sexta, 18 de setembro de 2020

Rodrigo Neves escolhe Axel e oposição desdenha

Axel Grael e Paulo Bagueira foram as escolhas do prefeito Rodrigo Neves para disputar a Prefeitura de Niterói. Foto: Arquivo
Axel Grael e Paulo Bagueira foram as escolhas do prefeito Rodrigo Neves para disputar a Prefeitura de Niterói. Foto: Arquivo

O secretário municipal de Planejamento Axel Grael, do Partido Verde (PV), e o deputado estadual Paulo Bagueira (Solidariedade) devem embarcar na mesma chapa para disputar a Prefeitura de Niterói nas eleições municipais deste ano. A chapa contará com apoio do grupo que controla o Executivo há oito anos. Concluindo seu segundo mandato, o prefeito Rodrigo Neves, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), integrou as reuniões que definiram os pré-candidatos.

A decisão foi possível após Grael, ligado ao ambientalismo, aceitar a condição de transferir sua filiação ao partido de Neves. Com Grael no PDT e coligação com siglas do campo progressista — outras nem tanto, como uma parceria em construção com o conservador Partido Social Cristão (PSC) do governador Wilson Witzel — a chapa irá disputar os votos dos 388 mil eleitores de Niterói em outubro.

Além de Grael, braço-direito de Neves e gestor do programa de reurbanização da Região Oceânica, e Bagueira, com base eleitoral na zona norte e ex-presidente da Câmara de Vereadores, outros nomes postulavam a indicação.

Entre os secretários cotados, estava a titular da Fazenda Giovanna Victer, ainda sem partido, que está em férias no exterior até fevereiro. Procurada para comentar a negativa, Giovanna limitou-se a dizer que se sentiu honrada em ter sido indicada como pré-candidata e que a população de Niterói optará pela continuidade do projeto.

Comte Bittencourt (Cidadania), vice de Neves nas eleições municipais de 2016, secretário de Governo e opção para a chapa, não se pronunciou sobre a negativa.

Outro postulante à linha sucessória, o deputado federal Chico D’Ângelo (PDT) declarou em seu perfil pelas redes sociais apoio aos indicados pelo prefeito:

“A escolha do sucessor de um governo bem avaliado sempre é difícil e complexa. Sendo assim, avaliando todo o histórico deste governo e sabendo que nossa unidade é o melhor para a cidade, me coloco ao lado de Axel Grael e Paulo Bagueira”, publicou o parlamentar.

D’Ângelo comentou, ainda, rumores sobre o rompimento de Comte Bittencourt com o grupo governista: “Sua permanência neste projeto é o símbolo de uma aliança que rompe uma disputa maniqueísta que nos tem levado a derrotas em nosso país. O campo democrático perdeu em 2018 e não temos o direito de repetir erros recentes”, pontuou.

Outro nome cotado para a disputa, o deputado estadual Waldeck Carneiro, do Partido dos Trabalhadores (PT), declarou apoio à indicação de Axel ao governo.

Grael tem “perfil progressista, democrático, bom gestor e comprometido com o desenvolvimento econômico combinado com agendas sociais e ambientais”, avaliou o parlamentar em publicação nas redes.

Oposição acelera ritmo

O deputado Flávio Serafini (Psol) ironizou a tentativa de aliança do prefeito com o governador Wilson Witzel. Foto: Arquivo

No campo da esquerda, o deputado estadual e pré-candidato Flávio Serafini, do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), ainda busca um vice nos partidos que formarem aliança. Porém, com o PT e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na base e ocupando cargos na gestão de Rodrigo Neves, uma frente ampla de esquerda não está no horizonte.

“Niterói é uma cidade onde as polícias mais matam, o que é uma diretriz da política de segurança pública do governo Witzel que as correntes de esquerda tem criticado muito. Se Rodrigo Neves conseguir costurar essa aliança com o PSC na cidade, os partidos de esquerda vão se manter nessa aliança?”, questionou Serafini, 3º mais votado nas duas últimas eleições.

Sobre as indicações do prefeito, Serafini comentou que “já se sabia que o nome do Axel Grael teria apoio do prefeito por se encaixar mais no perfil do Rodrigo Neves, mas sem ocupar o espaço político dele, para que ele possa continuar liderando. Essa composição é uma continuidade do mesmo modelo marcado pelo fisiologismo”, em referência a políticos que atuam com base em troca de favores.

Avançando para o campo da centro-esquerda, o administrador Felipe Peixoto, do Partido Social Democrático (PSD), e o vereador Bruno Lessa, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), se reuniram após o anúncio da chapa governista nesta segunda-feira (20).

“Essa chapa representa a velha política. A opção do Axel pelo Rodrigo é alguém que o Rodrigo possa continuar mandando. Ele vai reproduzir o que o Lula fez com a Dilma. Deixar alguém que não tenha força política grande para continuar interferindo no governo, assim como Cabral fez com Pezão. Ele repete o modelo petista e peemedebista do qual fez parte”, criticou Peixoto, que foi ao 2º turno contra Rodrigo Neves nas eleições de 2012 e 2016.

No campo da extrema-direita, o deputado federal Carlos Jordy corre contra o tempo para registrar o partido do presidente Jair Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil. Já houve mutirões de assinatura na cidade e, se o partido vingar, Jordy quer disputar a Prefeitura ao lado do delegado civil Marcus Amin, anunciado após a decisão do PDT.

“Nossa expectativa é de que até o fim de fevereiro a gente consiga as assinaturas para montar o partido. Caso o partido não consiga ser concretizado até a eleição, vamos para outra casa provisório para disputar a eleição. Como no governo federal, caminhamos sozinhos e conseguimos essa eleição. Não há mais essa influência tão contundente como nas eleições passadas”, afirmou Jordy.

Ex-vereador de Niterói, o parlamentar acredita que Bagueira e Axel não tem a expressão política necessária para vencer a disputa pela Prefeitura.

Para o deputado federal Carlos Jordy, a escolha de Rodrigo Neves facilitou o caminho para ele na disputa eleitoral. Foto: Arquivo

“Obviamente o Rodrigo Neves teve o cuidado de pegar alguém da Zona Sul, de uma família conceituada. E alguém da Zona Norte, que é o Bagueira. Não são duas pessoas que tenham um capital político para disputar a prefeitura. Fica um caminho que, para nós, é mais fácil de disputar”, comentou o deputado.

Quanto ao PSL, antigo partido do presidente, o diretório está cindido após a diretoria migrar para a Aliança pelo Brasil. Enquanto o deputado estadual Gustavo Schmidt (PSL) se diz pré-candidato e assumiu provisoriamente a presidência do diretório, colegas de partido insistem que o nome ainda precisa ser validado pela executiva estadual e nacional.

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