terça, 26 de janeiro de 2021

A vez do Capitão em São Gonçalo

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Nelson é morador do Pacheco, tem 62 anos, casado e pai de dois filhos. Foto: Pedro Conforte

Recém-eleito prefeito de São Gonçalo para o próximo mandato (2021-2024) em uma disputa acirrada contra o candidato petista, Dimas Gadelha, o policial militar reformado Capitão Nelson (Avante) minimiza a ‘briga’ ideológica que polarizou a cidade no segundo turno das eleições e aponta para um futuro, segundo ele, livre de ideologias e de olho no desenvolvimento do município.

O novo chefe do Executivo garante já ter um encontro marcado esse mês com o presidente Jair Messias Bolsonaro (Sem Partido) — que declarou apoio à candidatura do Capitão na etapa final do pleito — para apresentar os problemas enfrentados na cidade. Na pauta, o prefeito eleito pretende abordar a rotina de medo de motoristas em uma das principais rodovias que cortam o município, a BR-101, de responsabilidade federal.

Prefeito eleito quer a retirada das rondas da Polícia Militar nos acessos da BR-101. Foto: Divulgação / Pmerj

“O 7º batalhão perde oito viaturas em todas as descidas da BR-101 em São Gonçalo, ou seja, são 16 homens que a gente perde no patrulhamento dos outros bairros sendo uma área de atribuição da Polícia Rodoviária Federal”

Garantindo 50,79% dos votos válidos (189.719 votos) na disputa com Gadelha, em uma campanha de segundo turno marcada por troca de farpas e acusações, Capitão Nelson faz questão de dizer que, a partir de agora, as divergências partidárias ficam de lado para pensar o melhor para São Gonçalo. Mesmo com 41% dos vereadores eleitos na Câmara Municipal apoiando o adversário no segundo turno, o novo chefe do Executivo acredita que caminhará lado a lado com todas as forças políticas.

“Meu partido é o Avante, mas ideologicamente eu não tenho nada a ver. Meu partido mesmo é Deus e São Gonçalo. Não vejo dificuldade de relacionamento porque vamos entrar com inúmeros problemas ao mesmo tempo e vamos precisar da ajuda de todos para que a gente consiga solucionar esses problemas básicos, da arrumação da casa. A campanha eleitoral acabou, agora todos têm que caminhar juntos”

Transição

Capitão não pretende encontrar com o atual prefeito José Luiz Nanci na transição. Foto: Arquivo

A única interação, segundo o Capitão, que será dispensável nesse momento é com o atual prefeito José Luiz Nanci (Cidadania). De acordo com o futuro chefe do Executivo, a equipe técnica ficará encarregada de alinhar o trabalho com a gestão em exercício e garantir uma transição responsável. Quanto à renovação do alto escalão da prefeitura, Nelson afirma que todas as vagas ainda estão abertas e serão ocupadas por quadros técnicos.

“Estou muito tranquilo, porque não teve aquela história do toma lá, dá cá com nenhum partido político. Estamos com todas as secretarias vagas. Estamos observando a parte técnica e profissional de cada um que a gente vai indicar para cada pasta. Tenho certeza que tenho que fazer política, porque estou na política”

O grupo, segundo o Capitão, vai auxiliar na tomada de todas as decisões do Executivo, tanto no que tange a palavra final em cada secretaria, quanto nos argumentos para auxiliar nas próprias escolhas.

Para o futuro chefe do Executivo, é necessário que esse grupo tenha autonomia e voz para buscar recursos em Brasília para a cidade. Segundo Nelson, uma das prerrogativas básicas para qualquer gestão administrativa é saber confeccionar um bom projeto. A imagem que o município passa no Distrito Federal, na visão do Capitão, é de que está tudo certo.

“Se você encontrar com alguém de Brasília vão te falar que o município de São Gonçalo é o que menos pede ao Governo Federal. Lá, acham que a cidade não precisa de nada, porque não pedem nada pela falta de competência na elaboração do projeto. Já que o presidente se colocou à disposição de auxiliar o município, então eu vou pedir para cacete. Mas tenho certeza que quando eu pedir, ele vai me cobrar o projeto e eu vou ter que apresentar. São Gonçalo precisa aprender a brigar. A cobrar da forma certa por investimentos”, concluiu.

Fim das barricadas

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Capitão pretende empenhar esforços em desobstruir ruas. Foto: Pedro Conforte

Uma das principais bandeiras levantadas por Capitão Nelson durante a campanha foi decretar o fim das barricadas nos bairros de São Gonçalo. Mesmo sendo uma atribuição do governo estadual, segundo o prefeito eleito, a Segurança Pública precisa ser um ‘problema de todos’. Para o militar reformado, é a partir do desenvolvimento desse pilar que o município voltará a ter uma retomada econômica.

“Muitos candidatos diziam que eu era louco, porque a Segurança Pública é atribuição do governo do estado, mas a via pública pertence a quem? Não é competência da prefeitura desobstruir a via pública? O que falta é coragem. O que está acontecendo é omissão, porque isso temos 33 bairros tomados. Não dá mais para os municípios ficarem de braços cruzados diante desse problema, porque está prejudicando toda a sociedade gonçalense”

Para conseguir resultados nessa missão, o Capitão afirmou que uma medida já calculada por sua equipe e adequada ao orçamento municipal é a implantação do programa São Gonçalo Presente, com previsão inicial de 150 agentes por dia nas ruas. A expectativa é de que o projeto seja concretizado por meio de um convênio com o governo do estado para ampliar o ‘Segurança Presente’ na cidade, mas desta vez com o acréscimo de recursos investidos pela própria prefeitura.

“Tem sido elaborado todo um planejamento em torno disso, que vai envolver a polícia, mas vai envolver também uma ação social com Educação, Saúde, indicação para o primeiro emprego e troca de iluminação. E nessa oportunidade, vamos colocar inicialmente 100 câmeras ligadas a um centro integrado de Segurança Pública, para monitorar essas comunidades. Então, vamos ter um grupo de pronta-reposta do São Gonçalo Presente para que assim que for detectado qualquer mobilização de retorno da barricada, esse grupo vai agir”

Outro pilar fundamental nesse planejamento, segundo o Capitão, é trabalhar através da fé. O prefeito eleito pretende contar com a parceria de instituições católicas e evangélicas para promover uma ‘evangelização’ de integrantes do crime organizado, a fim de ‘resgatar’ o cidadão.

Guarda armada

Guarda passará por treinamento para ter armamento. Foto: Colaboração/Matheus Merlim

O policial militar reformado também pretende retomar a antiga discussão sobre armar a Guarda Municipal de São Gonçalo. Segundo o Capitão, a cidade precisa que esses agentes sejam direcionados para atuar em um policiamento ostensivo nas ruas, uma vez que o efetivo do Batalhão da Polícia Militar (7º BPM) ainda é baixo para atender todo o município.

“Temos um efetivo de quase 350 guardas municipais. Estamos elaborando um projeto reivindicando 100 pistolas calibre 40, coletes e todo equipamento. Além disso, estamos inserindo os valores do instrutor de tiro credenciado na Polícia Federal, instrutor de código e processo penal e quantitativo de hora/aula, para que a gente consiga preparar, orientar e ensinar esse guarda a trabalhar na rua”, afirmou.

Covid-19

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Prefeito eleito é contra o isolamento social rígido. Foto: Pedro Conforte

O controle da pandemia do novo coronavírus também é um dos temas considerados mais importantes, na visão do Capitão, a serem trabalhados no início do mandato. Segundo Nelson, a equipe de transição está estudando os dados de aumento de casos confirmados da doença, para que as decisões em janeiro sejam direcionadas com responsabilidade, caso uma vacina ainda não seja aprovada. Todavia, destaca que é contra a retomada de um novo isolamento social, com fechamento de atividades comerciais.

“Não sou favorável ao isolamento, porque a gente já está em uma crise financeira e a gente precisa aprender a conviver com isso. Não tem que parar atividade nenhuma. Esse ano ficamos sem aula, mas vai ficar mais um ano? Acho conveniente que a gente planeje reiniciar as aulas, mesmo com a interferência do judiciário. O poder público precisa abrir as portas, logicamente, cumprindo os protocolos da OMS”

Mesmo inclinado a não promover um novo lockdown em São Gonçalo, Nelson pondera que os médicos terão a palavra final na tomada de decisões com relação à pandemia. Questionado sobre um possível nome para assumir a Secretaria de Saúde, que será a responsável pelas ações de combate ao coronavírus, o Capitão disse que ainda está conversando com possíveis especialistas.

“A palavra maior será dos médicos. Eu só demonstro a minha vontade, como cidadão gonçalense, de que os comércios funcionem, que a escola funcione. Logicamente, que se não tiver vacina, que a gente tenha que cumprir todos os protocolos. Agora parar as atividades, acho muito difícil”, finalizou.

Quem é?

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Nelson acumulou 23 anos de atuação no 7º Batalhão. Foto: Pedro Conforte

Batizado como Nelson Ruas dos Santos, ele é morador do Pacheco, tem 62 anos, é casado e pai de dois filhos. É policial militar reformado e já atuou por mais de dez anos em diferentes mandatos como vereador na Câmara Municipal de São Gonçalo.

Há pouco tempo ocupou, temporariamente, cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) como deputado, já que era suplente de Marcos Abrahão (Avante) — parlamentar preso por corrupção na operação Furna da Onça.

Com o retorno de Abrahão, por decisão da Justiça, Capitão Nelson voltou ao cargo de vereador na cidade. Velho conhecido entre policiais de São Gonçalo, acumulou 23 anos de atuação no 7º Batalhão, onde se tornou Capitão, patente incorporada a sua marca política na primeira campanha, em 2004.

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1 thought on “A vez do Capitão em São Gonçalo

  1. Procurei muito mas só achei a palavra “emprego” uma vez Habitação então nem pensar . Em compensação, policia tem um monte. Arma também. Na próxima eleição deveriam propor a criação do Forte Apache . E por o Sargento O’Hara no comando,
    Mas há uma proposta radical: “evangelizar” ( seja lá o que for isso) a galera do crime. Vai dar certo. O Vaticano tenta isso há mais tempo e ainda não conseguiu. Quem sabe em São Gonçalo.

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