quarta, 21 de outubro de 2020

Rio: Tiroteios com múltiplas vítimas diminuíram 20% em maio

Apesar da queda nos casos, 13 civis foram mortos durante uma operação policial. Foto: Divulgação – Agência Brasil

Durante o mês de maio, a plataforma de dados Fogo Cruzado registrou 505 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio, o que representa 27% a menos que o registrado em maio de 2019, quando houve 689 registros.

Também houve queda no número de baleados em maio. Os tiroteios deixaram 168 vítimas, sendo 92 mortas e 76 feridas. Isso representa, 38% vítimas a menos que no mesmo período do ano passado, quando 273 pessoas foram baleadas (137 mortas e 136 feridas).

Em maio, houve 4 casos com 3 ou mais civis mortos em uma mesma situação no Grande Rio, no total, 25 pessoas foram mortas. Em todos eles havia presença de agentes de segurança*. Em comparação com o mesmo período de 2019, houve queda de 20% no número de casos, mas o número de vítimas se manteve igual: em 2019 foram 5 tiroteios com múltiplas vítimas que deixaram 25 civis mortos. Em 4 deles havia agentes de segurança na cena. 

O Fogo Cruzado registrou em maio um dos casos com mais vítimas da sua história. No dia 15, em uma operação policial no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio: 13 pessoas foram mortas e um policial militar atingido por estilhaços. Ficando atrás apenas do caso que ocorreu no dia 8 de fevereiro do ano passado, quando uma operação policial no Fallet/Fogueteiro, em Santa Teresa, na região central do Rio, deixou 13 mortos e 1 ferido. 

Veja mais alguns detalhes sobre a violência armada no Grande Rio em maio:

  • Entre os municípios, o Rio de Janeiro teve o maior número de tiroteios, foram 297 registros, 59% do total acumulado na região metropolitana do estado (505). Na sequência, vem São Gonçalo (64), Niterói (28), Duque de Caxias (27), Nova Iguaçu (25) e Belford Roxo (22). O Rio de Janeiro também concentrou o maior número de baleados, foram 70 pessoas (sendo 41 mortas e 29 feridas), 42% do total registrado no Grande Rio (168).
  • Em comparação com o mês de abril, quando houve 502 tiroteios/disparos de arma de fogo, maio teve leve aumento de 1% nos tiros, foram 505 registros. No entanto, houve queda de 12% nos tiroteios/disparos com presença de agentes de segurança e queda de 23% também no número de baleados, foram 168 em maio (92 mortos e 76 feridos) e 198 em abril (97 mortos e 101 feridos).
  • A Vila Kennedy, na zona oeste do Rio, foi o bairro que acumulou mais tiroteios na região metropolitana do Rio, foram 31 registros. Em seguida, vêm Cidade de Deus (16), Complexo do Alemão e Vicente de Carvalho (13) e Amendoeira, em São Gonçalo, (12).
  • Em maio, houve 59 tiroteios/disparos de arma de fogo ocorreram em áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Complexo do Alemão (13), Jacarezinho (7), Mangueira (7), Providência (6) e Borel (5) foram as áreas com mais tiroteios.
  • A zona norte do Rio, com 177 registros, concentrou 35% do total de tiroteios acumulados na região metropolitana em maio (505). Em seguida vêm, o Leste Metropolitano (104) e a Baixada Fluminense (104), zona oeste (82), Centro (27) e zona sul (11). Na segunda posição entre as regiões com mais tiros, o Leste Metropolitano**, teve o maior número de baleados (69), e concentrou 41% do acumulado no Grande Rio em maio (168).
  • Em maio, 12 agentes de segurança foram baleados na região metropolitana do Rio, destes 4 morreram. Do total de baleados (12), 1 morreu e 8 ficaram feridos quando estavam em serviço, e 3 morreram fora de serviço. Em comparação com o mesmo período de 2019 (27 agentes baleados, sendo 1 morto e 26 feridos), maio deste ano teve uma queda de 56% na quantidade de agentes baleados (soma de mortos e feridos), mas teve aumento de 300% na quantidade de agentes mortos.
  • Em maio, 5 pessoas foram vítimas de balas perdidas na região metropolitana do Rio: 1 morreu. Quantidade de baleadas é 64% menor comparado ao mesmo período de 2019, quando 14 pessoas foram atingidas por balas perdidas, sendo 7 mortas. Entre as vítimas, está Bianca Regina Oliveira, de 22 anos, atingida na cabeça por um tiro de fuzil, enquanto dormia dentro de sua casa, no dia 25. Bianca foi atingida durante tiroteio em uma operação policial na Cidade de Deus, zona oeste do Rio, onde mora com o marido.
  • 1 adolescente (de 12 anos até 18 anos incompletos) e 1 idoso (a partir de 60 anos) foram baleados na região metropolitana do Rio em maio – ambos morreram. No mesmo período de 2019, 2 crianças, 9 adolescentes e 4 idosos foram baleados no Grande Rio – destes, 1 criança, 5 adolescentes e 2 idosos morreram. O adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morreu após ser baleado durante uma operação policial no dia 18, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, quando estava na casa dos tios. João Pedro chegou a ser socorrido de helicóptero, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. O corpo do adolescente só foi achado pela família no dia seguinte.
  • No acumulado do ano – de janeiro até maio – houve 2.284 tiroteios/disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. No total, 945 pessoas foram baleadas: sendo 466 mortas e 479 feridas. Em comparação com o mesmo período de 2019, que teve 3.507 tiroteios no Grande Rio e deixou 1.288 pessoas baleadas – sendo 669 mortas e 619 feridas –, este ano teve uma queda de 35% na quantidade de tiroteios e de 27% no número de baleados.

Presença de agentes: Situações em que são percebidas a presença de agentes de segurança durante o tiroteio/disparo. Exemplo: Operação, Ação, Assalto a agentes etc.

Leste Metropolitano: região formada pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá.

“Vítima de bala perdida”: a pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil (ISP).

Agentes de segurança incluem: policiais civis, militares, federais, guardas municipais, agentes penitenciários, bombeiros e militares das forças armadas – na ativa, na reserva e reformados. 

Publicado às 21h58. Fogo Cruzado.

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