quinta, 03 de dezembro de 2020

Vitrine do crime e os métodos do tráfico em São Gonçalo

Bandidos ostentam poderio bélico na comunidade. Foto: Redes Sociais

A ousadia da criminalidade em comunidades de São Gonçalo parece não conhecer limites fazendo das redes sociais território de ostentação. Criminosos usam perfis em microblogs para ‘ostentar’ o poderio bélico, trocar ameaças e até para divulgar eventos irregulares. A ‘vitrine do tráfico’ escancara o crime e a forma de interagir com moradores locais.

Em um perfil que se identifica como integrante do grupo criminoso que atua no Complexo do Zumbi, o diário do ‘plantão de trabalho’ é exibido na internet. A região engloba comunidades dentro do bairro de mesmo nome e do Engenho Pequeno, em São Gonçalo.

Criminosos elaboram leis a serem seguidas dentro da própria facção. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Os relatos publicados nas redes sociais também revelam outro tipo de discurso: a tentativa de aproximação da criminalidade através da ‘prestação de serviço’ à comunidade.

Mandamentos

O grupo criminoso exibe ainda uma ‘organização’ para além dos moldes de ação. O campo ideológico também é regido por ‘mandamentos’ para nortear o comportamento dos chamados ‘crias’ — fidelidade atribuída a pessoas criadas dentro da comunidade.

Entre as ‘regras’ de convivência, exibidas em publicações pelas redes sociais, é possível identificar uma série de doutrinas, como: patriotismo, respeito ao relacionamento do outro, extermínio dos ‘inimigos’ e senso de coletividade.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Investigação

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) iniciou, recentemente, um novo sistema de investigação para identificar e prender foragidos da Justiça em uma ação integrada com outras unidades da Polícia Civil. Os agentes da especializada fazem um detalhando monitoramento não apenas redes sociais, mas também buscam pistas deixadas pelos procurados na internet.

A equipe responsável por esse trabalho é formada por dois grupos: um faz toda a análise de dados a partir das informações colhidas durante as investigações e o outro vai à rua para cumprir os mandados de prisão.

O trabalho de monitoramento complementa as apurações iniciadas por outras delegacias, responsáveis pelos inquéritos envolvendo os criminosos foragidos da Justiça. Tomando por base as primeiras investigações, a equipe da DRCI começa as buscas nas redes sociais para traçar o perfil do foragido, procurando descobrir, por exemplos, os locais que ele frequenta.

“Reunimos diversos mandados e começamos a fazer essa procura. Muitos, porém, não têm redes sociais ou não postam nada que sirva de referência. Têm outros que são mais descuidados ou até mesmo vaidosos demais. A partir daí, traçamos um caminho para chegar até eles”

Pablo Sartori, titular da DRCI.

O monitoramento acontece tanto na internet aberta como na deep web —  conteúdos que ficam ocultos dos mecanismos tradicionais de busca na internet. A partir do momento que são descobertos pontos de interesse do procurado, a equipe de rua vai até esses locais parar cumprir o mandado de prisão.

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