável pela queimadura da bebê, foi autuada por lesão corporal culposa, quando não há intenção do dolo.

Agora, com a morte da criança, o delegado afirmou que ela poderá responder por homicídio culposo com aumento de pena. Segundo a polícia, a direção do hospital também pode ser responsabilizada pela demora da comunicação do fato à polícia.

Colaboração: Matheus Merlim.

Publicada às 14h15 e atualizada às 17h.

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