domingo, 29 de novembro de 2020

São Gonçalo volta a registrar tiroteios com flexibilização

A Capital ficou na liderança, com 181 casos, concentrando 60% do acumulado deste mês. Foto: Pedro Conforte

Três meses após a decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu operações policiais em comunidades no estado do Rio de Janeiro, o município de São Gonçalo voltou a registrar aumento no número de tiroteios. A cidade foi a vice-líder entre os locais com maior incidência de tiros, de acordo com os dados do mês de setembro, divulgados pela plataforma Fogo Cruzado.

A quantidade de ocorrências em São Gonçalo, de 38 tiroteios, representou 12,5% do total de disparos em toda a região metropolitana, que somou 304 incidências. A Capital ficou na liderança, com 181 casos, concentrando 60% do acumulado deste mês.

Apesar do estudo mostrar aumento com relação aos últimos três meses (junho, julho e agosto), São Gonçalo manteve em setembro o indicador em queda com relação ao mesmo mês de 2019, quando a cidade registrou 68 tiroteios. O tombo foi de cerca de 44%, mesma porcentagem contabilizada nos casos em toda a região metropolitana em comparação ao período do ano passado.

Todavia, ainda de acordo com o relatório mensal da plataforma, houve um crescimento — não somente em São Gonçalo — de todos os indicadores na comparação entre agosto e setembro. Principalmente o número de baleados em toda a região metropolitana, que representou um salto de 24% — foram 109 em setembro contra 88 em agosto. O aumento de tiroteios com a presença de agentes de segurança também cresceu 13%.

Comparação mensal

A partir da primeira decisão, a liminar do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), datada do dia 5 de junho, que restringiu o poder de polícia dentro das comunidades do Rio durante a pandemia do novo coronavírus, São Gonçalo iniciou um processo de queda nas incidências de tiroteios e disparos por arma de fogo. Em maio, um mês antes, segundo o Fogo Cruzado, a cidade registrou 64 casos. Já em junho, 37.

O mês subsequente, de julho, foi a maior queda registrada, quando a cidade contabilizou 23 ocorrências de disparos com arma de fogo. Em agosto, houve um pequeno crescimento, de cerca de 30%, em que o número saltou para 30 incidências.

Feridos

Entre as ocorrências do mês de setembro, divulgadas pelo Plantão Enfoco, três casos chamam atenção por envolver vítimas que, até então, não faziam parte do evento com disparos. No dia 8 de setembro, por exemplo, um jovem foi atingido por uma bala perdida no pescoço, na Rua Doutor Pio Borges, principal do bairro do Pita, em São Gonçalo.

Segundo a Polícia Civil, uma equipe da Delegacia de Neves (73ª DP) realizava patrulhamento para impedir roubo de carga na região quando, na altura do número 2130, foi atacada a tiros por um criminoso. Após os disparos, o bandido conseguiu fugir. Os policiais não revidaram pelo fato do local estar movimentado. Os tiros acabaram vitimando o jovem que foi encontrado ferido e levado ao Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, em Niterói.

Quatro dias depois, no dia 12, um homem de 59 anos, foi atingido por uma bala perdida após sair de casa para buscar o cachorro, na Rua Fontes Mello, no Porto do Rosa. Com ferimento no braço esquerdo, ele foi levado para o Pronto Socorro São Gonçalo, que fica no bairro Zé Garoto.

Já no dia 18 de setembro, um adolescente de 15 anos foi baleado na coxa esquerda e levado para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê. Segundo o jovem, ele foi atingido enquanto estava na porta de casa, no bairro do Sacramento.

Linha de fogo

  • O Rio de Janeiro, com 181 tiroteios/disparos de arma de fogo, concentrou 60% do acumulado na região metropolitana este mês (304), seguido por São Gonçalo (38), Duque de Caxias (31), São João de Meriti (12) e Nova Iguaçu (10). Duque de Caxias (31), que ficou em 3º lugar no ranking de cidades com mais tiros, apresentou tendência inversa à maioria dos municípios, registrando aumento de 182% nos tiroteios em comparação com setembro do ano passado (11).
  • 14 agentes de segurança foram baleados no Grande Rio este mês: dois deles morreram e 12 ficaram feridos. Entre os mortos, nenhum estava em serviço, e entre os feridos, sete estavam em serviço. Número de agentes baleados este mês é 22% menor que o registrado no mesmo período de 2019, quando 18 agentes foram atingidos (sendo 10 mortos). Entre os baleados naquele período, 5 morreram e 3 ficaram feridos quando estavam fora do posto de trabalho.
  • Este mês, duas crianças (com idade inferior a 12 anos), dois adolescentes (com idade entre 12 anos e 18 anos incompletos) e três idosos (com idade igual ou superior a 60 anos) foram baleados no Grande Rio. Destes, um idoso morreu. Em setembro de 2019, três crianças, 12 adolescentes e quatro idosos foram baleados – destes, uma criança, 10 adolescentes e três idosos morreram.
  • No acumulado do ano – de janeiro até setembro – o Fogo Cruzado registrou 3.549 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Rio. No total, 1.344 pessoas foram baleadas: destas, 662 morreram e 682 ficaram feridas. Em comparação com o mesmo período de 2019, houve queda de 41% no número de tiroteios, de 46% na quantidade de mortos e de 38% no número de feridos. Em 2019 foram registrados 6.064 tiroteios, que deixaram 2.326 pessoas baleadas (1.231 mortas e 1.095 feridas).

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