sábado, 06 de março de 2021

Conheça Benny Briolly, primeira vereadora travesti eleita em Niterói

Primeira travesti vereadora da cidade, Briolly promete enfrentar as desigualdades na Câmara. Foto: Divulgação

A Câmara de Niterói terá, pela primeira vez, uma travesti entre os 21 ocupantes das cadeiras do Legislativo. Após mais de três horas de espera na divulgação das apurações do votos, por todo país, no último domingo (15), o resultado mostrou que, aos poucos, candidatos que carregam a representatividade na política ganham cada vez mais espaço.

Concorrendo ao cargo pela primeira vez, Benny Briolly (PSOL) foi a quinta candidata mais votada para vereadora na cidade, obtendo mais de 4 mil votos.

“Foi uma vitória da mulher negra, de favela, de representatividade, da travesti. A gente já esperava um resultado favorável, porque nossa campanha foi muito completa e conseguimos sair vitoriosos. É um fato histórico uma pessoa como eu estar em uma das cadeiras da câmara de vereadores. Estamos muito felizes e essa vitória significa que a nossa luta a favor das desigualdades e contra o fascismo e os genocídios contra o povo negro e da favela, venceu”.

Benny Briolly (PSOL)
Benny morou em diversas comunidade da Zona Norte de Niterói. Foto: Divulgação

Nascida em Niterói, em outubro de 1991, a agora vereadora eleita conta que sua história vem das lutas contra as desigualdades ao povo negro, pobre e da favela. Militante do PSOL desde 2012, ela diz que assumir uma vaga no legislativo de Niterói nunca foi sua pretensão e que sua vida foi caminhando de forma natural para a defesa das minorias.

“Desde muito jovem eu abraço as causas das minorias. Ser vereadora nunca foi meu projeto de vida e acabei trilhando esse caminho por conta das minhas lutas. Eu precisava entender que corpo era esse que eu tinha. A população negra, hoje, está sendo vítima de todo um genocídio e meu papel é ajudar a destruir tudo isso. O povo negro precisa ser representado por uma política reformista e estamos aqui para representar isso”.

Benny Briolly (PSOL)

Filha de mãe cabeleireira e pai porteiro, Benny cursa faculdade de jornalismo e explica que teve uma vida difícil, sendo criada em comunidades da Zona Norte de Niterói com outros quatro irmãos: três homens e uma mulher. Moradora do morro da Penha, no bairro da Ponta D’areia, ela conta que sempre houve suporte de sua família em relação ao seu gênero e que isso nunca foi uma dificuldade dentro de casa.

Benny tem como referência na política a deputada federal Talíria Petrone. Foto: Divulgação

“Morei em diversas favelas da Zona Norte de Niterói e ser preto, pobre, e da favela, na cidade, é muito difícil, porque as pessoas te olham diferente. Sempre estudei em colégio público e meus pais não tinham grana para pagar a passagem dos cursos que eu fazia. Sempre tive uma relação muito boa com minha família e eles sempre me apoiaram. Era uma coisa de resistência mesmo, isso nunca foi problema”.

Benny Briolly (PSOL)

Atuação

Como espelho na vida política iniciante, Benny diz que sua principal referência é a ex-vereadora da cidade e atual deputada federal pelo PSOL, Talíria Petrone. Ela também pretende agregar experiência do candidato à prefeitura, Flávio Serafini, segundo lugar nas eleições deste ano.

“A Talíria sempre foi uma das minhas referências desde antes dela ser vereadora. Já a conheço desde 2007 e tenho um grande respeito por ela e por suas ideias. Já conversamos depois de ontem [domingo] e pretendo fazer um mandato com ajuda dela e do [Flávio] Serafini, que me ajudou bastante na nossa campanha” falou.

“A vitória de Benny é histórica pra Niterói. Estamos muito alegres de perceber a continuidade do nosso trabalho na cidade”.

Talíria Petrone (PSOL)

Sobre sua atuação ao compor o time de vereadores da Câmara, Benny diz que fará um mandato pautado no combate às desigualdades, principalmente das mulheres negras.

“Vejo que não há uma política de inclusão das mulheres, negras, pobres e da favela. Não existe uma escuta dessas vozes e pretendemos fazer uma política diferente na Câmara. É preciso transformá-la. Quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta junto com ela”.

Benny Briolly (PSOL) – citando a escritora e filósofa norte-americana, Ângela Davis
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