sábado, 31 de outubro de 2020

Ex-diretor do Flamengo aponta omissão no Ninho do Urubu

Incêndio iniciou em ar-condicionado e atingiu dormitórios improvisados. Foto: Reprodução

Avançando para a etapa de conclusão do relatório final, os deputados estaduais da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incêndios concluíram as oitivas sobre a tragédia do centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu, que ceifou a vida de dez jogadores de base do clube em fevereiro de 2019.

Dirigentes, ex-dirigentes e funcionários do Flamengo foram ouvidos na sexta-feira (13) em reunião na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Os parlamentares questionaram sobre detalhes contratuais dos contêineres, a interdição e a manutenção dos contratos.

Ao longo da CPI, representantes da Secretaria Municipal de Fazenda do Rio informou que emitiu 31 autos de infração ao clube. A interdição, de acordo com o órgão, se deu um ano antes da tragédia.

O gerente de patrimônio, Luiz Humberto Costa, relatou que o ar-condicionado que sofreu pane elétrica não era novo. O aparelho, instalado na véspera, era recondicionado e ficava em uma oficina na Gávea. Essa oficina seria gerenciada pela área patrimonial, sob a gerência da diretoria de Meios.

Ex-diretor aponta omissão

Ex-diretores e funcionários do Flamengo prestaram depoimento em CPI. Foto: Tiago Lontra/Alerj

O ex-diretor administrativo do Flamengo, Marcelo Helman, que compôs o gabinete de crise do incêndio, foi afastado de suas atividades após não ser indiciado no inquérito da Polícia Civil. Acredita que os indiciados foram mantidos no clube para traçar uma estratégia de defesa conjunta.

Aos deputados, Helman detalhou o organograma da diretoria do Flamengo, e contou que o alojamento foi solicitado pela Diretoria de Futebol, com autorização e recursos da Diretoria de Meios, que é responsável pelas obras realizadas no CT.

Helman pontuou que, por envolver a diretoria de Meios, Paulo Dutra — que foi convocado, mas não compareceu à CPI — pode ter recebido as notificações de interdição. “Se foi durante a gestão dele, não tenho dúvida. Era uma pessoa centralizadora ao extremo”, afirmou Helman.

O ex-dirigente sugeriu, ainda, a convocação da diretoria jurídica do Flamengo. “Sob o meu comando, eu certamente teria corrido a eles para questionar se fecho as portas, mando todo mundo embora, paro os jogos, o Maracanã ou a Libertadores?”, atacou o ex-dirigente.

A diretoria atual do Flamengo foi representada pelo diretor financeiro, Antônio Márcio Garotti. Aos parlamentares, Garotti afirmou que os contratos da NHJ, que forneceu os contêineres, é anterior a sua gestão.

Quanto às multas de alvará emitidas pela Prefeitura do Rio de Janeiro, Garotti afirmou que “a natureza do gasto não era discriminada, pois chegava apenas como multa”, e que desconhecia a interdição.

A defesa foi criticada por Rodrigo Amorim (PSL): “Ninguém sabia de nada, nenhum diretor do Flamengo. É necessário que a gente chegue a quem contratou esse tipo de modelo de contêiner, absolutamente inadequado”.

Rafael Strauch, que foi diretor de administração do Flamengo entre 2015 e 2017, também afirmou desconhecer a interdição. O monitor dos jogadores de base, Marcus Medeiros, que atuou no resgate, afirmou em depoimento que estava no refeitório no momento das explosões.

Diretoria indiciada

Morte de jogadores de base em incêndio mobilizou o País. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Ao todo, a CPI realizou 6 reuniões, sendo três dedicadas a tragédia do Ninho do Urubu e oitivas sobre o Museu Nacional, Whiskeria 4×4, além da interdição da Vila Mimosa. O presidente da CPI, Alexandre Knoploch (CPI) não descarta uma nova audiência para ouvir o ex-diretor de meios do Flamengo, Paulo Dutra.

“O organograma do Flamengo é complexo. Difícil eles mesmos se entenderem. Com os depoimentos vamos conseguir formar um relatório apartado”, afirmou o parlamentar.

A despeito de eventuais convocações, Knoploch acredita que há indícios de omissão da diretoria diante da interdição do centro de treinamento e não descarta o indiciamento da diretoria atual.

Além dos depoimentos, a CPI obteve os 13 volumes do inquérito policial, que está em análise pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) desde fevereiro. Os deputados requisitaram, ainda, histórico de notificações de interdição do clube e contratos do Flamengo com a NHJ.

O inquérito indiciou o ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, engenheiros, monitor e técnico de ar-condicionado do clube. Responsáveis da NHJ do Brasil, a fornecedora dos contêineres, também foram indiciados.

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