domingo, 13 de junho de 2021

WAR do tráfico e as cores da guerra em São Gonçalo

Bandeira colocada por bandidos da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para representar a conquista de mais um território em São Gonçalo. Foto: Rede Social

Pouco menos de um mês após a invasão de traficantes do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Alma, divisa entre os bairros Coelho e Amendoeira, em São Gonçalo, a facção criminosa se estabilizou na localidade expulsando os antigos ‘donos’, integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), principal grupo criminoso rival. Com a conquista, a principal facção criminosa do Estado do Rio conquistou a única localidade que faltava para controlar o ‘condomínio fechado’ da tráfico em São Gonçalo.

Diante da vitória pelo território, o Comando Vermelho criou um mapa, através da plataforma Google Earth, com as áreas controladas pela facção: Jóquei, Amendoeira, Coelho, Pacheco, Almerinda e Vila Candoza, estão entre os territórios alvos de guerra nos últimos meses.

Mapeamento criado pelos criminosos após a invasão no Complexo da Alma. Foto: Reprodução/Redes Sociais

De acordo com a Polícia Civil, o principal objetivo da facção, desde a saída do falecido traficante Thomas Jayson Gomes Vieira, o 3N, em abril de 2019, era expulsar os rivais do TCP de São Gonçalo, que, na época, controlavam as localidades conhecidas como Vila Candoza, Alma e Jardim Miriambi. Pouco tempo depois da morte de 3N, os criminosos do CV conseguiram expulsar os rivais do Jardim Miriambi, que tinha como líder o traficante Carlos Eduardo Monteiro de Barros, o Grisalho. Atualmente, segundo a polícia, Grisalho é atua na comunidade do Muquiço, na Zona Oeste do Rio.

A conquista do Jardim Miriambi, nas proximidades do Complexo da Alma, fortaleceu a estratégia de guerra, que perdurou por meses na região. Moradores da região passaram a viver a rotina do medo por conta dos confrontos diários entre traficantes. Em uma das tentativas de invasão, o Comando Vermelho perdeu cinco ‘soldados’, que acabram supreendidos por policiais militares do Batalhão de São Gonçalo (7°BPM).

Um dos relatos que mais chamou a atenção nos últimos meses foi o de um morador da região, ao publicar na internet a saudade do período mais calmo na localidade.

‘Maior saudade chegar no Complexo da Alma ver os morador (sic) que me abraçaram, dar aquele giro 360 na favela pra ver geral que me amarro. Chegar lá na Vila Candoza pagar um guaraná pras criançadas na pracinha e depois parar de cria pra tomar umas cervejas e seguir o dia de paz’

Vila Candoza foi um dos últimos conquistados pela facção em São Gonçalo. Foto: Arquivo/Marcelo Tavares

Entretanto, a área que passava a impressão de que não mudaria de bandeira sofreu a investida de chefões do tráfico, ligados ao CV, que teriam financiado a guerra do tráfico com soldados e armamentos. Um desses homens, segundo a polícia, foi o bandido conhecido como GB, apontado pela polícia como o chefe do tráfico de drogas do Jardim Catarina. Além disso, a presença ilustre de criminosos nordestinos chamou a atenção da polícia, a Tropa do Lampião.

Segundo a polícia, com um número superior de soldados e um forte aparato bélico, a estratégia do CV conseguiu expulsar os rivais.

Azuis entram no jogo

Pouco antes da invasão do Comando Vermelho, uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar descobriu um ‘Big Brother’ do Terceiro Comando Puro, que mantinha câmeras de segurança espalhadas desde a RJ-104 com o objetivo de vigiar policiais e traficantes rivais. Entretanto, nem mesmo o esquema tecnológico garantiu a permanencia do TCP na região. Dias após o desmanche do “BBB do tráfico”, o Comando Vermelho invadiu a localidade e expulsou em definitivo a facção rival.

Câmeras eram utilizadas como vigias do TCP em caso de operações policiais e invasão de rivais Foto: Arquivo/Marcelo Tavares

Recuo estratégico

Com a invasão, os traficantes ligados ao Terceiro Comando Puro tiveram que buscar abrigo em outras comunidades controladas pela mesma facção. De acordo com a polícia, um desses locais foi um conjunto de favelas formado pelas localidades Santo Cristo, Palmeira, Coreia, Pimba e Coronel Leôncio, em Niterói. Entretanto, a estadia durou pouco. Pelas investigações, a polícia acredita que após a invasão sofrida na Alma, em São Gonçalo, o bando fugiu em direção ao Rio, em meados de março.

De acordo a Delegacia do Fonseca (78ªDP), a migração de traficantes do TCP acontece devido à proximidade em casos de tentativa de retomada e pelo fato do local ser o único controlado pela facção entre os municípios de São Gonçalo e Niterói.

A polícia não descarta a possibilidade de uma tentativa de invasão em comunidades de Niterói, mas considera que TCP do Fonseca teria recebido forte investimento de bandidos do Rio nos últimos meses.

O local apontado pela polícia como refugiu seguro para os traficantes expulsos de São Gonçalo é o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, principal reduto investidor do TCP durante a guerra contra o CV.

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