terça, 22 de setembro de 2020

Vereadores votam contra impeachment de Crivella

É a segunda vez que o prefeito Marcelo Crivella fica livre da abertura de um processo de impeachment. Foto: Rede Social

Por 25 votos contrários, contra 22 favoráveis, a Câmara do Rio rejeitou na noite desta quinta-feira (3) a denúncia sobre a admissibilidade de um novo processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). A votação foi liberada às 19h10 e encerrada poucos minutos depois.

Vereadores discutiam desde a tarde a possibilidade sobre o acolhimento do requerimento apresentado pelo Partido Socialismo e Liberdade, e que foi acolhido pelo presidente do Legislativo, vereador Jorge Felippe (DEM) no início da semana.

Conforme explicado por Jorge na abertura da discussão, às 16h, na votação era necessária a presença de, no mínimo, 26 parlamentares. Ao todo a Casa tem 51 vereadores. Para aprovação, é preciso quorum de maioria simples dos presentes na sessão (metade mais um).

O PSOL havia entrado na terça (1º) com o pedido de impeachment contra Crivella, por meio da deputada e pré-candidata a prefeitura do Rio, Renata Souza, e também do vereador Tarcísio Motta.

Para o partido, a denúncia da existência de grupos denominados “Guardiões de Crivella”, revelado pela Rede Globo, na segunda-feira (31), “configura flagrante inobservância dos princípios da probidade administrativa, em especial da honestidade, imparcialidade e legalidade, além de possível crime de responsabilidade”.

Vereadores que votaram contra

  • Alexandre Isquierdo (DEM)
  • Carlos Bolsonaro (REPUBLICANOS)
  • Dr. Carlos Eduardo (PODE)
  • Dr. Gilberto (PTC)
  • Dr. Jairinho (SOLIDARIEDADE)
  • Dr. João Ricardo (PSC)
  • Dr. Jorge Manaia (PROGRESSISTAS)
  • Eliseu Kessler (PSD)
  • Fátima da Solidariedade (SOLIDARIEDADE)
  • Felipe Michel (PROGRESSISTAS)
  • Inaldo Silva (REPUBLICANOS)
  • Jair da Mendes Gomes (PROS)
  • João Mendes de Jesus (REPUBLICANOS)
  • Leandro Lyra (REPUBLICANOS)
  • Major Elitusalem (PSC)
  • Marcelino D Almeida (PROGRESSISTAS)
  • Marcello Siciliano (PROGRESSISTAS)
  • Marcelo Arar (PTB)
  • Professor Adalmir (PROGRESSISTAS)
  • Renato Moura (PATRIOTA)
  • Rocal (PSD)
  • Tânia Bastos (REPUBLICANOS)
  • Vera Lins (PROGRESSISTAS)
  • Zico (REPUBLICANOS)
  • Zico Bacana (PODE)

Vereadores que votaram a favor

  • Átila A. Nunes (DEM)
  • Babá (PSOL)
  • Carlo Caiado (DEM)
  • Cesar Maia (DEM)
  • Fernando William (PDT)
  • Italo Ciba (AVANTE)
  • Jones Moura (PSD)
  • Leonel Brizola (PSOL)
  • Luciana Novaes (PT)
  • Luiz Carlos Ramos Filho
  • Paulo Messina (MDB)
  • Paulo Pinheiro (PSOL)
  • Prof. Célio Lupparelli (DEM)
  • Rafael Aloisio Freitas (CIDADANIA)
  • Reimont (PT)
  • Renato Cinco (PSOL)
  • Rosa Fernandes (PSC)
  • Tarcísio Motta (PSOL)
  • Teresa Bergher (CIDADANIA)
  • Veronica Costa (DEM)
  • Welington Dias (PDT)
  • Willian Coelho (DC)

Contra à abertura do processo

Minimizando a pauta, o vereador Dr. Jairinho (Solidariedade) afirmou em plenário que o cenário atual não passa de um “processo político”. Em discurso, ele defendeu que questões criminais já estão em curso “nas mãos de quem sabe investigar”, fazendo referência ao Ministério Público do Rio, que instaurou um procedimento criminal para apurar irregularidades que teriam sido cometidas a mando do prefeito Marcelo Crivella.

“Pra que vamos abrir um processo político contra o prefeito da cidade num momento tão difícil? Não vai dar tempo para votar impeachment algum. Não sei o que está acontecendo! É medo de eleição? Quem falou muito tempo que impeachment era golpe, hoje vem pra cá defender o impeachment de forma tão assodada. Calma, gente! Vamos investigar! Que puna os culpados. Ganha eleição na boa, no voto. Esse processo foi político, o criminal está nas mãos de quem sabe investigar”, defendeu.

Pouco antes das 18h, o presidente da Casa chegou a abrir um requerimento aos parlamentares para que fosse aceita ou negada a prorrogação da sessão que discute a abertura do processo de impeachment contra Crivella por uma hora. Trinta e oito vereadores votaram pela continuidade da discussão.

Políticos de oposição defenderam com vigor a admissibilidade de uma investigação contra Crivella. O vereador Fernando William (PDT), por exemplo, chegou a afirmar que não há um julgamento de valor sobre a qualidade do governo, mas sim sobre as denúncias evidentes que motivaram o pedido de abertura do processo de impeachment.

“Estava se gastando dinheiro público, pagando dezenas de trabalhadores para constranger o trabalho da imprensa e defender a pessoa do prefeito. Isso é um absurdo. A tarefa de nós, vereadores, não é sair acusando e condenando. Mas numa situação como essa, abrir mão de dar início a uma Comissão Processante de abrir uma investigação que responsabiliza quem está por trás disso e que os puna é um dever. Se não fizermos, nós estamos cometendo crime”

Após o resultado da votação, a Prefeitura do Rio divulgou nota à imprensa e disse que ‘segue trabalhando, tendo o interesse público como foco — e, por isso mesmo, debatendo as iniciativas com transparência junto à Câmara Municipal e seus vereadores, representantes diretos da população’.

“A Prefeitura reitera que é necessário levar ao público a informação correta de que o grupo de WhatsApp “Guardiões do Crivella” não é institucional, não se presta a organizar servidores para coibir a imprensa — e, para uma simples confirmação, basta a imprensa interessada verificar o conteúdo do grupo”

Prefeitura do Rio

O governo municipal ainda afirma ter reforçado o atendimento em unidades de saúde municipais para melhor informar à população e evitar riscos à saúde pública, “como quando a TV Globo veiculou que o Hospital Albert Schweitzer estava fechado, mas ele estava aberto para atendimento”, finalizou a nota.

Publicada às 19h19. Atualizada às 20h52.

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